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Palestrantes comentam sobre a democracia e o estado de direito

thumb_DSC_0833_1024São Paulo – O representante da Fundação Konrad Adenauer no Brasil, Jan Woischnick, foi o primeiro palestrante da segunda parte do seminário “Cultura da Paz e Feminino Profundo”, que aconteceu na última quarta-feira (27), em São Paulo. Democracia e o estado direito foi o assunto abordado.

Jan explicou que o Estado, sobretudo o poder Executivo, só pode atuar segundo os procedimentos e as regras estabelecidas na Constituição Nacional. “É proibida a arbitrariedade. Essas regras tem que estar transparentes,  compreensíveis e transumáveis para cada cidadão”, ressaltou.

O representante da Fundação Konrad Adenauer no Brasil disse que o estado de direito pode existir sem a democracia, porém nunca vai existir estabilidade no governo. Segundo ele, democracia não é a mesma coisa que o estado de direto. “ A democracia é a condição política para o sistema de partidos competitivo. Não somente um partido que governa, é um sistema pluralista”.

Para Jan, se não existe democracia em um país, um poder político sempre terá a tendência de se concentrar em um só partido, sem oposição. “Nesse caso, a experiência mostra que o estado de direito poderá rapidamente ser destruído”. Concluiu.

Estudo com jovens

O cientista político, conselheiro Fundação Konrad Adenauer, Humberto Dantas, também participou da mesa e discutiu os dados dos resultados do estudo feito a partir da iniciação política de um grupo de jovens, que vivem na periferia de São Paulo.  Segundo Dantas, a análise concluiu que não existe diferença de gêneros a respeito por gosto de política e por partidos políticos, por exemplo.

“É bem interessante, porque mostra que existe já de cara uma igualdade de gêneros no que diz respeito a sensações em relação à política. O que pode ser algo extremamente bom e positivo para um país, que espera , que estimula a participação feminina na política”, disse.

Baseado no estudo, ele apontou que “a exemplo do que alguns dizem e do que o senso comum pode pregar, em alguns ambientes extremamente machistas,    política não é coisa de homem e que a mulher pode ser candidata”.

Empoderamento

A segunda parte da mesa terminou com a advogada, represente das ASAS (Associação das Advogadas, Acadêmicas e Estagiárias de Direito de São Paulo), Rosana Chiavassa. Ela fez fortes observações em relação à sociedade, Para ela, a democracia no Brasil ainda está começando. “Que democracia é essa? Nós não temos direitos humanos respeitados. Nós  temos é uma falsidade no papel que nos fala,  que temos igualdade, que nós, mulheres,  somos iguais em todos os direitos. É uma grande mentira”, lamentou.

Rosana explicou que só com a liberdade profunda que podemos chegar ao feminismo profundo. “Tem que sair da obviedade. Vivemos uma existência robótica, todos nós e o momento é de vômitos sem reflexões. Vamos ser plantadores de um futuro melhor”, ressaltou.

Segundo a advogada, após analisar a democracia no Brasil, é possível concluir que muitos preferem à submissão a liberdade, “porque a liberdade nos obriga a tomar decisões.” Rosana ainda afirmou que nenhuma mulher será realmente dona de si e detentora de direitos,  se ela não tiver o poder de escolha.

Ela enfatizou que a democracia e o estado democrático de direito só irão existir quando encontramos a liberdade profunda, que trará a feminismo profundo, que é aquele que há conhecimento das mulheres, em que a elas terão autonomia.

“É isso que todas nós juntas, independentemente de partido , temos que começar a combater. Vamos nos unir pelas nossas filhas, pelas nossas netas, porque verdadeiramente não dá mais.

Vamos dar um salto no tempo, vamos tentar combater o machismo. Esse machismo enrustido que está nos nosso lares, que está nas nossas relações”, finalizou.