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“A negação terminal do Planalto”, por Solange Jurema

Foto: Javier-Texto:Betina/PSDB RJ

Foto: Javier-Texto:Betina/PSDB RJ

A criadora da Tanatologia – ciência que ensina a lidar com a iminência da própria morte ou com a de um ente querido -, Elizabeth Kübler-Ross, prega que existem cinco estágios pelos quais todos nós passamos, ao enfrentar a perda, o luto e a tragédia.

São eles: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação; quando, enfim, cada um faz as pazes com o destino que lhe cabe. Nos casos descritos por Kübler-Ross, a morte; nos do governo Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula; a investigação e punição, por eventuais crimes cometidos durante e após o exercício do cargo.

A única explicação que encontro, para a nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil, três dias após o maior ato político da história do Brasil colocar milhões de pessoas nas ruas, pedindo sua prisão, é que Dilma encontre-se no primeiro estágio; o da negação. Qualquer outra explicação seria um enorme desafio, um deboche, para com todos os que saíram no domingo para dizer: Basta!

Já Lula, ao aceitar o cargo, menos de 24 horas após ser envolvido ainda mais nas investigações da operação Lava Jato pelo senador Delcídio do Amaral – como se o delator não fosse pessoa do alto escalão de seu partido e ex-líder do governo no Senado Federal – parece oscilar entre os estágios da raiva e da negociação. Esquece que a realidade é uma só, inegociável, como os ministros Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes já alertaram, ao dizer que foro privilegiado não é garantia de impunidade.

Enquanto governo e PT ignoram o brado indignado da população, as investigações da Lava Jato em seus calcanhares e a economia em frangalhos, ninguém governa o país, embora hoje, em Brasília, os boatos digam que Lula acaba de assumir seu terceiro mandato. Que faça bom proveito do cargo que se empenhou tanto para conseguir, a Casa Civil parece estar amaldiçoada nas administrações petistas. Que o digam Antonio Palocci, Erenice Guerra e José Dirceu.

A oposição não assistirá impassível a mais essa afronta ao povo brasileiro. Dilma Rousseff não destruirá a República para salvar a si mesma e a seus companheiros, envolvidos em negociatas inexplicáveis. Que ela alcance logo o estágio final de Kübler-Ross, o da aceitação, e tire as garras do Brasil, como exigem as ruas. Somos um povo honesto, merecemos governantes igualmente honrados.

A última palavra ainda não foi dita.

*Solange Jurema é presidente do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB