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Para blindar Lula e Dilma, governo busca substituto para comando da Polícia Federal

14012011-140111EF6429Com o claro objetivo de blindar o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff nas investigações da Lava Jato, o governo busca um novo nome para assumir o comando da Polícia Federal. A relação entre o atual diretor-geral da PF, Leandro Daiello, e o Palácio do Planalto ficou desgastada após o episódio da gravação telefônica entre Lula e Dilma Rousseff. A interceptação foi autorizada pelo juiz Sérgio Moro, que comanda as investigações da Lava Jato.

Reportagem publicada nesta segunda-feira (21) pelo jornal Folha de S. Paulo afirma que o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, recebeu a missão de encontrar um substituto para apresentar a Dilma e assumir a diretoria-geral da Polícia Federal em até 30 dias. No diálogo flagrado pela PF, investigadores da Operação Lava Jato captaram uma tentativa da presidente de evitar a prisão de seu antecessor. Mas o PT acusa o governo, por intermédio do Ministério da Justiça, de não ter interferido para colocar um freio nas investigações.

O deputado federal Rocha (PSDB-AC) diz que a decisão do governo soa como pretexto para impedir que a polícia cumpra seu papel. O parlamentar pediu, em requerimento, a convocação de Eugênio Aragão, para que seja ouvido no plenário da Câmara.

“Eu já entrei com um requerimento pedindo a convocação do ministro da Justiça para que ele possa explicar no plenário da Câmara sobre essa possível interferência do Ministério da Justiça no trabalho da Polícia Federal. Ele não pode, a pretexto de impedir vazamentos, trocar a direção da Polícia Federal, em um ato claro de utilizar a PF para que ela não cumpra o seu papel.”

Lula e setores do PT têm criticado o comportamento da polícia nas investigações, sobretudo em relação aos vazamentos. Mas a oposição observa que há intenção do governo em dificultar o andamento das investigações da Lava Jato. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), lamenta que o governo desperdice esforços para obstruir a Justiça em vez de se defender de acusações graves.

“Nesse desespero, o governo, ao invés de se defender das graves acusações que sofre, passa a atacar instituições, agora com essa tentativa última, desesperada de interferir no trabalho da Polícia Federal. Isso não será aceito pela sociedade e terá uma reação vigorosa pela oposição no parlamento.”

Ambos os tucanos ressaltam que o comandante da Polícia Federal possui autonomia de atuação e garantem que a oposição tomará providências para impedir que o governo interfira nas atividades do órgão.