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Legislação e marketing político encerram curso de capacitação PSDB-Mulher/Konrad Adenauer

Yeda e a deputada Elisabeth Winkelmeier-BeckerBrasília (DF) – O segundo e último dia do curso de capacitação para pré-candidatas a prefeita oferecido pelo PSDB Mulher e pela Fundação Konrad Adenauer, começou no horário combinado, com um auditório repleto de tucanas cheias de dúvidas que precisam ser respondidas agora, já que a legislação eleitoral mudou.

A manhã foi inteiramente dedicada a um raio-X da nova legislação eleitoral, marketing digital e político e uma análise do novo eleitorado que estará indo às urnas em outubro.

Apesar da extensão do tema o cronograma foi mantido, na moderação da mesa redonda e da palestra estava Thelma de Oliveira, vice-presidente do PSDB Mulher Nacional e pré-candidata a prefeita de Chapada dos Guimaraes (MT), sempre com um sorriso nos lábios e muita firmeza, ela manteve o controle.

1ª Mesa Redonda: Legislação Eleitoral para Eleições 2016

Dr. Flavio Henrique

Dr. Flavio Henrique

Dr. Flavio Henrique C.Pereira, advogado do diretório do PSDB-Nacional, falou sobre as condições necessárias para a elegibilidade, as questões de gênero dentro da legislação eleitoral e as condições de inelegibilidade previstas na Constituição e no Código Eleitoral Brasileiro. Ficou a cargo de o primeiro palestrante dar as tucanas um quadro geral das providências necessárias para um ingresso tranquilo na vida pública.

Dr. Gustavo Kanffer, advogado do diretório do PSDB-Nacional, começa dizendo que a legislação deste ano é mais restritiva e são necessários cuidados maiores, quanto à limpeza nos locais de convenção, por exemplo. Hoje é possível dar entrevistas, divulgar plataformas de campanha, fazer promoção pessoal, falar sobre tudo, só não pode pedir voto ou dizer que é candidata. Essa atividade pode ser feita, inclusive, por meio das redes sociais. A partir da data permitida por lei, é possível fazer propaganda eleitoral por meio das redes sociais desde que não seja por meio de empresas ou robôs. Nada de computação gráfica e externas só em casos bem específicos.

Dr. Afonso Assis Ribeiro, últimos dos advogados do diretório do PSDB-Nacional, especialista em arrecadação de campanhas, avisa que a crise econômica e política e afugentou os financiadores. “Esse será o ano da campanha sola-de-sapato”: muito contato pessoal, muita caminhada, muito porta-a-porta. Em seguida ele fez uma breve explanação sobre o que é possível ou não fazer.

plateiaDr. Afonso alertou sobre a necessidade de fazer uma prestação de contas correta e segura. Até o dia 9 de setembro é preciso fazer uma prestação parcial, hoje é possível fazer uma prestação de contas simplificada, para as candidatas que gastarem até R$ 20 mil, pode ser que, a prestação final não alcance este valor e a prestação parcial cubra tudo. É importante contratar um contador e ficar segura. “Por favor, tomem cuidado com o caixa dois, não cedam a essa tentação”.

“Na questão do Fundo Partidário, existe uma previsão legal de recursos a serem utilizados exclusivamente para o segmento feminino, que deve ser discutida diretamente com o partido e, caso seja usada, deve ser administrada através de conta exclusiva por cada candidata”, Dr.Afonso Assis Ribeiro.

Palestra: Eleições 2016: Gestão de Campanha Política e Novas Formas de Financiamento

Marcos Antônio GabanDr.Marcos Antônio Gaban Monteiro – Advogado, especialista em Direito Público e Financeiro, falou sobre as diversas etapas de uma campanha, desde seus atos preparatórios. Com uma palestra bastante objetiva, Dr. Antônio deu uma boa noção às tucanas sobre o limite de gastos de campanha em variadas cidades, sugerindo que as pré-candidatas definam o quanto antes os gastos que pretendem assumir, para evitar surpresas.

“Tenham muito cuidado com fontes vedadas: são elas as pessoas jurídicas; de origem estrangeiras e pessoas físicas que exerçam atividade comercial decorrente de concessão ou permissão pública, ou seja, os pipoqueiros, o vendedor de churros, o amigo da banca de jornal e atividades parecidas, nenhum deles pode contribuir com dinheiro para a campanha de vocês”: Marcos Antônio Gaban Monteiro. “Em compensação, você pode doar até 100% para você, assim como o partido”. Com a debandada dos financiadores, Dr. Gaban concorda que esta será a campanha dos 3 “S”: sola, sapato e saliva.

