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Sudão do Sul deixa soldado estuprar mulheres como salário, diz ONU

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ONU diz que situação no país é uma das mais espantosas do mundo.
Há casos de pessoas queimadas vivas ou cortadas em pedaços.

Do G1, em São Paulo

Deslocados pelo conflito interno esperam em Malakal ajuda do Programa Mundial de Alimentação, no dia 5 de maio (Foto: Denis Dumo/Reuters)

Deslocados pelo conflito interno esperam em Malakal ajuda do Programa Mundial de Alimentação, no dia 5 de maio (Foto: Denis Dumo/Reuters)

A situação dos Direitos Humanos no Sudão do Sul, país no leste da África, é “uma das mais espantosas” do mundo, declarou nesta sexta-feira (11) a Organização das Nações Unidas (ONU), que afirma em um relatório que o governo permite que combatentes “estuprem mulheres como forma de salário”, segundo a France Presse.

“Trata-se de uma das situações mais espantosas no mundo para os direitos humanos, com um uso maciço dos estupros como instrumento do terror e arma de guerra”, afirmou Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, ao apresentar um relatório das Nações Unidas sobre a situação no país.

Em seu relatório, a ONU afirma que, “segundo fontes confiáveis, as autoridades permitem que grupos aliados estuprem as mulheres como forma de pagamento”, seguindo o princípio do “façam o que puderem e tomem o que quiserem”.

“A escala e o tipo de violências sexuais – que geralmente são cometidas pelas forças governamentais do Exército Popular de Libertação do Sudão e por suas milícias afiliadas – são descritos com detalhes terríveis, assim como a atitude – quase casual, mas calculada – daqueles que massacraram civis e destruíram bens e meios de subsistência”, afirma Zeid Ra’ad al Hussein.

Crimes de guerra
O relatório da ONU contém relatos sobre pessoas, incluindo crianças e deficientes físicos, que foram assassinadas, queimadas vivas, asfixiadas em contêineres, executadas, penduradas ou cortadas em pedaços.

“Diante da amplitude, da profundidade e da gravidade das acusações, da repetição e das similaridades observadas no modo de operação, o informe conclui que existem motivos razoáveis para crer que estas violações podem ser consideradas crimes e guerra e/ou crimes contra a humanidade”, disse o Alto Comissário da ONU.

Segundo as Nações Unidas, “a grande maioria das vítimas civis não parecem ser o resultado dos combates, mas de ataques deliberados contra civis”.

Para a ONU, “os atores estatais têm a maior responsabilidade pela violência cometida em 2015, diante do enfraquecimento das forças da oposição”.

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