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“Estupro, desrespeito, falta de amor, e qualquer tipo de violência!”, por Eliana Rodrigues

Eliana-Rodrigues-violencia-ENEMO repúdio não é só pelo caso ocorrido no Rio de Janeiro ou pela vítima do Piauí, mas por todas as mulheres que precisam sair de casa cedo e pegar ônibus antes mesmo de amanhecer. Por todas que saem olhando para o lado da porta do mercado até chegar ao carro com medo de serem abordadas; por nós que não saímos à noite “sozinhas”, porque mesmo estando com cinco amigas, somos consideradas sozinhas, uma vez que, quando não há um homem junto e, com isso, o pensamento machista impera: de que mulher sem homem é mulher sozinha. O repúdio e a revolta são contra esse medo.

Em Mato Grosso do Sul, estado que amo e represento como presidente do PSDB-Mulher, de janeiro até agora foram registrados 479 casos de estupro. Nosso Estado queé tão longe do Rio de Janeiro, nossa realidade tão diferente. Não temos baile funk, como se isso fosse desculpa para estuprar uma pessoa, não temos praia e mulheres de biquínina rua, outro motivo que usam para uma suposta desculpa em aceitar o fato, mas temos muitas sofrendo essa violação. Seus direitos de ir e vir são aviltados, sua identidade visual, seu jeito de vestir e falar, e o que é pior, violam os seus corpos. Todos têm liberdade e responsabilidade sobre o seu corpo, homens e mulheres, gays e héteros.

Para combater o assédio, tem de se perpetuar o respeito e implantar a cultura da paz e não violência. Cabe lembrar que em Campo Grande, foram 127 casos de estupro só neste ano, entre 1º de janeiro e 28 de maio, número esse que aumenta em horas. Muito se fala em sociedade, mas nós somos a sociedade e depende de cada um mudar essa realidade. Depende dos pais que diferenciam brincadeira de menino e brincadeira de menina, da mãe que não deixa o filho lavar a louça porque é homem e do pai que não deixa a filha andar de skate porque é coisa de menino.

Vamos educar nossos meninos para nos respeitarem e nossas meninas para exigir respeito. Temos essa missão de mudar; não basta lamentar e revoltar. Temos de agir e mudar. A diferença de sexo não está nos direitos e deveres.

Nosso papel na sociedade não é julgar, nosso papel é orientar.

Jovens, crianças, adultos e idosos todos têm de respeitar uns aos outros. Mulheres são vítimas de violência o tempo todo. Só nesses primeiros meses foram 2908 casos de violência doméstica em MS, sendo 965 na Capital. Essa estatística tem de ser mudada!

É imperiosa a mudança! A sociedade está a exigi-la.

Sou contra o estupro, o desrespeito, a falta de amor com o próximo e, principalmente, contra todo e qualquer tipo de violência!

* Eliana Rodrigues é presidente do PSDB-Mulher MS