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Primeira tarde do Curso de Capacitação PSDB Mulher/Konrad Adenauer lota auditório

Abertura Konrad dia 1Começou disputado como sempre o primeiro dia do curso preparatório para pré-candidatas a prefeitas das regiões Sul e Sudeste, que começou na tarde desta quinta-feira (07) no Hotel Blue Tree em evento fechado.

A representante da Fundação Konrad Adenauer, Marina Caetano, abriu o curso comemorando a ampliação da parceria PSDB Mulher Nacional com a Konrad, que deve acontecer em breve. Em seguida passou a palavra à presidente do segmento, Solange Jurema.

Solange  começou agradecendo a Konrad e a Nancy pelo trabalho incansável,especialmente em um momento em que o Brasil vive talvez uma de suas piores crises.

“Estarmos aqui, mulheres de todo o Brasil, discutindo que em tipo de país queremos viver, talvez seja o que estamos precisando. Estar aqui hoje, discutindo política, é importante até para o PSDB: sair daqui levando ao partido o que nós, mulheres, queremos como oposição”.

1ª Mesa

Primeira mesa Thelma, Solange, Fátima e Lúcia AvelarCompuseram a primeira mesa com Solange Jurema, a cientista política Lúcia Avelar e a socióloga Fátima Jordão.

Thelma de Oliveira (MT), vice-presidente do PSDB Mulher Nacional e moderadora, cumprimentou a ex-deputada federal Andreia Zito (RJ), lembrando do tempo em que as duas estavam na Câmara dos Deputados, e agradeceu a Nancy Thame, presidente do PSDB Mulher de São Paulo, responsável pela organização do evento, pelo empenho, e avisou que cada uma das palestrantes teria exatos 15 minutos de fala.

Solange Jurema começou citando uma frase: “Nenhuma sociedade trata de maneira igual seus homens e mulheres”, constatação feita pelo PNUD, quando se foca no Brasil percebe-se que somos ainda piores. Por muito tempo não se reconhecia essa discriminação, então não havia porque melhorar essa situação.” Solange relembra o antigo Código Civil e mostra que até 1972 o homem podia era considerado superior à mulher em tudo. “No Brasil não havia pena de morte, mas todas as mulheres que os maridos considerassem adúlteras podiam ser assassinadas, os assassinos alegavam legítima defesa da honra e eram absolvidos”. Para Solange, a Constituição de 1988 foi essencial para começar a mudar o quadro em que vivia a mulher brasileira.

“Falta entender que podemos começar a política pelas vereadoras e prefeitas”, alertou Solange, “e que existem políticas que interessam apenas a nós, normalmente as sociais. Creches, são prioridades nossas, não deles; saneamento é prioridade nossa, porque no interior, quem carrega lata d’água na cabeça somos nós, não eles. Quem paga o preço da falta de políticas sociais são as mulheres, por isso é tão importante estar aqui hoje participando. Depende de nós começar a mudar a política de nosso país”, encerrou, sob aplausos.

Thelma, Solange, Fátima e Lúcia Avelar Curso SP dia 1Em sua fala inicial, Fátima Jordão perguntou quantas são as candidatas de oposição no auditório e, ao ver que são muitas, avisou que a maioria deve ser eleita porque o Brasil assiste ao fim de um ciclo que normalmente era feito de maneira mais tranquila, até o momento, porque a opinião pública não estava tão mobilizada.

“Essas eleições serão mais importantes e mais difíceis, por causa dessa mobilização da opinião pública, que foi o que efetivamente mudou. Mudaram os políticos? Não tanto. O IBGE nos informou na quarta-feira (06) que mais de 50% da população brasileira acessa a internet, então nunca tivemos uma população tão informada antes. E aqui vai meu primeiro recado para as candidatas: usem e abusem desse mecanismo”.

Fátima alertou também para a questão da saúde e da corrupção. “Roubo passou a ser uma questão de usurpação de quem paga imposto”. A população agora vê a corrupção como desvio de orçamento que sai do que poderia ser serviço.

Direito à autonomia

A cientista política Lúcia Avelar mostrou um pouco do resultado das pesquisas “50 anos de feminismo”. “Uma das conquistas foi a união das mulheres de todo o país, via SEDIM, para que as mulheres definissem as prioridades que o governo deveria atender, qualquer que ele fosse. O orçamento mulher, por exemplo, não existe em nenhum país latino-americano. Só quem o executa são as feministas brasileiras. Esse orçamento tem áreas prioritárias que a SEDIM é obrigada a cumprir e vocês podem executar”.

“Na Alemanha, mais de 95% do orçamento fica no município”, diz Lúcia Avelar, para quem outra coisa importante é definir logo que áreas devem ser defendidas. Infraestrutura do cuidado, política de creches públicas; autonomia e enfrentamento da violência contra a mulher são bons exemplos.

“O direito à autonomia é o direito a ganhar o mesmo que os homens, o direito a me especializar mais, o direito a sobreviver com dignidade sem precisar mais de um marido”, explica Lúcia Avelar. Essa é uma bandeira de campanha.

Debate

Cristina Lopes Afonso (GO) questionou o conceito de “combater os homens”, Fátima respondeu que não se trata de Curso São Paulo 1combater os homens e sim a cultura machista predominante. “Quanto mais próximos chegarmos de uma posição de igualdade, mais esse antagonismo tende a desaparecer. Minhas amigas diziam que meu marido é mais feminista do que eu – não é – mas nós sempre nos demos de uma maneira muito horizontal.

Ao responder a Terezinha Nunes (PE), que perguntou como fazer campanha sendo mulher, com Dilma tão mal avaliada, Fátima foi certeira. Desde que a primeira mulher chegou ao poder, enfrentou a questão feminina a desfavorecê-la. Dilma não é feminista, ao contrário, se subordinou de maneira bastante aparente ao seu criador, Lula. Se fosse feminista ela teria ido para o embate com ele, não foi. O problema da Dilma é dela, de personalidade, de como ela se relacionou inicialmente com seu partido, de forma machista. Essa é uma situação das mulheres que não têm uma visão do feminino, que usam saia mas não são feministas.

Já Lúcia Avelar acha que a questão não passará pelo gênero e sim por ser governo e não ser governo. “Dilma Rousseff não é política, é uma tecnocrata, nunca foi feminista”.

2ª Mesa: Estratégias de Comunicação e Utilização das Redes Sociais Durante a Campanha

Gil Castilho, publicitária e consultora política, comentou estar fascinada com o auditório lotado e que isso está se tornando uma constante nos eventos do PSDB Mulher. “Quando se vê uma sala lotada de mulheres que estão participando da política partidária, isso é um luxo tremendo. Vocês estão de parabéns. Boa tarde”.

Em seguida, Gil fez uma exposição da campanha que fez em São Tomé e Príncipe, para uma mulher, e mostrou que a questão de gênero está envolvida em todas as situações. “Em um dos países mais desenvolvidos do mundo, os Estados Unidos, Hilary Clinton é a única candidata que precisa falar de questão de gênero, por ser mulher”.

“Marketing Eleitoral é o mecanismo de ativação das tendências latentes: Paul Lazarsfeld”, foi citado por Gil, que alerta que essa frase não significa que seja permitido mentir.

Comunicação e conexão são os dois lados da mesma moeda

O jornalista Fernando Vieira, especialista em gestão de marketing estratégico e eleitoral, já começou perguntando à plateia quem estava com o telefone ligado. Diante da resposta negativa da maioria, pediu que todas os ligassem: “Comunicação é conexão, aproveitem e anotem meu WhatsApp para tirar dúvidas”.

Fernando concorda com Gil sobre a pré-campanha, fase em que, segundo a nova legislação, muito é permitido. Divertido e focado, o jornalista fez uma palestra divertida e muito esclarecedora, que não vamos divulgar porque suas táticas serão exclusividade das pré-candidatas tucanas.

Fernando Vieira é mais um a dizer: seja sincero e aprenda a ouvir seu eleitor. Essa é uma posição unânime entre todos os palestrantes.

Mídias sociais como meio de se fazer ouvir

Camila Braga, especialista em mídias sociais e performance na Gazeta do Povo, tomou a palavra alertando para o descrédito da palavra, situação em que “muitos falam, mas ninguém está ouvindo”, mais especificamente, na dificuldade de como conseguir se fazer ouvida nas mídias sociais.

“O Brasil tem 96 milhões de usuários mensalmente ativos, desse total, 67 milhões acessam o Facebook todos os dias. Segundo o PNUD, o telefone celular tornou-se pela primeira vez o principal aparelho de acesso do brasileiro à internet”.

Após um rápido intervalo, o curso terá mais uma mesa de debates. Confira a programação abaixo:

07 DE ABRIL

19:00 Mesa Redonda: Pensando a Democracia e Atual Conjuntura

  • Fátima Jordão – Socióloga, especialista em pesquisas e faz parte da história de construção das políticas de gênero no Brasil. É conselheira do Instituto Patrícia Galvão.
  • Leandro Consentino – Doutorando em Ciência Política pela USP, professor do INSPER, da FESP-SP e do CLP, consultor eleitoral e palestrante em cursos livres de Política e Cidadania.
  • Moderadora: Nancy Thame – Presidente do PSDB-Mulher Estadual/SP e Conselheira da Fundação Konrad Adenauer.
  •  Debate

20:30 Coquetel e Lançamento do Caderno: “Cultura da Paz e Feminino Profundo”

  • Breves considerações, por Nancy Ferruzzi Thame – Presidente do PSDB-Mulher Estadual/SP e Conselheira da Fundação Konrad Adenauer.

08 DE ABRIL

9:00 Legislação Eleitoral para Eleições 2016

  • Anderson Pomini – Advogado, Pós Graduado em Direito Eleitoral, Direito Constitucional e Político.

10:00 Gestão de Campanha Política e Novas Formas de Financiamento

  • Marcos Antônio Gaban Monteiro – Advogado, especialista em Direito Público e Financeiro.

11:00 Mesa Redonda: Políticas Públicas Sociais

  • Maria Ângela Cenci Queiroz – Pedagoga e Psicopedagoga – Pós-graduada em Gestão Social.
  • Maria Nazaré Lins Barbosa – Advogada, Mestre e Doutora em Administração Pública, Procuradora da Câmara Municipal de São Paulo, Docente nas áreas de ética e responsabilidade social.
  • Moderadora: Marina Caetano – Coordenadora de Projetos da Fundação Konrad Adenauer.
  • Debate

12:30 Mesa Redonda: Prefeitas

  • Edilamar Novais Borges – Prefeita de Tupaciguara/MG – candidata reeleição
  • Ismênia Mendes de Moraes – Prefeita de Palmital/SP – candidata à reeleição
  • Moderadora: Solange Bentes Jurema – Presidente do PSDB-Mulher Nacional

13:00 Encerramento/ Almoço