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“Quantas versões comporta a verdade?”, por Beatriz Ramos

Bia Ramos bonitaNão posso dizer que venho assistindo calada aos estarrecedores – para usar uma palavra bastante usada pela, ainda, presidente Dilma – acontecimentos da última semana. Seria mentira, trabalho com divulgação de conteúdo.

Venho, entretanto, testemunhando um fenômeno assustador: pessoas a quem admiro, outras de quem gosto imensamente, parecem haver amanhecido acometidas de um mal que as impede de ver, ouvir, processar intelectualmente tudo o que leem e, principalmente, as torna incapazes de acolher e respeitar a opinião da imensa maioria da população brasileira, de seus irmãos.

Focam na forma, não no conteúdo. Batem em Moro, não em quem disse e fez coisas assombrosas, repugnantes, desprezíveis, enquanto estava no Poder, valendo-se da confiança de tantos. Esquecem que o Direito, por definição, é subjetivo e mutável, por atender a necessidades de uma sociedade também em constante mutação.

A necessidade da sociedade brasileira, hoje, é saber quem é realmente Luís Inácio Lula da Silva – sem João Santana, sem Duda Mendonça, sem intermediários ou blindagem de qualquer espécie. O povo merece conhecer o pensamento daquele que pretende voltar a governar em 2018, não para resolver os problemas do país, mas para fugir às consequências de seus atos, para amordaçar a imprensa, para retaliar a Polícia Federal, o Ministério Público, a Justiça.

Houvessem exposto Hitler e talvez a Segunda Guerra Mundial pudesse ter sido evitada, ou pelo menos tantos não houvessem morrido.

Os que hoje reclamam de ódio, agressividade e divisão, precisam fazer um minuto de reflexão sobre o que andaram fazendo nos últimos 13 anos. De que maneira trataram os diferentes. Será que sempre aceitaram os que discordavam do regime? Nunca reprimiram com violência ou intimidaram quem tentava avisar que estava tudo errado? A Lei do Retorno não falha.

Quem entre nós, os chamados “coxinhas”, jamais foi intimidado, peitado, agredido, física ou verbalmente, ou tratado com escárnio, ao defender uma posição diferente? Eu fui, demais. Aos que amo muito, perdoei, aos outros, risquei do mapa.

Proponho um exercício a todos, pelo bem comum: paremos de falar da mídia, de Moro, de manipulações ou intrigas. Deixemos que Lula, Dilma e o PT falem por si mesmos. Sem atravessadores. Voz a ouvido, já que não dá para ser olho no olho.

Hoje, ao chegar em casa, apaguem a luz, peguem um copo de alguma coisa, fechem os olhos e ouçam, apenas ouçam as gravações. Não é montagem, não é obra de marqueteiros. É Lula na veia, em estado puro. É o governo petista em sua mais perfeita definição. Tomem suas próprias conclusões, sem se deixar distrair por questões menores, apenas ouçam.

A verdade é uma só, inegociável, o que muda é a maneira como interagimos com ela.

*Beatriz Ramos é do PSDB Mulher e cronista