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Falhas na infraestrutura brasileira custam milhares de empregos

Estradas-Foto-DivulgacaoVital para o crescimento do país e para a geração de empregos, o setor de infraestrutura vem sofrendo com a falta de investimentos durante os governos do PT, especialmente na gestão de Dilma Rousseff. Com obras no setor atrasadas, em ritmo lento ou totalmente paralisadas por todo o Brasil, milhares de empregos são perdidos a cada ano por conta de problemas como a má gestão dos recursos, atrasos nos repasses e até mesmo a falta de pagamentos do governo federal às empresas responsáveis pelos empreendimentos.

Como destaca matéria publicada pelo jornal Valor Econômico nesta quinta-feira (28), um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta que, apenas em 2015, foram perdidas 461 mil vagas de trabalho no setor de construção, um dos mais importantes para a economia do país. O número representa uma redução de 3,6% no total de empregos do ramo. A grande quantidade de demissões pode ser explicada pela queda real de 7,6% nos investimentos em obras de habitação e infraestrutura no país, na comparação com os dados de 2014. Segundo a Fiesp, o cenário deve se repetir neste ano, com nova retração de cerca de 7%.

Para o economista Adriano Pires, diretor fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a instabilidade regulatória e a insegurança jurídica que os investidores enfrentam ao realizar obras de infraestrutura explicam os péssimos números apresentados no país. “O governo nunca compreendeu que o setor de infraestrutura é talvez o único setor da economia brasileira que hoje pode gerar um crescimento sustentável e estruturado, e que ele tem uma capacidade de gerar externalidades positivas fantásticas”, afirmou Pires.

“Nós vivemos um ciclo em que foi gerada, nesses 13 anos, uma grande instabilidade regulatória e insegurança jurídica. E sem estabilidade regulatória e segurança jurídica, não se consegue atrair investidor para o setor de infraestrutura, porque é um setor em que se investe muito, é o que a gente chama de capital intensivo, e o retorno é de longo prazo”, completou.

Uma sondagem realizada pela Comissão de Obras Públicas (COP), da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e publicada em matéria do jornal O Estado de São Paulo em setembro do ano passado mostrava que, de 52 obras analisadas, espalhadas por diferentes setores em diversos locais do país, 68% estavam em ritmo lento ou completamente paralisadas. Em 71% do total de empreendimentos, parte da fonte de recursos era federal, sendo que em 36% das obras a origem de verbas era exclusivamente federal. Na visão de Adriano Pires, a falta de prioridades à melhoria da infraestrutura gera, além do próprio desemprego, uma série de reflexos negativos para o país.

“Quando não se tem um modelo claro, a infraestrutura acaba gerando externalidade negativa, que é gerar menos empregos, as obras ficarem mais caras – e quem paga no final do dia essa obra mais cara é ou o consumidor ou o contribuinte. A gente deixou de modernizar a infraestrutura brasileira, de ter estradas melhores, de ter aeroportos melhores, de ter portos melhores, de estar produzindo mais petróleo, mais energia elétrica, porque o governo ficou naquela mentira, naquele populismo tarifário e naquela coisa de intervenção do Estado”, salientou o economista.

“Com certeza, milhares de vagas de emprego em outros setores foram perdidas como consequência dos problemas do setor de infraestrutura”, encerrou o diretor do CBIE.