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“Em boca fechada não entra mosca”, por Lêda Tâmega

Foto: George Gianni/PSDB

Leda-Tamega-Foto-George-Gianni-.jpgEra comum ouvir meu pai, homem prudente e reservado, repetir essa expressão sempre que alguém exagerava ao emitir juízos ou críticas de modo impensado. Pois foi esse dito popular que me veio à mente quando li trechos da conversa que Lula teve com blogueiros amigos em seu instituto, na última quarta-feira.

 

Sentindo-se certamente acuado pelas péssimas referências ao seu nome e de familiares seus, que pipocam por todos os lados da panela de pressão da Lava Jato, e tendo esgotado, ao que parece, os últimos trunfos (alguns presos, outros investigados ou desacreditados) de que ainda dispunha para defendê-lo, alto e bom som, das suspeitas que desabam copiosamente sobre sua reputação, Lula resolveu, num assomo de ousadia e desespero, brandir a espada da fantasia e sair golpeando a torto e a direito, sem medir consequências.

 

Já é notória a habilidade do ex-presidente em usar seu pendor comunicativo para iludir, fraudar, lançar cortinas de fumaça para desviar o foco das questões que o incomodam, enfim para escamotear a verdade. Tudo isso sazonado com uma boa fanfarronada, ataques ferinos aos adversários, exaltação aos aliados, deboches e autopromoção, além de uma grossa pitada do confronto “nósXeles”.

 

Mas desta vez o Chefão perdeu as estribeiras. Levou a ousadia e a desfaçatez para além do domínio da simples fantasia e da megalomania, desgarrou-se do tênue fio de realidade em que ainda se equilibrava e mergulhou fundo no reino do delírio e da insanidade: “Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu”…”Pode ter igual, mas mais do que eu, duvido”. Perdeu totalmente a noção do ridículo. Expôs-se a chacotas e a todo o tipo de piadas e achincalhes nas redes sociais, foi alvo de artigos e comentários depreciativos estampados na grande mídia.

 

É triste ver-se a que ponto de decadência moral chegou um ser humano que, tendo conquistado o respeito, a confiança e o apoio da maioria de população para governar o país, meteu os pés pelas mãos, frustrou a esperança dos que nele acreditaram, desrespeitou a Constituição e afrontou o Estado Democrático de Direito.

 

A imperiosa necessidade que Lula tem de manter-se em evidência, seja para simplesmente alardear o que julga ser as suas virtudes e as de seu governo, seja para defender-se das críticas de  que é alvo, faz com que ele ignore totalmente os parâmetros do bom senso e do comedimento e enverede pelos veios da alienação até o paroxismo, como aconteceu esta semana.

 

Melhor seria que tivesse ficado de boca fechada, e teria evitado, assim, o ataque do enxame de moscas que foi obrigado a engolir.