Após os dois primeiros eventos foi aberto debate entre as pré-candidatas e os advogados, para que dúvidas específicas pudessem ser sanadas.
2ª Mesa Redonda: Estratégias de Comunicação e Utilização das Redes Sociais

Camila Braga, Marina Caetano e Gil Castilho

Camila Braga, Marina Caetano e Gil Castilho

* Gil Castilho, publicitária, consultora política nas áreas de Marketing e Planejamento/ presidente da ALACOP/ diretora da ICP, que acaba de ganhar o Victory Award 2016, concedido às vinte mulheres mais importantes do mundo em marketing político, iniciou com um vídeo produzido pela Elle mostrando, em segundos, quão poucas somos nos espaços de poder, ainda, em todo o mundo.

“Técnicas e ferramentas de campanha precisam ser iguais para homens e mulheres, já conteúdos precisam ser diferentes”, diz Gil, que lembra que a classe política está vivendo o menor nível de avaliação de credibilidade em diversas partes do planeta.

“Marketing eleitoral é mecanismo de ativação das tendências latentes”: Pau Lazarsfeld, o que significa entender a cabeça do eleitorado, explica Gil, que mostra que sem esse cuidado, as peças políticas podem ficar vazias, como ele demonstra com brilhantismo, em um vídeo hilariante, que mostra bem a razão de sua premiação.

“Política é o que se faz entre duas eleições”: Elysio Pires, já na fase das campanhas eleitorais precisamos entender o que o eleitor quer e precisa. É preciso chegar ao coração do eleitor, compreendendo qual é o humor e o sentimento do eleitorado, o voto não é racional, diz Gil.

Durante todo esse processo de campanha existem leis que trabalharão contra vocês:

1 – Lei da Indiferença: O IBOPE diz que nessa época do ano, quase 70% das pessoas tem pouco ou nenhum interesse, 20% têm algum e 10% tem interesse. Numa situação normal, eleitores indiferentes/indecisos são minoria. Administrar uma eleição é a gestão do “indiferente”. A opinião pública está no centro, é silenciosa e representa a maioria.

2 – Lei da Procrastinação: No dia da votação, 15% não havia escolhido em quem votar para presidente e quase 45% ainda não havia escolhido seu candidato para o Legislativo. Portanto a dica é gerir com cuidado seu material de campanha, não entregar tudo logo no início, para chegar à reta final com o que entregar aos indecisos. Intensificar a campanha nos últimos dias.

3 – Lei da Efemeridade: Quanto vale um voto? O eleitor precisa de atenção, de um olhar sério e de projetos que resolvam de fato a sua vida. Pesquisas mostram a oscilação do humor do eleitorado durante a campanha. Hoje o sentimento do eleitor é de raiva. Não se deve esperar dele fidelidade/constância. Não existe voto de gratidão e sim de esperança.

“Em outros tempos a Política eram ideias, hoje são pessoas”, diz Gil Castilho. “As relações se criam através de muitas interações, através de um longo tempo, comecem o mais cedo possível”.

10 Dicas da Gil

Não terceirize o papel o papel de líder

Cuidado ao falar em público

Importante entender e despertar a emoção no eleitorado

Escolha sempre com cuidado seus assessores mais próximos

Não compartilhe com todo mundo as informações estratégicas de campanha

Não supervalorize nem menospreze seus concorrentes

Cuidado com o “já ganhou”, mas não permita que a moral da equipe fique baixa.

O Candidato é a mensagem

Organização é tudo

 

*Camila Braga, especialista em mídias sociais e desempenho na Gazeta do Povo, começou falando um pouco de sua experiência com a Prefeitura de Curitiba e conta como a equipe em que trabalhou lá produziu uma página que fez tanto sucesso que acabou virando “case”.

A palestrante mostrou para a plateia a importância das redes com números. Atualmente existem 96 milhões de usuários mensalmente ativos no Brasil, 67 milhões deles diariamente ativos, cinco perfis são criados a cada segundo no Facebook. Esse é um universo que as campanhas políticas não podem ignorar, pelo contrário, o futuro do marketing político está nas redes.

