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“Por um Brasil sem lulopetismo”, de Mariana Azambuja

Arquivo pessoal de Mariana de Azambuja Cardoso

 

Arquivo pessoal de Mariana de Azambuja Cardoso

Arquivo pessoal de Mariana de Azambuja Cardoso

Segundo o programa partidário do PT veiculado na última quinta-feira, o Brasil vai muito bem, obrigada. Somos governados por uma presidente absurdamente bem intencionada, que nem sempre acerta, mas está sempre tentando fazer o bem (só não se sabe a quem). A crise econômica é uma realidade passageira e insignificante se comparada ao cenário mundial (?!?), enquanto a crise política não passa de mera invenção golpista de uma oposição sem juízo, que quer tomar o poder e impor uma ditadura de coxinhas, com o apoio da elite branca (formada por 66% da população que apoia o impeachment, frise-se) e seus panelaços antidemocráticos.

Será que as pedaladas fiscais do ano passado entraram no rol das tentativas de fazer o bem que saíram pela culatra? E quanto às novas pedaladas, já neste exercício, será que Dilma insistiu no erro ou, teimosa, continuou achando que ia ser um ato magnânimo? No mais, estava a presidente querendo fazer o bem ou se dar bem ao usar mentiras, números maquiados e falsas promessas para se reeleger? E ainda, admitindo que Ricardo Pessoa falou a verdade em sua (homologada) delação premiada, desde quando usar dinheiro ilícito para financiar campanhas eleitorais é um ato eivado de boas intenções?

Me questiono, também, o que o partido governista considera uma crise passageira, tendo em vista que a expectativa do mercado é de que a economia comece a apresentar algum sinal de recuperação apenas em 2017, após dois anos em queda – o que representará o maior quadro de recessão no Brasil desde 1930. Fora que o programa petista foi ao ar no dia seguinte ao dólar alcançar R$3,425, maior cotação dos últimos 12 anos, bem como na véspera do anúncio de que a inflação de 2015, acumulada até julho, já ultrapassa o teto da meta anual de 6,5% – e pensar que a Dilma passou toda campanha jurando de pé junto que falar em recessão e na volta do fantasma da inflação era intriga do Aécio…

Inacreditável eles insistirem nas balelas das eleições, sustentando a existência de uma crise internacional imaginária (mas bastante oportuna) e fingindo haver uma estabilidade interna que não há, enquanto o custo de vida da população está cada vez mais alto e o desemprego em franca ascensão.

Ao contrário do que fazem crer, a culpa não vem lá de fora, mas da total e completa falta de capacidade da nossa presidente para estar no cargo que ocupa, o que se agrava com as mazelas populistas do lulopetismo.

É um desaforo o PT ir para a televisão se gabar que deu incentivos fiscais para estimular a saúde financeira das empresas e para facilitar a compra de bens de consumo no momento em que a conta da corrupção, da má gestão e da incompetência já caiu no colo da população, materializada no cenário recessivo e inflacionário que hoje vivemos, bem como refletida nas demissões que não param de crescer, sem qualquer expectativa de recolocação daqueles que perdem seu trabalho.

Se levarmos em conta que a vaca tossiu exatamente em cima do seguro desemprego, notamos que esse ciclo vicioso se torna ainda mais preocupante e delicado.

Nesse contexto, como o trabalhador que aproveitou a redução do IPI para comprar um carro novo e uma TV de LED vai fazer para honrar as 36 parcelas restantes do seu carnê de pagamento, diante do aumento da conta de luz, do combustível e dos alimentos – aumento que, obviamente, não se reflete nos salários? E se ele perder o emprego, então?

Indo um pouco além… Em tempos de ajuste fiscal, com que dinheiro o governo irá arcar com o Bolsa Família para essa nova turma de desempregados que está por vir? Se bem que investir em Bolsa Família significa investir nas eleições de 2018, logo com toda certeza vão dar um jeito de viabilizar essa empreitada.

Mexer no Mais Médicos está fora de questão uma vez que, importando os escravos cubanos, o Brasil dá uma forcinha para a ditadura de Fidel. Então, arrisco dizer, vão cortar ainda mais verba ou do Pronatec ou, mais provavelmente, do FIES – afinal, povo educado não cai nas ladainhas populistas que o PT conta e pátria educadora só vale a pena quando envolve doutrinação marxista nas escolas.

Enquanto isso, o estado permanece inchado. Os 39 ministérios intactos e, embora se fale em reforma, a única novidade que se teve notícia foi a possível nomeação de Lula como Ministro “de Qualquer Coisa Que Lhe Garanta o Foro Privilegiado”, antes que ele vá fazer companhia para o Zé Dirceu e tenha que dar palestras gratuitas para os presos em Curitiba na hora do banho de sol.

Por falar em José Dirceu… Vale lembrar que o ex-presidente do PT, coordenador da campanha presidencial de 2002, ex-Ministro da Casa Civil e homem de confiança de Lula foi novamente preso no início da semana passada, desta vez acusado de ser um dos mentores e responsável pela implantação do bilionário Petrolão, nos exatos moldes do esquema de desvio de verba pública apurado no Mensalão.

Ou seja, mesmo afastado do governo, condenado e preso, Dirceu seguiu incansável na missão de garantir a perpetuação do PT no poder, deixando os caixas do partido (e seu próprio bolso, segundo a Polícia Federal) cheios, de modo a garantir a lealdade da base aliada, bem como – ao que tudo indica – a efetividade das campanhas presidenciais dos candidatos petistas.

Mas, no programa partidário do PT, nenhuma palavra sobre ele… Nem sobre Vaccari, nem sobre Delúbio, nem sobre Genoíno, nem sobre corrupção. Nada. Nem um pedido de desculpas. Nem uma explicação. Nem um necessário mea culpa. Apenas o mundo encantado de João Santana que, em 2018, pode nos dar um novo susto se não nos precavermos desde agora.

Outra que parece estar fugindo da realidade e a presidente Dilma. Em discurso no dia seguinte ao programa petista, ela disse“a primeira característica de quem honra o voto que lhe deram é saber que é ele a fonte da minha legitimidade, e ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu”.

Com irrisórios 8% de aprovação do seu governo, apenas 10 meses após ser eleita com 51,64% dos votos, contando com 71% de rejeição e 66% da população torcendo pelo seu impeachment, será que a Dilma realmente acha que honrou os votos que recebeu, depois de uma campanha baseada em mentiras? Será que ela acredita que, se a eleição fosse hoje, seria novamente eleita? Diante de tamanha crise de legitimidade, só há uma saída para a presidente honrar os votos que lhe foram confiados: a renúncia.

Mas nem ela, nem o PT parecem acreditar que, protegidos pela chancela do voto popular, serão atingidos pela lei. Acredito que caso as contas apresentadas pelo governo federal sejam rejeitadas pelo TCU e, com isso, reste configurado crime de responsabilidade punível com o impeachment, ou ainda se o TSE impugnar a chapa do PT levando a cassação dos mandatos de Dilma e Temer por abuso de poder econômico, mesmo assim, eles irão repudiar e continuar dizendo que isso é obra da oposição golpista.

Deixem falar. O som das panelas não vai nos deixar ouvir. Porque a legitimidade vem do voto, mas o voto vem do povo e o povo vai lotar as ruas no próximo domingo, dia 16 de agosto, para deixar claro que nem Dilma, nem Lula, nem o PT nos representam mais.

*Mariana de Azambuja Cardoso é advogada, editora, colunista política da revista digital UN1DADE e vice-presidente do PSDB Mulher municipal/RJ.