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Eduardo Leite debate prévias, polarização política e o futuro do país em debate promovido pelo PSDB-Mulher

O Secretariado Nacional da Mulher/PSDB promoveu, na noite desta quarta-feira (2/6), o quarto debate da série de encontros com os postulantes às prévias que escolherão o candidato do PSDB à Presidência da República. Com o tema “Prévias, democracia e partido: para onde vamos? Conversa com os presidenciáveis”, a live trouxe como convidado o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB-RS).

Mediado pela presidente do PSDB-Mulher Nacional, Yeda Crusius, o debate foi transmitido pelo canal PSDB Brasileiras/PSDB-Mulher no Youtube e já conta com mais de 400 visualizações.

Ao iniciar a sua fala, Eduardo Leite classificou o processo de prévias como importante e saudável para a democracia interna do partido, além de ser uma forma de alinhar uma possível candidatura tucana ao sentimento das bases partidárias.

“O PSDB tem uma história bonita, importante, de contribuição em diversas regiões, diversos estados. Biografias diversificadas e, ao mesmo tempo, uma unidade de propósito. Que bom que a gente pode fazer esse debate de forma madura e consciente, e levar a possibilidade de decisão da nossa candidatura à Presidência da República para além dos gabinetes dos dirigentes partidários. Isso é saudável, fortalece o partido e acho que é muito bem-vindo”, disse.

Ele defendeu a proposta apresentada pela Comissão das Prévias que prevê a divisão dos votantes em quatro grupos, com peso unitário de 25% do total de votos. Vale lembrar que o PSDB-Mulher já reiterou o seu apoio ao voto universal, modelo que permite que todos os filiados e filiadas votem para escolher o candidato do partido à Presidência da República.

“Entendo que o modelo precisa contemplar a diversidade do país, porque não vai emergir desse processo de prévias um presidente do partido. Tem que emergir desse processo o candidato a presidente do Brasil, que precisa ser alguém entendido nacionalmente”, justificou.

“A distribuição em grupos que respeitam a representatividade que o partido tem em cada estado, em cada região, e ao mesmo tempo que chama os filiados como uma parcela significativa para essa decisão é uma fórmula adequada para respeitar tamanho de partido e, ao mesmo tempo, ter uma visão nacional, e não desequilibrada para um estado ou para região específica”, argumentou.

O tucano garantiu ainda que não há e nem haverá desrespeito e ataques, de sua parte, aos demais postulantes às prévias do PSDB.

“Tenho orgulho de estar nesse partido discutindo prévias com pessoas com essas biografias. A questão que temos que discutir é sobre o contexto eleitoral e qual candidatura consegue traduzir melhor esse sentimento que a gente percebe na população e dentro do próprio partido, e com muita humildade aceitar o resultado e encaminhar. Antes de tudo, de qualquer aspiração pessoal que qualquer um de nós tenha, está o nosso compromisso com o Brasil”, frisou.

Brasil precisa de um centroavante

Ao comentar o atual cenário de polarização política que promete ser acirrado com as eleições de 2022, Eduardo Leite destacou que ao invés de se focar em rivalidades, é preciso discutir propostas para o Brasil.

“Tem uma frase que eu gosto muito que diz que o maior segredo da mudança está em focar a energia em construir o novo, e não em destruir o velho. Nessa polarização que a gente está observando entre duas candidaturas, entre o que aí está e o que já foi, a gente perde muita energia em um querendo destruir o outro. O projeto passa a ser não a construção do novo, mas destruir o adversário, o inimigo. É muita energia desperdiçada”, avaliou.

“O Brasil precisa discutir o que a gente pode ser, o futuro. A gente não precisa decidir entre a esquerda e a direita, e não é a simples manutenção de um centro amorfo, sem forma, sem posição. O Brasil precisa de um centroavante, um centro para frente, que tem posição, que sabe o que quer sobre os diversos assuntos, mas que não deixa de respeitar quem pensa diferente”, apontou o tucano.

O governador do Rio Grande do Sul lembrou que o Brasil é um país com enorme potencial, com rica diversidade natural e cultural, além de capacidade de produção e disposição para capitanear a agenda mundial da sustentabilidade.

“A gente não precisa vender terreno na Lua, não precisa vender ilusões. Precisamos resgatar a confiança das pessoas nelas mesmas, e não em um mito, um salvador da pátria”, salientou.