“As pessoas querem interação, querem saber quem é você de verdade. É preciso ter debate, saber sobre o que as pessoas estão falando. Evite perfis falsos. Se você não consegue responder a todas as mensagens em todas as redes, escolha apenas uma”, Camila Braga.

Após as duas palestras foi aberto espaço para debate, com moderação de Marina Caetano – Coordenadora de Projetos da

3ª Mesa Redonda: Democracia e o novo eleitorado para as eleições de 2016

Nancy Thame, Humberto Dantas e Fátima Jordão

Nancy Thame, Humberto Dantas e Fátima Jordão

* Fátima Jordão – Socióloga, especialista em pesquisas. Histórico de construção das políticas de gênero no Brasil. É conselheira do Instituto Patrícia Galvão comenta a qualidade dos expositores e das próprias pré-candidatas. “Os eleitores e, sobretudo as eleitoras estão muito empoderadas de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Tenham certeza de que a grande maioria de vocês será eleita em função do momento pelo qual passa o país”.

Para Fátima, o impeachment legal, parlamentar, que respeitou todos os trâmites constitucionais, vai desaguar nas eleições de 2016 em que haverá um rearranjo partidário. De maneira inédita haverá uma consciência muito clara do eleitorado em 2018.

A socióloga e pesquisadora considera que a tendência é que haja uma reivindicação cada vez maior por antecipação das eleições de 2018.

“Olhem nas suas campanhas e discursos com seu eleitor, não se ele é pobre, se tem escolaridade ou capacidade, mas se ele tem um conjunto de informações que possa enxergar em vocês uma porta de mudanças que resolva seus problemas”: Fátima Jordão.

* Humberto Dantas, cientista político, professor do INSPER e coordenador de pós-graduação na FESSP, comenta o processo de auto-organização social da sociedade brasileira de 2013 para cá. Movimentos assim começam atingindo determinados setores da sociedade e se tornam uma nova maneira de se pensar política.

“Por mais que as pessoas estejam se distanciando da politica ou sentindo-se distanciada da política, estejam certas de que essas pessoas irão se aproximar dela”: Humberto Dantas

”Não é o jovem que não quer saber da política, é essa política tradicional que ainda não sabe como se comunicar com esse jovem”

Nossa democracia está em crise, mostra o palestrante. O Ibope faz anualmente pesquisas de confiança da população nas instituições. Em 2015, o governo municipal alcançou 33%,nosso sistema eleitoral, 33%, o governo federal, 30%, presidente da República, 22%, Congresso Nacional, 22% e partidos políticos, 17%, todos obtiveram os piores índices de confiança nas instituições. Nunca esses itens foram todos os piores avaliados no país, entre os brasileiros. Como construir esses valores?

“Temos 35% a mais de votos brancos e 47% a mais de votos nulos em 2014 do que em 2010, como vencer essa crise de confiança? Quem são esses sujeitos que desse sistema de representação?”, Humberto Dantas

O cientista político alertou que, para completar o quadro já complexo, ainda teremos parte da reforma política de 2013, parte da reforma do primeiro semestre de 2015 e parte das interpretações e das decisões do TSE e do STF. Vamos ficar apenas com o tempo de campanha e dinheiro considerado lícito nas campanhas.

As empresas estão fora. Vamos aprender a fazer campanha com pouco dinheiro nas grandes cidades ou veremos o uso eterno da máquina pública? Como fica a mulher nessa história?

Precisaremos envolver mais as mulheres na política e nos partidos em condições mínimas de igualdade. O problema não está na cabeça do eleitor e sim nas estruturas partidárias.

Em seguida Nancy Thame, presidente do PSDB-Mulher Estadual de São Paulo e conselheira da KAS abriu debate para as últimas perguntas do curso.

Questionada sobre se o impeachment de Dilma havia ocorrido por ela ser mulher, Fátima Jordão respondeu que está havendo um viés machista nesse tipo de posicionamento, que não ocorreu quando Collor ou Nixon sofreram afastamento.

Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Michele Bachelet estão sendo afastadas ou julgadas pela opinião pública ou pela Justiça por questões que passam longe do gênero, machistas são as colocações de quem as defende. Esses argumentos sequer foram colocados no caso de Collor, ninguém disse que ele estava sendo afastado por ser homem.

Em seguida ao debate, Jimmy Rocha lançou o site Tucanas em Rede que ainda será mostrado a todos em matéria própria e Solange Jurema desejou boa sorte a todas nas eleições de outubro e um almoço animado encerrou o curso.