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Em mais uma derrota, Comissão do Impeachment rejeita pedido de defesa de Dilma sobre gravações de Machado

dilma-adeus-300x194Brasília (DF) – A Comissão Especial do Impeachment negou novamente, nesta segunda-feira (20), o novo pedido de inclusão das gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado ao processo contra a presidente afastada, Dilma Rousseff. O relator do processo, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), indeferiu o pedido por considerar que ele é estranho aos pontos analisados na denúncia. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, já havia negado um recurso neste sentido, alegando que os áudios estavam sob sigilo da Justiça.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo desta terça (21), o pedido foi feito pela defesa da petista sob a alegação de que os diálogos sustentam a tese de que a aceitação do impeachment surgiu de uma articulação para barrar o avanço da Operação Lava Jato, o que comprovaria que houve desvio de finalidade na origem do processo. A defesa de Dilma disse que vai recorrer ao presidente do Supremo contra essa decisão.

Para o deputado federal Miguel Haddad (PSDB-SP), a petista cria, de todas as formas, factoides para tentar alegar que o impeachment foi um “golpe”. “A verdade é que o que motivou o impeachment, em primeiro lugar, foram as pedaladas. Depois, vieram a questão da má gestão, da incompetência, os problemas relacionados à economia, o desemprego. Esta é apenas mais uma tentativa da defesa de Dilma que cai por terra quando é novamente negada”, afirmou.

O tucano criticou também o argumento da defesa de que há uma articulação para impedir o prosseguimento da Lava Jato. “Isso é impensável. Imaginar que se possa, hoje, por meio de qualquer artifício ou mecanismo, barrar a Lava Jato é absurdo. Não há como fazer isso. A Lava Jato é a Justiça, é o Ministério Público, é a Polícia Federal e a própria população que está acompanhando tudo isso”, avaliou.

Insegurança

De acordo com a reportagem, o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Presidência da República, Moreira Franco, afirmou ontem (20) que o processo de impeachment “se alonga além do necessário”. Segundo ele, que é um dos mais próximos aliados de Temer, o fato de o país ter “dois presidentes da República” causa “insegurança e instabilidade”.

“Nesse ambiente em que estamos, vivendo a maior crise econômica da nossa história, é um fator de profunda insegurança e instabilidade se conviver com dois presidentes da República. Acredito que no mundo só existam dois Estados com dois chefes comandando: o Brasil e o Vaticano, sendo que no Vaticano os dois rezam juntos e, no Brasil, não, eles disputam sua permanência (no governo)”, disse o secretário na abertura de seminário na Fundação Getúlio Vargas (FGV)”, disse.