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“Realidade x Pátria Educadora”, por Raquele Nasserala

Raquele Nasserala
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O Brasil está longe de ser considerado um país onde a qualidade da Educação é satisfatória, pois os investimentos são reduzidos e mal administrados, ademais as escolas precisam de infraestrutura e de professores concursados com uma remuneração, no mínimo, atraente.

Não é de se admirar que durante quinze anos o país foi capaz de atingir apenas duas das seis metas mundiais para Educação, conforme relatório divulgado, ano passado pela ONU a UNESCO. Nesse documento, o Brasil conseguiu apenas universalizar o acesso à educação primária ( do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental) e a igualdade de gênero, levando meninos e meninas às aulas em mesma proporção. Entretanto, a qualidade da Educação continua deficiente e as taxas de abandono altas.

Mesmo visualizando esse resultado insatisfatório, o governo brasileiro vem, nos últimos anos, cortando o orçamento da Educação e, como se não bastasse, tendo sua credibilidade afetada em razão das irregularidades, da corrupção e, em especial, da má gestão em administrar um recurso tão escasso e tão precioso para milhares de brasileiros que sonham com dias melhores.

Esse problema se agrava mais ainda, pois sem investimentos as escolas ficam sucateadas sem ter como oferecer uma estrutura coerente ao corpo docente e discente, como a manutenção necessária aos equipamentos e utilização dos objetos, sem contar que a contratação e qualificação de mais profissionais da Educação ficam praticamente inviáveis, o que justifica a diminuição da procura pela profissão do magistério. Assim as escolas acabam trabalhando com quadros provisórios e mal remunerados para suprir suas necessidades, mas não avança no processo de qualidade do ensino.

Portanto, a educação no Brasil está longe de ser considerada ideal e jamais poderia servir como pano de fundo para as hipocrisias políticas, como ocorre no atual governo, cujo slongan é “Pátria Educadora”, mostrando claramente a falta de respeito com essa pasta tão importante para os alicerces de um país cada vez mais justo e com oportunidades para todos. Caso as intenções em melhorar a educação no Brasil fossem verdadeiras, passos importantes já deveriam ter sido dados no sentido de estimular a formação de novos profissionais em educação por meio de salários compatíveis com o de um médico ou delegado da polícia federal, por exemplo. Políticas eficientes no sentido de valorizar e retomar o respeito aos educadores, protegendo-os da violência verbal, emocional e até mesmo física a que são submetidos em muitas escolas públicas.

Mais do que palavras, é preciso coragem e atitude para buscar as soluções a médio e longo prazo. Modernizar as salas de aula, capacitar os professores, buscar novas estratégias de ensino, porém nada disso fará o menor sentido se não enfrentarmos dois grandes problemas: a falta de credibilidade social e remuneração justa para o professor.

*Raquele Nasserala é do PSDB Mulher do Acre, professora e diretora de escola estadual no estado.