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Entrevista: Kátia Albuquerque, uma pré-candidata a vereadora incansável na defesa das mulheres de Maricá

Katia Albuquerque 1A pré-candidata a vereadora Katia Albuquerque é feminista de carteirinha e uma mulher bastante ocupada. Secretária no PSDB Mulher de Maricá, Coordenadora de Formação e Diretora Executiva na empresa UBM Maricá / Mulheres Por Maricá e Co-Fundadora/Coordenadora na empresa Mulheres Por Maricá, a moça milita na defesa dos animais e é ambientalista convicta. Conheça-a um pouco mais.

1) Qual a importância do trabalho de uma mulher numa Câmara dos Vereadores?

Katia Albuquerque – Sendo uma representante da sociedade, mulher e militante da causa feminina há aproximadamente 4 anos, além de militar nas causas Animal e Ambiental, terei a obrigação de elaborar leis que tragam contribuições efetivas à vida de todos e, mais especialmente, para as mulheres de minha cidade, já tão sofridas pela falta das mesmas. Zelarei pelo cumprimento de políticas públicas de cidadania – saúde, educação, segurança, moradia – e promoverei outras que sejam, da mesma forma, necessárias.

2) A senhora sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher?

Katia Albuquerque – Sim, diversas vezes, principalmente no trânsito, onde já mandaram-me “pilotar fogão ou tanque de roupas” muitas vezes(rsrs). E, como boa feminista que sou, decreto que lugar de mulher é onde ela quiser estar!(rsrs)

3) Quais os projetos, ações que a senhora julga importante para melhorar a qualidade de vida das mulheres de seu município?

Katia Albuquerque – Bem, como futura representante da população na câmara Municipal de Maricá, terei como foco zelar pelo cumprimento efetivo das políticas públicas femininas e de cidadania existentes no município, e promover outras, tais como campanhas pela saúde da mulher e seus filhos; na Educação, promover o acesso desta ao curso de formação básica de Jovens e Adultos, com ênfase em profissionalização; garantir mais ofertas de vagas em creches e escolas para seus filhos, para que esta mulher tenha a tranquilidade para trabalhar; na Segurança, atendimento humanizado nas delegacias para as vítimas de violência, propondo a instalação de NUAMs – Núcleo de Atendimento À Mulher e, para casos mais extremos, a criação de uma casa de acolhimento, onde a vítima é abrigada, longe e sem qualquer divulgação de seu paradeiro; em Moradia, incentivar instrumentos que facilitem o acesso à casa própria.

Ambientalista convicta

Sou também militante pela causa ambiental, participando de manifestações de rua em defesa de Jaconé e integrando ação civil pública contra um porto na mesma localidade, na cidade de Maricá, com vitória até o momento. Pela causa animal, onde consegui impedir a realização de um rodeio na cidade, no ano de 2015. É de conhecimento de todos o quanto há de crueldade nessa prática e atualmente, integro uma ação de obrigação de fazer contra a Prefeitura de Maricá, já que sua Secretaria de Proteção Animal foi constituída há mais de 1 ano, e nem campanha de vacinação básica, realizou. Uma grande decepção para nós, que tanto aguardávamos um trabalho desse porte, devido ao grande número de animais de rua. Isso é preocupante, pois trata-se de questão de saúde pública (animal doente, transmite ao homem).

4) Quais são os principais problemas e demandas da mulheres em seu município?

Katia Albuquerque – Em meu município, que tem predominância machista, as mulheres são subjugadas, não tendo acesso com facilidade às políticas públicas existentes e as necessidades são várias: educação, segurança, saúde, moradia, frentes de trabalho etc. Vamos precisar trabalhar muito para minimizar anos de exclusão!

5) Como futura vereadora, qual sua opinião sobre fatos recentes envolvendo Maricá, tais como o alagamento na cidade pelas fortes chuvas do dia 29 de fevereiro, que deixou centenas de pessoas desabrigadas e a conversa de Eduardo Paes com Lula, denegrindo a cidade? Quais suas considerações sobre tudo isso e outras, se houver?

Katia Albuquerque 2Katia Albuquerque – Bom, vou começar pela enchente na cidade, que atingiu e desabrigou a muitos. Foi um período de extrema tristeza e comoção. A chuva em Maricá causou um estrago tal que, até hoje, ainda temos reflexos e isso não vai parar. É um grave problema que envolve geografia. Maricá é uma cidade cheia de rios que nascem e desaguam aqui mesmo. E, por conta de várias administrações erradas, péssimas mesmo, muitos rios foram canalizados, ou tiveram seus cursos alterados ou foram cobertos, virando loteamentos. Como exemplo a região do Minha Casa Minha Vida de Itaipuaçu, a mais atingida, é localizada em região que chamamos de “rio perene”, que se forma pela chuva, em épocas de grandes precipitações. E no caso dessa área, as águas escoam da Pedra de Itaocaya, têm seu curso onde está o conjunto de prédios, para que desaguem no Rio Bambu, mais a frente. Isso, ao se fazer o EIA(estudo de impacto ambiental) para posteriormente escrever o RIMA(relatório de impacto ambiental) para liberar essa região para as obras, não foi levado em em consideração.

Maricá alagou em 2010, nesse mesmo período. E agora, não seria diferente, muito pelo contrário, até se agravou. Como pode uma gestão pública de qualquer esfera, permitir que vidas sejam alojadas em locais de risco? Isso é questão de responsabilidade e tem-se profissionais para isso. Um corpo técnico especializado dentro da gestão, seja ela de qualquer esfera, é montado para trazer segurança para a população, em todos os aspectos. É preciso uma ação conjunta de gestor e secretarias envolvidas em determinado problema, que devem ter pessoas à frente, muito bem qualificadas. A isso chamo de condução responsável.

Proteção Animal

Outro fato que muito me incomoda aqui, sendo uma mostra cabal da falta de preparo e muita irresponsabilidade das pessoas públicas envolvidas é a causa animal. Temos, em Maricá, um índice enorme de animais abandonados. Muitos por pessoas que passam e deixam nas ruas e outros por serem novas gerações de animais na rua. E o mais interessante é que a cidade possui uma Secretaria de Proteção Animal – a SEPROA – que nada faz de eficiente. Não fazem campanhas educativas nas escolas; quando realizam feiras, doam animais sem castrar, o que pode gerar mais animais abandonados num futuro; não realizaram campanha de vacinação antirrábica no ano de 2015; não tem programa de castração, enfim, nada. A maior parte das ações para tentar minimizar essa questão, vem de protetores independentes e ongs, e sou colaboradora em uma delas. Desejo muito que a próxima administração da cidade dê o devido valor a essa causa, pois ter uma população de animais abandonados nas ruas é questão de saúde pública, trazem doenças para as pessoas. A causa animal é uma de minhas bandeiras.

Eduardo Paes

E sobre Eduardo Paes com Lula, achei péssimo, nem sei como adjetivar tal situação, pelo tamanho do desconforto que fiquei. Não sou maricaense de nascimento, sou de coração há 10 anos e a referida conversa, para mim, foi direto na alma das pessoas. Maricá é, além de uma cidade histórica, naturalmente linda, com suas lagoas, mar maravilhoso, serras e pedras, tal como a Pedra do Elefante, em Itaipuaçu e a Pedra do Macaco, em Inoã; cachoeiras como a do Espraiado, a mais conhecida, enfim, tudo o que há de bom em um só lugar.

Até aceitaria tal expressão do Eduardo Paes, se fosse uma referência à atual gestão administrativa da cidade, que é petista e está com diversas falhas, maltratando a cidade de Maricá e seus moradores, o que não foi. Usou um termo pejorativo, para diminuir mesmo, tendo até outra cidade em comparação. Mas educação e respeito não são características para todos. E digo mais. Uma pessoa pública, seja ela em cargo eletivo ou não e insiro-me nessa classificação devido o expor-me em lutas e manifestações pelas causas que defendo, precisa ter cuidados com o que faz e/ou expressa. Estar em evidência é o mesmo que estar em uma vitrine; somos exemplos.

Mas, como boa otimista que sou, vejo os dois lados da situação. Mostrou o quanto Maricá está necessitada de mudanças, de ter pessoas comprometidas com a cidade e com seus munícipes. Temos um deputado federal e uma estadual, eleitos pela cidade e que nada disseram sobre o que aconteceu, nem uma nota de repúdio. E a Câmara de Vereadores da cidade, com seus 11 membros, também não deu a devida importância ao fato. Lamentável ver nossa querida Maricá mergulhada num enorme abandono! Que façamos a renovação, pois somos a oposição ao governo petista na cidade. Para concluir, ainda acredito que possamos virar esse jogo, ou seja, termos uma gestão em Maricá mais preparada, tecnicamente falando, e mais humana, preocupada com as pessoas, o seu verdadeiro patrimônio.

Gosto muito da citação de Michelle Bachelet, presidente do Chile e deixo aqui, para nossas companheiras do PSDB, com enorme apreço:

“Quando uma mulher entra na política, muda a mulher; mas quando muitas mulheres entram na política, muda a POLÍTICA.”