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Apesar da estratégia do governo, imprensa internacional reconhece impeachment como legal e constitucional

capa jornal folha 29-04Brasília (DF) – A estratégia do governo da presidente Dilma Rousseff de insistir na tecla do impeachment como um ‘golpe político’ não tem surtido o efeito desejado na imprensa internacional. Uma análise feita pelo jornal Folha de S. Paulo (29/04) em 11 editoriais dos principais jornais estrangeiros mostra que a maioria dos veículos de referência na mídia internacional não considera o pedido de impedimento da presidente como um golpe.

Para a deputada federal Geovânia de Sá (PSDB-SC), o que a imprensa internacional faz é reconhecer a Carta Magna brasileira, que estabelece o impeachment como uma prerrogativa legal e constitucional. A parlamentar destacou a dubiedade com que o PT trata o impeachment agora que está no governo, sendo que abusou da prerrogativa quando ainda integrava a oposição.

“Já tivemos a validação do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu no processo de impeachment um processo normal, homologando exatamente o que está na Carta Magna. É claro que, no início houve algumas manifestações, principalmente de outros governos esquerdistas, que vieram com a mesma fala que a presidente e toda a sua base usaram, alegando que era golpe. No impeachment de Collor, e contra Fernando Henrique e contra Itamar [Franco], os petistas entraram com mais de 50 pedidos de impeachment. Agora, eles alegam que é golpe. Ou seja, eles podem, para eles é legal. Para nós, não. Só que a Constituição é a mesma, de 1988”, rebateu.

Os veículos estrangeiros parecem compartilhar dessa visão. O jornal britânico “Financial Times”, por exemplo, afirmou ser um “exagero” falar em golpe, já que o processo está previsto na Constituição e é conduzido por um Judiciário independente. O diário francês “Le Monde” escreveu no título do seu editorial “Brasil: Isto não é um golpe de Estado”, e destacou que uso da palavra ‘golpe’ é uma “retórica infeliz”.

Enquanto o jornal americano “The New York Times” disse que a presidente Dilma Rousseff não pode driblar os questionamentos sobre corrupção, o “Washington Post” ressaltou que o impeachment não é “um golpe contra a democracia”, e o britânico “The Guardian” classificou a presidente petista como “incompetente e inconsistente”.

Mais taxativa foi a revista britânica “The Economist”. A publicação pediu a saída de Dilma Rousseff em editorial de 26 de março, intitulado “Hora de ir embora”. A “The Economist” considerou que a presidente perdeu a pouca credibilidade que ainda tinha ao indicar seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o ministério da Casa Civil. A nomeação foi uma manobra que garantiria a Lula, investigado pela Operação Lava Jato, o foro privilegiado.

A deputada Geovânia de Sá criticou a estratégia petista de buscar apoio internacional para tentar invalidar um processo já reconhecido pela Suprema Corte brasileira.

“A Constituição está aí, e nós estamos com um embasamento legal. Como ela perdeu o apoio do país e principalmente da população, que é quem elege o governante, ela perdeu toda essa legitimidade e agora tenta buscar apoio onde ela pode ter: outros governos. Só que ela não vai conseguir porque, com certeza, eles também avaliam conforme a gente e a própria população avalia: não há condições desse governo continuar”, completou a tucana.