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“O Planalto sitiado”, por Solange Jurema

Brasília - Manifestações a favor do impeachment de Dilma, na Praça dos Três Poderes (Wilson Dias/Agência Brasil)

Planalto impeachment e tropasMais um dia de agonia para o governo federal e para todos os brasileiros. Para a administração Dilma Rousseff, porque a deflagração da 26ª fase da Operação Lava Jato em oito estados e no DF; com prisões preventivas, conduções coercitivas e uma grande devassa na Odebrecht, mostra que as últimas manobras para intimidar a Polícia Federal não foram bem sucedidas.

Para os brasileiros, porque apesar de estarem nas ruas diariamente, de maneira espontânea; não há sinal de que o Planalto tenha finalmente entendido a necessidade de parar de bradar contra golpes fictícios e vir a público se explicar, olho no olho.

Falta ao governo federal grandeza e humildade para reconhecer que precisa falar sobre a montanha de indícios comprometedores de corrupção em sua gestão e no envolvimento de seu novo Chefe da Casa Civil, Luís Inácio Lula da Silva, atualmente impedido de assumir por decisão do Ministro Gilmar Mendes, que ainda será debatida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Preso em sua teia, prefere esbravejar contra o juiz Sérgio Moro.

Não há golpe nos atos de Moro, há respeito à lei, como comprova a nota de apoio à condução da Lava Jato emitida pela Associação dos Juízes Federais do Brasil – AJUFE, além da negativa a duas liminares contra ele – ambas impetradas pelo PT -, pelo Conselho Nacional de Justiça, nesta segunda-feira (21).

O resultado da soberba e da falta de espírito público da administração petista é evidente: a repulsa da sociedade civil; o acirramento dos ânimos; a paralisia administrativa; a deterioração de sua base e a aceleração do processo de impeachment, pelo Congresso.

Não vai dar certo. Desde que Dilma Rousseff preferiu as sombras dos acordos espúrios para tentar salvar um mandato que não tem mais o que defender, a população não sai das ruas. Sem convocação, transporte ou lanche, acampam onde conseguem, promovem revezamentos e avisam que não sairão enquanto o governo não cair.

Na segunda-feira (21), às 20h, seis mil manifestantes sitiavam o Palácio do Planalto, que tinha a palavra “impeachment” escrita a laser em sua lateral. A recém anunciada delação premiada de Marcelo Odebrecht promete jogar lenha nessa fogueira.

Impeachment não é golpe, e sim instrumento constitucional de salvaguarda à democracia. Plenamente justificado quando 68% dos brasileiros o apoiam, enquanto 27% o rejeita.

Ao discursar, no impeachment de Collor, o então presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro declarou: O que o povo quer, esta Casa acaba também querendo.

O povo quer, vai acontecer. Pelo bem de todos nós, que seja rápido.

Impeachment já!

*Solange Jurema é presidente do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB