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A projeção da mulher nos dias de hoje, por Dell Santos

377749_543797128987758_870388332_nCena de ontem, terça-feira, 27 de agosto, à noite: passo pela sala e me deparo com meu marido vendo televisão, assistindo ao Jô Soares sentado entre três mulheres a falar, bastante senhoras de si, sobre assuntos quase sempre atribuídos aos homens. Pergunto a ele: “O que é isso?” Ao que ele me responde: “Não sabe? São as Meninas do Jô.” Achei muito interessante, pois, sem menosprezar nem um pouco a genialidade de Jô Soares, o programa, ao invés de Meninas do Jô, poderia muito bem se chamar “O Jô das Meninas”, e acho mesmo que ele gostaria da sugestão. A genialidade do Jô foi, ao menos uma vez por semana em seu programa, nas terças-feiras, chamar essas meninas cinquentonas para praticamente tomar sua batuta de maestro, conduzindo com maestria o tão renomado talk show e mostrando que não é preciso perder “nem um pingo” da feminilidade para falar com tanta propriedade, tanta clareza, tanta articulação sobre assuntos que sempre foram muito mais caros aos homens do que às mulheres. O interessante é que elas falam verborragicamente, cortam umas às outras e ao Jô também, riem de forma efusiva, tudo se passa como se estivéssemos num grande salão de cabeleireiros, mas onde o assunto não é a permanente, a cor do esmalte, os quilos a perder, o assunto é, de fato, a política brasileira e outras esferas do conhecimento a ela relacionadas, como a economia, o saber jurídico y otras cositas más. Somos inevitavelmente levadas a achar que a política já não pertence àquela seara do conhecimento reservada aos homens. E parece que quase nada segue reservado aos homens. Falando no Jô não posso me esquecer da Oprah, que além de mulher é negra e que hoje é a mais renomada e popular apresentadora de talk shows nos Estados Unidos, uma das mais queridas personalidades lá, e talvez uma das maiores fortunas do mundo. O mundo mudou, quem antes era visto como o mais fraco dá mostras de que está aí para ficar, e coincidentemente ontem, dia em que se celebrou Martin Luther King, tive a felicidade de conhecer o quadro político feminino do Jô Soares.

Digo que a mudança está a todo vapor, pois vejo pelas ruas mulheres dirigindo táxis, conduzindo ônibus, fazendo coisas antes só feitas pelos homens e, o que é mais importante, vejo as mulheres indo e vindo, constantemente, o que é sinal de que já não ficamos em casa à espera do marido e nem esperamos, sentadas num sofá, o noivo ideal descer dos céus como o índio de Caetano Veloso. Não! Hoje vamos à luta! A mulher de hoje é proativa, guerreira, inquieta, e as próprias campanhas publicitárias já perceberam isso e mudaram a imagem da mulher nas propagandas. Ponto para nós! Vejam vocês que aonde quer que se vá vêem-se mais mulheres do que homens: nos ônibus, metrôs, coletivos, enfim. Estamos por aí, andando, batalhando, ganhando mundo, convencendo pessoas e mostrando que de fato existimos e não podemos ser preteridas.

A participação da mulher na política vem de tempos imemoriais, desde Cleópatra, passando por Joana D’Arc, pela rainha Vitória, Rosa Luxemburgo, Anne Frank, Olga Benário, Evita Perón, Indira Gandhi, Pagu, Benazir Bhutto, Margareth Thatcher e tantas outras, quer gostemos delas ou não. São mulheres que, para bem ou para mal, mudaram o curso da História. Provaram que à mulher não cabe apenas um lugar reservado no camarote dos fundos. A mulher está em cena, sobre o palco, a ela voltam-se os holofotes. E é assim que deve ser: sejamos protagonistas da vida, não apenas da vida privada, mas da vida pública também, sem medo dos erros nas falas das personagens que vestimos. Empolguemo-nos com exemplos de todos os campos, da literatura, das artes, da moda, das ciências, do esporte, fazendo com que Clarice

Lispector, Virginia Wolf, Simone de Beauvoir, Tarsila do Amaral, Sophia Loren, Coco Chanel, Marie Curie, Daiane dos Santos e tantas outras nos dêem o combustível precioso para nossa batalha.

Sempre tivemos, e isso é inegável, uma participação importantíssima na vida de um modo geral, e isso é quase sempre enfatizado quando vemos um filho ou uma filha agarrando o canudo da graduação e não se esquecendo de agradecer à boa comida e à casa organizada sem a qual ele ou ela não teria tido paz de espírito para estudar. Mas cansamos disso, cansamos de nos responsabilizar apenas pelos bastidores, apenas pela casa em ordem ou a comida bem feita. Agora somos nós que temos agarrado o canudo da graduação, não sendo difícil constatar que se formam mais mulheres do que homens. Falta haver mais mulheres entre as personalidades mais citadas, falta o salário da mulher se equiparar ao do homem, coisas que vêm com o tempo, mas que não podemos deixar que seja tanto tempo assim… De qualquer forma, fica para todas essa mensagem de orgulho, de tenacidade e de empolgação relacionada às mostras inequívocas de que temos, sim, aos poucos ganho o mundo. O amanhã será ainda mais justo e equânime do que o hoje.

Ânimo, amigas! Juntas faremos um Brasil melhor, um mundo melhor!

Dell Santos

Coordenadora de Eventos do Secretariado Municipal de Mulheres PSDB-SP.