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“Levanta da cadeira, presidente!”, por Terezinha Nunes

terezinha-fotojoaobitA falta de paciência com a demora na solução das crises políticas brasileiras, sobretudo quando dependem de um ato de vontade, levaram em anos recentes a episódios inusitados e de alta repercussão na sociedade. “Sai daí, sai rápido, Zé,” bradou em depoimento na comissão de ética da Câmara em 2005 o deputado Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão e culpou o ministro da casa civil, José Dirceu, de ter comandado o esquema.

Há duas semanas foi a vez da deputada federal tucana Mara Gabrilli passar uma descompostura no presidente da Câmara Eduardo Cunha que teima em presidir a casa sem ter mais condições para isso : “O senhor não consegue mais presidir. Levanta dessa cadeira, por favor” – afirmou Mara.

Depois desses dois desabafos, Zé Dirceu não foi mais o mesmo. Acabou afastado e hoje está preso, como todos sabem. O deputado Eduardo Cunha teima em continuar onde está mas ninguém mais aposta em sua permanência.

Um simples desabafo, mesmo que ecoe na sociedade, como foram os casos, não é capaz de derrubar “majestades” como Dirceu e Cunha mas, ditos na hora apropriada, foram o empurrão final na boca do despenhadeiro.

Da mesma forma, uma frase, um gesto, não serão suficientes para convencer a presidente Dilma a renunciar, fazendo o que nove entre dez brasileiros desejam nesse momento, a julgar pelo seu baixo índice de aprovação. Poucos, porém, acreditam que ela conseguirá se manter no cargo até o final do seu mandato.

Aparentemente livre do impeachment até o final do ano – sobretudo depois que Cunha assumiu o protagonismo da crise envolvendo-se até o último fio de cabelo na corrupção – Dilma vê a cada dia os problemas se agudizarem sem qualquer saída à vista.

O final do ano se aproxima, a inflação chega aos dois dígitos, o desemprego já atinge 9 milhões de trabalhadores de carteira assinada, milhares de prefeituras vão deixar de pagar o 13.o salário e o mal desempenho das vendas no comércio até agora já arrepiam os cabelos dos comerciantes que, em tempos normais, faturam no mês de dezembro o suficiente para segurar a baixa temporada entre janeiro e março.

Quem tinha esperança em 2016, apesar dos prognósticos negativos, caiu na real quando o próprio Palácio do Planalto já prevê que o PIB será negativo em 1,9% no próximo ano – antes a projeção era de 0,2% – e que a inflação permanecerá fora da meta. O desemprego ninguém sabe ainda onde vai parar.

Para completar o quadro, o episódio do senador Delcídio Amaral, preso e desmoralizado ainda na condição de líder do Governo e a delação de Nestor Cerveró que vai contar a verdade sobre Pasadena e o que Dilma sabia da manobra, pode colocar uma pá de cal na reputação da presidente e deu criador Lula da Silva.

Quem de alguma forma ainda tinha dúvida de que poderia se segurar não acredita mais. O senador Aécio Neves é claro: “a presidente não tem mais condições de governar o país”.

O deputado federal Jarbas Vasconcelos, do PMDB, vaticina: “ se não renunciar sofrerá impeachment. Não há como segurar”.
O “levanta da cadeira, presidente” só terá efeito imediato se a população se mobilizar, é o que todos acreditam. As próximas semanas pela crise e pela Lava Jato podem provocar isso. Disso não se tem mais dúvida.

O impeachment ou a renúncia nunca chegaram tão perto da presidente.