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Sem condições de pagar por serviços privados, brasileiros desempregados aumentam demanda por educação e saúde públicas

atendimento_medicoCom o avanço do desemprego, que já atinge 10,9% dos brasileiros, e de uma crise econômica que penaliza cada vez mais a população, milhares de pessoas estão deixando serviços privados como os de saúde e educação, itens prioritários para qualquer família, para migrar para a rede pública. A alta da demanda acaba tornando o atendimento, já deficitário por conta da falta de investimentos do governo, ainda mais precário e desestruturado.

Apenas no ano passado, a rede privada de ensino perdeu 12% dos mais de 9 milhões de alunos que tinha em 2014, segundo dados da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). Dentro desse grupo de cerca de 1 milhão de estudantes estão os dois filhos de Filipe Valença, representante de medicamentos em Brasília. Diante da crise econômica, ele viu seu salário encolher. Sua mãe, que ajudava com as contas, também sofreu cortes salariais. A única saída encontrada foi colocar os jovens Lucca, de 13 anos, e Cauã, de 11 anos, na rede pública de ensino. “Não tive escolha”, disse.

Ele destacou que o nível da escola pública é muito inferior ao dos colégios privados. “É gritante a diferença. Além dos problemas que são do sistema, que são as greves, temos o mau pagamento do professor, a falta de estrutura das escolas, mas para mim o mais gritante é a qualidade do ensino, que é péssima”, contou.

Valença também afirmou que várias outras mudanças foram feitas em sua rotina antes de decidir pela mudança na escola dos filhos. “Tinha uma funcionária semanalmente, não tenho mais, agora tenho diarista. Vendi um carro, me mudei, fiz reduções de compras”.

Demanda maior pela saúde

Um outro efeito cascata da queda na renda dos brasileiros e da alta na taxa de desemprego é o número de pessoas que cancelaram seus planos médico-hospitalares privados para ingressar no Sistema Único de Saúde (SUS). Somente em 2015, os planos de saúde do país perderam 766 mil usuários, uma queda de 1,5% em relação a 2014, segundo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Desse número, mais de 404 mil vínculos perdidos são de contratos coletivos empresariais, o que revela que a demissão de funcionários é a maior responsável pelas baixas apresentadas.

Para a médica e deputada federal Mariana Carvalho (PSDB-RO), a troca da rede privada pela pública pode causar graves problemas na saúde do paciente, por conta da interrupção do tratamento que vinha sendo feito.

“O médico espera um retorno do paciente para fazer o acompanhamento, e se nesse meio tempo a pessoa que está desempregada acaba não pagando o seu plano de saúde e é cortada, aquela doença que poderia ser tratada, ou uma doença que estaria no seu início, nos primeiros estágios, acaba tendo grandes avanços”, avaliou. “Agora que está aumentando o número de pessoas sem plano de saúde, o governo não tem condições, não é organizado, não tem estrutura para fazer com que haja esse atendimento ao povo brasileiro”, completou a tucana.

Reflexos na segurança pública

Na avaliação do deputado federal Nelson Marchezan (PSDB-RS), além de afetar diretamente a educação e a saúde dos brasileiros, o desemprego também impacta na segurança pública do país.

“O PT vai comemorar o Dia do Trabalho com mais de 200 mil empresas fechadas e com mais de 10 milhões de pessoas desempregadas. Isso, evidentemente, tem reflexos no desempenho escolar, em questões da saúde, e tem um reflexo gigante na segurança. Porque há um aumento da necessidade financeira, do desemprego, e para buscar subsídios, alguns pais de família acabam buscando formas não legais de viabilizar o sustento familiar”, salientou o parlamentar.

“O reflexo do desempenho da economia e das finanças públicas do PT é trágico para a estrutura, para o tecido social como um todo, porque o emprego é uma questão de dignidade da pessoa e da família, e o PT conseguiu tirar isso”, emendou Marchezan.