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Parlamentares brasileiros são discriminados em evento do Mercosul por apoiarem o impeachment de Dilma

mercosulDurante a sessão plenária do Parlasul, o parlamento do Mercosul, em comemoração aos 25 anos do bloco econômico, realizada em Montevidéu nesta segunda-feira (25), deputados e senadores brasileiros foram discriminados por apoiarem o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Após constatarem que se sentariam numa das últimas fileiras, atrás de funcionários de segundo e terceiro escalão, 14 dos 17 parlamentares abandonaram o evento.
A diferenciação ficou evidente depois que o presidente do Parlasul, o deputado argentino Jorge Taiana, publicou no site oficial do parlamento, no último domingo (24), nota em que condena o processo de afastamento da petista. As informações são da matéria publicada nesta terça-feira (26) pelo jornal O Globo.
O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) considerou a atitude uma “falta de respeito” com a comitiva brasileira e avaliou como lastimável o ocorrido. “É lamentável a atitude desse presidente. Isso é uma falta de respeito à cláusula de não intervenção, de não intromissão nos outros países. O Brasil é uma democracia onde funcionam os Poderes e as instituições e não vamos admitir que esse tipo de atitude aconteça em organismo multilaterais como esse Parlasul”, afirmou.
O tucano concorda com a hipótese de retaliação e até ponderou a saída do Brasil do bloco econômico. “Nós iremos rejeitar veementemente essa atitude deles. Se persistirem com isso nós teremos que propor a retirada do Brasil desse Parlasul e inclusive do Mercosul”, disse.
A presidente Dilma Rousseff declarou, na última sexta-feira (22) em Nova York, que pretende invocar a cláusula democrática do Mercosul, se for afastada pelo Senado. Essa medida foi utilizada em 2012, quando o ex-presidente paraguaio Fernando Lugo sofreu impeachment. Se a cláusula for ativada, o Brasil pode ser suspenso do bloco comercial, mas, para isso, seria necessário um consenso entre Uruguai, Paraguai, Argentina e Venezuela.
Hauly acredita que esse consenso seria muito difícil. “Eu duvido que o Paraguai e a Argentina se intrometam em uma decisão como a nossa. Venezuela eu desconsidero e o Uruguai é uma incógnita. Acredito que vai ser frustrada a intenção de Dilma de conseguir qualquer tipo de apoio desses países”, concluiu.