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“O VOTO DA MULHER COMO MECANISMO DE ESCOLHA DO FUTURO”, por Yeda Crusius

Yeda-e-o-chimarrão-acervo-pessoalCELEBRO A PARTICIPAÇÃO PELO VOTO

Não há nenhum sistema conhecido no mundo melhor de representação dos cidadãos do que a democracia aferindo regularmente por eleição seus desejos e escolhendo seus representantes. Por erros e acertos, avanços e retrocessos, maiores ou menores, a escolha dos representantes do povo pelo voto vai escrevendo a história das democracias e os avanços civilizatórios. Pois é de celebrar que o sufrágio universal com o direito das mulheres ao voto embora só muito recentemente foi conquistado. O mundo muda ao ser conquistado o direito pela mulher de fazer essas escolhas, de definir qual o rumo da sociedade, de seu presente e seu futuro, do tipo de liberdades e de democracia que se considera o melhor para as pessoas e para o coletivo da sociedade. Pois na mesma sociedade que tanto depende da mulher nas profissões em que ela é majoritária e que definem a qualidade do futuro – educação, saúde, cultura, criança e idoso, tudo sempre fizemos, mas alcançar postos de poder político ou simplesmente nos organizarmos para escolher quem vai responder por todas as ações que constroem esse futuro, esse direito que é o do voto nos era impedido.

Os casos recentes de uma América Latina bolivariana dão o exemplo disso. Foram eleitos presidentes e congressos nacionais sequencialmente, representantes de uma autodenominada esquerda que foi se mostrando populista e corrupta. Em 15 anos nos vários países, de Venezuela de Chávez e Maduro, do Brasil de Lula e Dilma, da Bolívia de Evo Morales, da Argentina dos Kirchner – para citar apenas alguns, a esquerda populista foi eleita, governa ou governou, mas vai perdendo eleições sequenciais que mostram o fim do ciclo bolivariano e o desastre econômico e social de seus países. Não basta eleger, mas sem fazê-lo o mais não decorre, que é a definição de direitos e deveres que desenham a organização que constrói a qualidade de vida de um povo, de uma civilização. A participação da mulher no uso de mecanismos de controle da representação política tem sido crescente, intensa, definidora. Depois das eleições, há uma série de mecanismos de fiscalização e controle sobre os representantes eleitos, e sendo livre a opinião, manifestações e impedimentos permitem que em democracia se evite males maiores porque ou foram eleitos prometendo o que não se cumpriria, mentiram para conquistar o voto, compraram-no, ou traíram os votos que receberam em confiança. Todos esses mecanismos levam a mais uma eleição, sempre o voto! Com esse direito, as mulheres se organizam e vão se tornando politicamente fundamentais para os avanços de qualidade de vida e de convívio democrático.

Viva o voto universal!

*Yeda Crusius é ex-governadora do Rio Grande do Sul e presidente de honra do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB