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Ao ironizar apartamento do Guarujá, Lula diz que é um “tríplex Minha Casa Minha Vida”

São Paulo 04/04/2016- Ex-Presidente Lula, durante entrevista a imprensa na sede do PT Nacional. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

No depoimento à Polícia Federal prestado no último dia 4, o ex-presidente Lula reclamou do tríplex de 215 metros quadrados do Guarujá, em São Paulo, investigado pelo Ministério Público e pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O petista disse que não adquiriu o imóvel por achá-lo “muito pequeno” e comparou o apartamento a uma unidade do programa habitacional Minha Casa Minha Vida.

Somente o valor da reforma do tríplex custou cerca de R$ 1 milhão, o que seria suficiente para construir pelo menos 13 casas para famílias de baixa renda no programa social. Ao negar ser dono do imóvel, Lula declarou que o caso é uma invenção da PF e da imprensa e classificou a situação como “sacanagem homérica”.

Para o deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), o ex-presidente debocha do povo brasileiro com as declarações. “Ele debocha comparando com uma casa popular de pouco mais de 30 metros quadrados, que é adquirida com o suor do trabalhador. Enquanto o trabalhador brasileiro tem que suar, às vezes ficar a vida inteira pagando a prestação de uma casinha humilde, o [ex] presidente debocha do brasileiro comparando com um tríplex de luxo adquirido com dinheiro roubado.”

Para o deputado Domingos Sávio, esse ponto da investigação é um momento decisivo para o caminho do Brasil. “Não é só mais uma análise de um crime. É um país escolher se quer ficar do lado da criminalidade, quer que a impunidade prevaleça, ou se a gente quer que o país tenha justiça para todos.  Não venha com essa conversa de que o Lula não pode ir para a prisão. O Lula é um cidadão como qualquer outro. E todos que cometem crimes tem que ir para a prisão. Então, comprovados os crimes do Lula, ele tem que ir para a prisão. Não há outro lugar para ele.”

Ainda no depoimento prestado à PF, Lula disse que cobra uma tarifa fixa de US$ 200 mil dólares para ministrar palestras. As conferências também são alvos de apuração da Operação Lava Jato, que investiga se as empresas que o contrataram teriam se beneficiado posteriormente de suas relações com o governo do PT.