“Não tenho nenhuma expectativa de querer ser eu quem resolve os problemas do Brasil sozinho. Não tenho vocação para ser mito, para salvador da pátria, e nem quero ser nada disso. Mas tenho, sim, a aspiração de poder liderar um projeto e pessoas que tenham o mesmo entendimento, o mesmo sentimento. E, principalmente, ajudar a despertar nas pessoas o sentimento de que elas podem mais”, afirmou Leite.

Ele lembrou ainda que é justamente nas candidaturas que hoje polarizam o Brasil entre extremas direita e esquerda que estão os maiores índices de rejeição.

“Tenho convicção absoluta de que, na hora certa, esse centro democrático vai crescer. O Brasil já sabe o que ele não quer”, pontuou.

Compromisso com a paridade

A presidente do PSDB-Mulher Nacional, Yeda Crusius, aproveitou o debate para falar sobre um dos pontos chave do Planejamento Estratégico feito pelo secretariado para os anos de 2021 e 2022, presente também na carta-compromisso que será entregue aos pré-candidatos do PSDB às prévias: o compromisso com a agenda 50/50.

“O PSDB é muito importante. Sempre foi, desde que nasceu, na Constituinte, em 1988. Ele veio como partido com um ideário, não uma ideologia. E tem buscado cumprir aquele ideário que está no seu nome: Partido da Social-Democracia Brasileira”, ressaltou ela.

“O Brasil precisa novamente ser transformado, e é aí que nós entramos: as mulheres. Hoje eles tentam calar as mulheres. As mulheres estão sendo de novo encantonadas para serem caladas, vide o que está acontecendo com as senadoras na CPI da Pandemia. A gente não tem que se calar”, constatou Yeda.

Perguntado sobre a possibilidade de investir em uma mulher como vice de uma eventual chapa à Presidência, Eduardo Leite lembrou que já teve uma tucana no posto quando administrou a cidade de Pelotas (RS): a hoje prefeita do município Paula Mascarenhas. Ele ressaltou ainda que cerca de 35% do primeiro escalão de seu governo no Rio Grande do Sul é composto por mulheres, sendo também a primeira gestão a ter uma secretária adjunta trans.

“Tenho toda a disposição e interesse de que a gente possa constituir uma candidatura, uma chapa, que tenha uma mulher. É claro que isso vai estar diante das situações de coligações, o que vai se montar, quem está disposto, disponível. Mas é algo que deve ser buscado. Pode até não acontecer, mas não pode deixar de ser buscado. Em um eventual governo também”, colocou.

Em busca de convergência

Um dos mais jovens gestores da história do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite destacou que um projeto de governo para o Brasil deve trabalhar em busca de convergência e na construção de consensos. Em sua opinião, o primeiro deles deve ser o aumento da taxa de crescimento do Brasil a longo prazo, e o compromisso com a geração de emprego e renda.

“Se a vacina para o Covid é a vacina do Butantan, é a vacina da Fiocruz, ou outras disponíveis no mercado, a vacina do pós-pandemia é o emprego. Todo o nosso foco e esforço precisa estar em aumentar a produtividade, retirar os obstáculos que travam o crescimento econômico para gerar emprego e renda”, assinalou.

“É uma tarefa que vai demandar reformas estruturantes. A reforma tributária, a reforma administrativa, privatizações, abertura comercial. Educação tem que estar no foco. Eu não consigo entender como um governo que se diz liberal despreza a educação como o governo que aí está”, lamentou ele.

Para o tucano, para recuperar sua posição de líder mundial, o Brasil precisa entender que no pilar de desenvolvimento para a economia também deve estar o respeito ao meio ambiente e à diversidade. O governo também deve se atentar para as desigualdades sociais e regionais, em especial no que diz respeito ao Nordeste brasileiro.

“Entendo que políticas mitigatórias dessas deficiências históricas são importantes. O Nordeste tem uma parcela maior da população que foi privada de acesso, durante muito tempo, ao ponto de partida, de uma educação com mais qualidade. Políticas de transferência de renda, como é o caso do Bolsa Família, são muito importantes. Mas você tem que acoplar a esses programas de transferência de renda estímulos para a preparação para o mercado de trabalho, de forma a ajudar a inserção dessas pessoas”, ponderou.

Investimentos em infraestrutura e logística também são fundamentais, de forma que a produção do Nordeste possa acessar os principais mercados consumidores do Brasil, do Mercosul e da América Latina como um todo, com custos reduzidos.

“Aí entram questões de obras de infraestrutura de portos, aeroportos e rodovias que reduzam o custo logístico. Vai ter que apostar muito em parcerias público-privadas, e um programa de ajuste fiscal que ajude o Estado brasileiro, o governo, a retomar a capacidade de investimento”, completou Eduardo Leite.