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“Toda e qualquer mulher sofre discriminação, seja de forma explícita ou mais velada”, diz Lurdinha Henrique

20160128_104315 euMaria de Lourdes Henriques é professora e tesoureira da Comissão Executiva do PSDB no Rio de Janeiro. Mais conhecida como Lurdinha Henrique, a tucana vai concorrer ao cargo de vereador nas eleição municipais desse ano.

Lurdinha começou a militância política por meio do movimento sindical. Segundo ela, houve obstáculos para a ocupação dos espaços de direção pois a representação sindical é majoritariamente masculina.

Em entrevista ao PSDB-Mulher, a professora falou sobre o papel dos vereadores na Câmara Municipal, preconceitos com as mulheres e projetos. Confira:

1) Qual a importância do trabalho de uma mulher numa Câmara dos Vereadores?

Em primeiro lugar, a Câmara Municipal é representação de grande relevância política, por ser focada nos problemas locais, mais próximos da população, e com mais possibilidade, portanto, de atuar nas necessidades mais prementes. Então também deve refletir a composição da sociedade.

Atualmente, mais de 50% do eleitorado é feminino, mas as mulheres são sub  representadas. Na Câmara do Rio, com 51 vereadores, somente em torno de 11% são mulheres. A política de cotas determina que a nominata dos partidos às eleições deve apresentar, no mínimo, 30% de um dos gêneros, tradicional e infelizmente, critério usado para as candidaturas femininas.

Com este quadro na capital, é de imaginar o que ocorre na Baixada Fluminense e interior do Estado. E não há evolução. Este é forte indício de que a política de cotas, sem outro tipo de ação, não supre essa dificuldade histórica. Mas as ações não passam somente, por mais intensas que forem, por capacitações, encontros partidários, documentos. É preciso uma ação conjunta da sociedade em todos os seus organismos de representação. A destinação de recursos para os partidos fazerem ações políticas é importante, mas não resolve a questão, se os representantes no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, se os governos não atacarem coletivamente o problema. É uma mudança real necessária nas condições de vida e, simultaneamente, um enfrentamento da questão cultural, consolidada historicamente. Os partidos são parte desse processo.

As mulheres têm sobre si enorme carga de responsabilidade, seja no mundo do trabalho e/ou doméstico. Chefes de família, ou trabalhadoras e mães, ou suporte para os mais velhos da própria família – acúmulo de funções não permite ação política, a não ser como um grande sacrifício a mais. Isto somado à visão de política como coisa de homem, ou como algo negativo do ponto de vista ético tende a mantê-las fora das disputas reais, sendo usadas em falsas composições, com poucas e honrosas exceções.

Garantidas essas condições, o trabalho de uma vereadora é atuar fortemente para que a Câmara funcione plenamente, que a ética e a responsabilidade com a representação sejam respeitadas e que não haja nas designações de Comissões internas ou quaisquer outras atribuições separação entre homens e mulheres, mas entre os mais habilitados ou não para as funções.

Além disso, é dever de vereador/a fiscalizar, legislar e ser a voz daqueles que necessitam, zelando para que os diversos poderes atuem em conformidade com a lei, com transparência, competência e dignidade como é dever a qualquer pessoa pública.

2) A senhora sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher?

Toda e qualquer mulher sofre discriminação, seja de forma explícita ou mais velada. Iniciei minha militância política pelo movimento sindical, mais precisamente pelo Sindicato de Professores, categoria historicamente com forte presença de mulheres, mas com representação sindical majoritariamente masculina. Evidentemente isso foi obstáculo para a ocupação dos espaços de direção. Sem forte determinação e algumas renúncias pessoais, de certeza haveria desistência.

No poder executivo, ser mulher e mais jovem também levanta obstáculos para a ocupação de funções mais relevantes. Há uma tendência a considerar que as mulheres devem ficar nos espaços do cuidar, do assistir, como se as competências profissionais fossem agregadas à visão que a sociedade tem dela – mãe e cuidadora. Como militante do movimento feminista, tive à minha disposição um maior instrumental de defesa, que permitiu o melhor enfrentamento dos problemas. Mas entendo que esta não é a situação da grande maioria.

3) Quais os projetos, ações que a senhora julga importante para melhorar a qualidade de vida das mulheres de seu município?

Minha atuação na Câmara deverá ter como principal norte a questão feminina nas suas múltiplas facetas. Que, na verdade, são as demandas da humanidade e que servem a todos. Da violência à educação, da saúde à mobilidade – numa compreensão de que, pelas suas múltiplas tarefas e até que elas se tenham melhor distribuído pelos partícipes do processo, é preciso pensar a cidade por esse foco, que, na verdade, é o princípio do acolhimento, da sustentabilidade e da solidariedade.