Artigos

“Nós por nós mesmas”, por Adriana Toledo

O discurso da senadora Kamala Harris, candidata a vice-presidência dos Estados Unidos pelo partido Democrata, foi inspirador. A congressista compõe a chapa de Joe Biden e é a primeira mulher negra candidata à Casa Branca em um dos principais partidos do país. Kamala é a cara do que queremos ver no mundo político. Defende igualdade, liberdade, garantia de direitos, de uma sociedade mais justa e boa para todas e todos.

Ela faz parte da nossa geração de mulheres, que tiveram que lutar desde o início, quando decidimos que queríamos mais do que nos oferecem. E para que ela chegasse nesse espaço e pudesse falar o que pensa, o que sente e o que quer para sua geração, reconhece como foi importante a luta de outras tantas mulheres que começaram a abrir esse caminho. E por isso, que ter uma mulher concorrendo a um cargo eletivo dessa grandiosidade é muito simbólico.

Se queremos colocar em pauta os nossos interesses, temos que chegar e ocupar os lugares de decisão. Esse ano é o momento ideal de continuarmos nesse caminho de mudanças, mas das boas mudanças. De lutar pelos direitos humanos, por aqueles que sofrem com a injustiça social e vivem à margem do que a Constituição lhes garante, como educação, saúde, emprego, segurança, lazer, e igualdade de oportunidades.

Como disse Kamala Harris, se pensarmos como as minorias estão sofrendo muito mais com a pandemia da Covid-19, vamos ver que alguma coisa precisa ser transformada. “E é o seguinte: podemos fazer melhor e merecer muito mais. Devemos eleger um presidente que trará algo diferente, algo melhor, e fará o trabalho importante. Um presidente que reunirá todos nós —negros, brancos, latinos, asiáticos, indígenas— para alcançar o futuro que queremos coletivamente”, afirmou.

Podemos trazer esse discurso para nossa realidade. Merecemos mais, merecemos ter candidatas que pensem por nós e para nós mulheres. Temos exemplos de sobra que competência, conhecimento e sensibilidade fazem parte do nosso trabalho. Não à toa as administrações femininas por todo o mundo deram os melhores resultados no combate ao coronavírus. Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial mostrou que as políticas adotadas por países governados por mulheres reduziram pela metade o número de mortes em relação a nações lideradas por homens. Podemos citar Angela Merkel, da Alemanha, Jacinda Ardern, da Nova Zelândia, Mette Frederiksen, da Dinamarca, Tsai Ing-wen, de Taiwan e Sanna Marin, da Finlândia.

Segundo o estudo, as mulheres são propensas a assumir um estilo mais democrático e participativo diferente dos homens. Pensam em poupar vidas, em tomar decisões com maior empatia, levando mais em conta a população dos seus países. Imaginem, então, se nos nossos Estados e municípios tivermos mais mulheres tomando decisões? E podemos ter isso ao nosso alcance, a partir do momento em que apoiarmos mais mulheres como candidatas e as elegermos.

O caminho nem sempre é fácil, mas é preciso percorrê-lo e não parar nossa trajetória. E que esse caminho sirva para as outras que virão depois de nós, filhas, netas e outras mulheres que precisarão lá na frente que tenhamos posicionamento agora.

Vamos construir a democracia com as nossas mãos, cuidando umas das outras. Lutamos pelo direito ao voto, e devemos lutar para votar em nós mesmas, para que ocupemos nossas cadeiras na política e chegar de fato à representatividade de mulheres nos espaços de poder.

Num mundo onde queremos ser ouvidas, não podemos aceitar mais que outros falem por nós. Precisamos ter nossa própria voz, sermos nós por nós mesmas.

* Pedagoga, especialista em Pedagogia Empresarial e Administração Pública. Membro do Secretariado Nacional do PSDB-Mulher e Vice Presidente do PSDB-Maceió.