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Programa Mulheres Inovadoras celebra resultados e o empreendedorismo feminino

Tantas vezes chamada pelo público de “o” Finep (na verdade, a Finep é mulher, uma financiadora), a empresa (maior instituição federal de fomento à trinca Ciência, Tecnologia e Inovação) criou um programa, ao lado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), destinado a acelerar startups lideradas por mulheres – o “Mulheres inovadoras”. Foram classificadas 21 companhias para uma fase de mentoria, coaching e incremento de planos de negócio, que acaba de ser encerrada. Cinco delas ganharão prêmio de R$ 100 mil.

Na última sexta (26), um evento online com as líderes das 21 companhias selecionadas, mentores da Finep e parceiros do programa celebrou a importância dessa iniciativa, especialmente, dedicada ao público feminino. Ao todo, houve a submissão de 223 propostas em todo o Brasil.

Importante destacar que a demanda para o edital foi bastante qualificada, com altíssima nota de corte (14 pontos em um máximo de 15). Houve empate entre duas empresas na última colocação, o que justifica a classificação de uma startup a mais do que estava previsto no edital.

O encontro remoto realizado na sexta foi todo dedicado à interação entre as empreendedoras e, como não poderia deixar de ser, contou com depoimentos, alguns bastante emocionados, sobre o processo. De acordo com o Boston Consulting Groups, Startups fundadas por mulheres recebem muito menos investimento que as criadas por homens. Ainda assim, as empresas lideradas por elas dão um retorno maior em receita no longo prazo do que as comandadas por eles.

Ou seja, o edital da Finep visa promover uma virada no fomento ao empreendedorismo feminino e a partir de um dado objetivo sem contestação: as mulheres são maioria no Brasil. Mariana Taragano, analista da Finep, abriu o evento sinalizando que a iniciativa representa um ponto de virada para a própria financiadora:

“Quero agradecer a confiança de todas. Tudo começou aos poucos e tocado por muitos homens, o que mostra que temos de avançar para contrabalançar as coisas – já que o nosso operacional ainda é muito masculino. Quero agradecer então também aos meninos que se envolveram e peço, de coração: sigamos buscando iniciativas assim.”

Empreendedorismo feminino significa equilibrar vontade, falta de confiança em meio a uma cultura que ainda privilegia homens e, em muitos casos, maternidade. Todas as falas exaltaram a importância da mentoria encabeçada pelos analistas da Finep, que mergulharam profundamente nos 21 negócios que disputam os cinco prêmios de R$ 100 mil.

A startup Fofuuu, por exemplo – uma das candidatas – surgiu a partir da experiência de uma de suas sócias, Tricia Araujo, que nasceu com lábio leporino. Ela conta que durante a infância passou por 15 cirurgias e fez sete anos de terapia fonoaudiológica para que sua fala fosse compreendida por todos.

Tricia lembrou que essa experiência a incentivou, junto com os sócios, a criar um negócio que ajudasse crianças a enfrentarem os desafios do tratamento de forma mais lúdica e divertida. “Com a mentoria, tive de vencer meus medos, por exemplo, de falar em público, além de perceber que é muito importante um toque profissional de quem olha o nosso negócio de fora”, disse.

A emoção marcou o tom da fala da executiva Silvia Azevedo, diretoria da Fit (Fine Instrument Technology). A companhia desenvolve e fabrica equipamentos e soluções utilizando Ressonância Magnética Nuclear. O foco é nas análises de qualidade e controle de processos para os mercados agro, industrias de alimentos, polímeros, têxtil, biodiesel, petróleo e etc.

De acordo com a executiva, sua maior vantagem em relação aos métodos concorrentes é a precisão, pois atua diretamente nos núcleos de toda a amostra analisada, com resultados muito rápidos (em segundos). Não é radioativo nem destrutivo. É seguro e de simples operação.

“Temos que agradecer muito. Fico mesmo emocionada. São 20 anos de empreendedorismo, vejo como algo difícil enxergar oportunidades assim no Brasil. Empreendo com tecnologias complexas e as pessoas não abrem tanto espaço para as mulheres, é um dado real”, disse.

A opinião foi compartilhada por Carolina Augusta, da Boomit, plataforma de treinamento para empreendedores. Os treinamentos trabalham os aspectos técnicos e comportamentais do empreender e o aluno aplica 100% em seu negócio ou futuro negócio. Já com experiência, portanto, em mentoria, ela louvou a ação da equipe de profissionais da Finep.

“Só posso agradecer pelos ensinamentos. Um dos grandes divisores foi poder olhar para dentro, ajudando a entender as vantagens competitivas. O mentor tem o papel de dizer ‘minha filha, acorda’ e assim foi feito”, avaliou. Dana Meschede, da Dana, empresa do setor agro, completou afirmando que passou da hora de as mulheres vencerem os ambientes corporativos que as classificam apenas como parte dos setores de cosmético e de culinária. “Todas vocês são maravilhosas. Obrigado, Finep e sigamos na luta”.

A Banca Avaliadora do Mulheres Inovadoras será de 14 a 16 de julho, de 14h às 18h. Terá a participação de 12 mulheres, sendo duas da Finep e o restante dos parceiros e apoiadores do Programa, que conta com o apoio da Adesampa, da RME – Rede Mulher Empreendedora e do Founder Institute.

Fonte: Finep