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“A estranheza de Dilma”, por Terezinha Nunes

terezinha-nunes-psdb-peApós receber a fatídica carta de rompimento do vice Michel Temer, a presidente Dilma Rousseff disse esta segunda-feira uma frase que, proferida por qualquer brasileiro diante do infortúnio que nos assola, soaria normal.

Dita por ela, responsável maior, ao lado de Lula, pela revoada de crises que sacodem o Brasil, pode ser vista mais como um “escárnio,” palavra usada recentemente pela ministra do Supremo, Carmem Lúcia, perplexa com a desfaçatez que toma conta do país onde o cinismo – como ela afirmou – se transformou em algo bem mais danoso.

– Vivemos um tempo muito estranho – afirmou a presidente como habitasse outro planeta ou estivesse mesmo “no mundo da lua”, como bem definiu, em entrevista recente, o deputado federal pernambucano Jarbas Vasconcelos.

O Brasil vive um tempo estranho sim e não é de agora. Começou quando o PT assumiu o poder e a todo custo decidiu mantê-lo, mesmo que para isso rasgasse a biografia dos seus principais líderes e institucionalizasse um sistema de corrupção jamais visto em nosso país e quiçá em todo o mundo.

Como tanto Dilma quanto Lula se fazem de desentendidos quando surpreendidos nos malfeitos vai ver que a presidente acha mesmo que a estranheza só começou agora quando o vice, cansado de ser maltratado e humilhado como ministros e subalternos diretos da presidente, resolveu expor numa carta seu desabafo ou “rasgar o verbo” como estabelece a linguagem popular.

Quem sabe também a presidente considere estranho – e deve considerar porque aprendeu a mandar e não ser contestada – a decisão de juristas absolutamente incorruptíveis e de competência reconhecida e respeitada em todo o país de enviar à Câmara um pedido de impeachment que agora se encontra nas mãos dos Congressistas para ser analisado.

A estranheza da presidente sobre o impeachment, porém, está levando-a à beira do ridículo quando conduz ao Palácio juristas que podem ter conhecimento mas se encontram a anos luz dos acima citados para por em dúvida a constitucionalidade da medida.

Como se não bastasse o conhecimento público do dolo praticado por ela ao mentir abertamente aos brasileiros durante a campanha eleitoral dizendo que estava tudo bem quando, por debaixo dos panos, manobrava para fazer as famosas pedaladas fiscais, desrespeitando a lei e o Congresso, Dilma não só continuou a fazer o mesmo em 2015 quando lá e cá desrespeitou a Constituição que jurou honrar e preservar.

Em qualquer outro país do mundo que viva em regime democrático o simples fato de um presidente violar um artigo da Constituição é motivo para impeachment.

No próprio Brasil inúmeros prefeitos e até governadores já perderam o mandato por isso e até por violar leis menores. Nenhum acusou que estava sendo vítima de um golpe como tenta fazer a presidente no desespero e na falta de apoio.

Se a lei vale para o menor por que não valeria para o maior? Prefeitos são eleitos pelo voto popular tanto quanto a presidente.

O Brasil realmente anda estranho sim quando o partido da presidente está em grande parte atrás das grades e ela acha que não tem nada a ver com isso.

A estranheza de Dilma tem outro nome. O receio de ser mandada embora um anos depois de ser eleita. Mas isso faz parte do jogo democrático que está sendo jogado queiram ou queiram os poderosos de então.

*Terezinha Nunes é presidente do PSDB Mulher-PE