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“A falta de uma boa educação”, análise do ITV

Escola Estadual Pedro Álvares Cabral. Alunos em sala de aula.
Escola Estadual Pedro Álvares Cabral. Alunos em sala de aula.

Escola Estadual Pedro Álvares Cabral. Alunos em sala de aula.

A cada dois anos, o país se vê face a face com as condições da educação oferecida por nossas escolas de ensino básico. A cada dois anos, a constatação tem se repetido: o país ainda tem um longo caminho na missão de entregar às crianças e aos jovens o saber necessário para que alcem voos mais altos e para que o Brasil responda aos desafios de um mundo mais competitivo.

As notas do Ideb foram divulgadas no final da semana passada. Referem-se, nesta rodada, às avaliações feitas em 2015. Aferem o desempenho dos alunos em provas de matemática e português e a dinâmica de indicadores relativos a reprovação e abandono ao longo dos 12 anos do ensino básico (fundamental e médio).

Nesta edição, o que mais chamou atenção foi o resultado do ensino médio, que ficou mais distante das metas estabelecidas tanto no setor público como no privado. A nota global manteve-se no mesmo lugar onde está estacionada desde 2011; em dez anos, avançou apenas 0,3 ponto, para os atuais 3,7 pontos. No recorte por Estados, entre avanços e retrocessos dos índices, 20 das 27 unidades da Federação melhoraram as notas na rede pública, mas apenas Amazonas e Pernambuco conseguiram cumprir as metas.

Nos detalhes, os resultados revelam-se ainda mais preocupantes. No ensino médio, a nota das provas de matemática cai há três edições do Ideb: para uma meta de 320 pontos, os alunos só alcançaram 267 nesta rodada. Em português, para meta de 300 pontos, a nota coincidentemente também foi de 267.

O atraso que explode no ensino médio é reflexo também dos problemas nos anos finais do fundamental. Nesta fase, a meta tampouco foi batida, como já ocorrera em 2013. Embora venha melhorando, o desempenho avança mais lentamente do que o desejado. Em dez anos, o Ideb dos anos finais do fundamental (6º ao 9º) subiu apenas 1 ponto, abaixo do avanço de 1,7 ponto registrado nos anos iniciais (1º ao 5º) – nesse ciclo de ensino, pelo menos, o Brasil tem conseguido superar as metas.

Especialistas em educação e o próprio MEC não têm dúvidas quanto às iniciativas necessárias para começar, mesmo tardiamente, a enfrentar o problema. A primeira delas é reformar o currículo. O instrumento pode ser projeto de lei (n° 6.840/13) que já tramita no Congresso a respeito, enxugando os conteúdos e associando interesses profissionais futuros dos alunos a disciplinas mais específicas no ensino médio.

Experiências bem-sucedidas país afora também podem iluminar novas práticas. De Pernambuco, por exemplo, vêm os bons resultados da expansão do ensino integral e do Ceará o sucesso das escolas de ensino fundamental, com incentivos, inclusive, fiscais – 46 das 50 melhores escolas públicas do país nesta fase de aprendizagem estão no estado.

A radiografia que emerge do Ideb atesta que a educação precisa ser mais bem tratada em todos os níveis de governo. São anos patinando – nada muito surpreendente quando se constata que o MEC teve nada menos que sete diferentes ministros na era petista. Para um partido que até ontem se vangloriava de adotar o slogan “pátria educadora”, a reprovação é absoluta.