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Oportunismo: governo estuda redução no preço da gasolina, mas nova tarifa aumenta dívidas da Petrobras

10032011-10032011Arq002Diante da proximidade da votação do impeachment de Dilma Rousseff, o governo decidiu interferir na política de preços adotada pela Petrobras para tentar diminuir a rejeição popular à petista. A estatal deve diminuir o preço da gasolina nas refinarias entre 7% e 10% ainda nesta segunda-feira (4), de acordo com informações de matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense. A intromissão do governo na administração da petrolífera, na visão do deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB-MG), é uma tentativa de o governo iludir a população brasileira.

“O que causa estranheza é, justamente na véspera da votação do impeachment, o governo pressionar a Petrobras para tentar, mais uma vez, enganar os brasileiros. O governo agiu assim durante a eleição e continua com a mesma técnica, mesmo depois de desmascarado”, criticou o parlamentar. “Mas nós temos confiança no engajamento da população brasileira no impedimento da presidente da República. Esperamos que os deputados votem em sintonia com a nossa população e tirem de vez o PT do poder”, emendou.

A redução dos preços da gasolina pode trazer enormes prejuízos para a Petrobras, na avaliação de Adriano Pires, sócio e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). Ouvido pela reportagem do Correio, ele ressaltou que a diminuição dos valores do combustível é incompatível com o investimento que a petrolífera deve ter no ano. “A geração de caixa esperada varia entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões, assumindo que a empresa manterá o atual preço implícito de venda no mercado doméstico de US$ 60 a US$ 62, o barril. A conta não fecha e reduzir o preço da gasolina é mais uma irresponsabilidade do governo”, afirmou.

Além da provável mudança nos preços de combustíveis, o governo já alterou a bandeira tarifária da energia, que passa de amarela para verde a partir deste mês. Para Rodrigo de Castro, trata-se de outra decisão de viés político com objetivo de tentar mascarar a realidade.

“O que nós assistimos, na verdade, foi o maior tarifaço da história do Brasil durante o governo do PT. Aumentaram quase 100% e depois diminuíram 3% e dizem que estão baixando a conta de luz, quando todo mundo que está sentindo os efeitos sabe que isso não é verdade. Então é uma tentativa desesperada em um momento em que o governo não tem nem apoio popular nem apoio no Congresso”, salientou.

Discordâncias na Petrobras

Nem mesmo dentro da estatal a decisão de diminuir os valores da gasolina é unanimidade. Segundo informações de matéria do jornal Valor Econômico, a diretoria da entidade é favorável à medida, enquanto que o conselho de administração é contra a mudança, por acreditar que o já combalido caixa da empresa pode ficar ainda mais prejudicado com uma eventual queda nos preços do combustível.