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“Marias e Luizas, o mesmo drama”,por Solange Jurema

Foto: Tercio Carpello/ASCOM PSDB-AL

Foto: Tercio Carpello/ASCOM PSDB-AL

Espantou a muitos setores da sociedade brasileira, com razão, a agressão sofrida pela ex-modelo Luiza Brunet, por seu atual marido, um empresário da área de comunicação.

Surpreendeu pela coragem, pelo compromisso dela com a campanha que participa – de combate a agressão à mulher – mas em certo sentido, não trouxe nenhuma novidade ao trágico quadro vivido pelas brasileiras, agredidas diariamente neste imenso país.

Afinal, diariamente pelo menos trezes mulheres são mortas, uma a cada duas horas! Ou a cada sete minutos, uma é agredida! Luiza, assim como milhares de Marias, são vítimas da violência masculina.

As estatísticas comprovam que a agressão a mulheres não são privilégio desta ou aquela classe social. Da casa mais luxuosa ao lar mais humilde, as agressões se repetem sem uma resposta imediata, seja do aparato policial preventivo ou da própria ação da Justiça.

Naturalmente, o caso de uma ex-modelo, atriz de novela, com um milionário torna-se mais interessante para a mídia, mas como disse não se difere da triste realidade da mulher-vítima no país, embora não se enquadre no perfil padrão de agredida, a mulher negra pobre.

De resto, enquadra-se na perversa estatística de que 86% das denunciantes – aquelas com coragem de enfrentar a situação – que sofrem a agressão em ambiente doméstico por algum ente familiar, notadamente marido ou ex-marido.

As estatísticas só envergonham o Brasil, que ocupa o 5º lugar no ranking mundial da violência contra a mulher e que somente em 2015, segundo a Central de Atendimento à Mulher, registrou cerca de 725 mil denúncias de agressões.  Estão fora desses registros aqueles casos em que a mulher aparece em uma unidade hospitalar e diz que caiu da escada, por medo do seu companheiro ou de comprometê-lo.

Mas existem boas novas neste mundo sombrio. Em todo o país começam a surgir um trabalho encoberto numa estranha sigla de letras, os Nafavd (Núcleo de Atendimento a Vítimas e Autores de Violência Doméstica), voltadas para os autores de violência contra mulheres.

No Brasil estão funcionando pelo menos 25 destes centros, no Distrito Federal e em mais oito estados, que procuram trabalhar a responsabilidade do agressor. A Justiça, inclusive, está determinando que os homens agressores frequentem esses grupos como medida socioeducativa, punição prevista na Lei Maria da Penha.

Embora ainda incipiente no país – dada à sua dimensão continental e à barbárie cometida diariamente  contra as mulheres – esses grupos de reflexão impostos aos agressores são um sintoma de que a sociedade, e mais ainda o Estado brasileiro, começam a engatinhar no sentido de encontrar meios alternativos de conscientizar os homens.

*Solange Jurema é presidente do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB