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“O desafio de ser mulher e negra na sociedade”, por Claudia Martins

Foto: Claudia Martins/PSDB Mulher Laranjal
Foto: Claudia Martins/PSDB Mulher Laranjal

Foto: Claudia Martins/PSDB Mulher Laranjal

Olá caros leitores !!

Ao ser desafiada a escrever algo no dia 20 de Novembro, dia Nacional da Consciência Negra, me passou pela cabeça várias idéias como: fazer um resgate da história de Zumbi, falar sobre a influência da cultura e do povo africano na evolução da cultura brasileira, entre outros assuntos.

Porém meus pensamentos viajaram, eu poderia falar de tudo que o povo já ouviu em algum momento da História, poderia também falar o que o negro gostaria de ouvir para massagear o seu ego ou ainda tentar fazer com que os brancos nos dê atenção neste dia. Eu poderia falar de tudo um pouco ou apenas reproduzir o que já é de costume.

Então enquanto Negra moradora da cidade de Laranjal Paulista, interior de São Paulo, cuja colonização foi italiana resolvi falar antes de tudo um pouco do contexto em que fui criada.

Somos em três irmãs, em casa fomos bem criadas pelos nossos pais e familiares, os costumes africanos faziam parte de nossa vida, mas de maneira sutil, pois a dominância de outra cultura (italiana) logicamente era mais forte no contexto social em que vivemos até hoje.

Crescemos eu e minhas irmãs orientadas por nossos pais de maneira natural sem nunca nos” preocuparmos com a nossa cor”, pois para minha mãe criar mulheres enquanto Negras nessa sociedade é mais difícil devido os padrões de beleza pré estabelecidos. Nossos pais sempre nos fizeram participar de todos os eventos sociais e culturais da cidade, sempre fomos chamadas pelo nosso nome nunca nos referimos a nossa cor para podermos nos identificar e nem fazíamos isso com o outro, respeito sempre esteve acima de tudo, respeitar e se dar o respeito. Sempre entramos e saímos de qualquer lugar sem pensar ou questionar se por nossa cor seríamos aceitas.

Hoje na idade adulta me interessei pela política, sou Presidente do PSDB Mulher na minha cidade, passei a fazer parte de segmentos de Igualdade Racial e a partir daí me despertei para fazer com que os negros da minha cidade se interessem por nossa cultura, que não tenham medo ou vergonha de dizer que não conhecem a cultura Africana, afinal fomos criados em outro seguimento (cultura Italiana). Porém não podemos continuar na ignorância pois é necessário conhecer para Proteger.

E se falando em conhecimento, escolhi então abordar a lei 12.711 de 29 de agosto de 2012, dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências (Lei de Cotas).

E ainda a Constituição Federal art 3º As políticas Públicas de Afirmação de Direitos são , portanto Constitucionais e absolutamente necessárias para que o art 5º da mesma Constituição seja real. Art5º refere-se a igualdade formal de todos os cidadãos perante a lei.

Cursei a faculdade numa instituição particular por motivos pessoais e por naquele momento ter filho pequeno; na época se falasse em cotas comigo a resposta era :

“ SOU CONTRA, não precisamos de cotas estará no cargo ou na faculdade Quem merecer”.

“Santa Ignorância…”

Após conhecimento, estudo e atualização, hoje a minha resposta mudou, hoje a minha resposta é:

“ SOU A FAVOR DAS COTAS”

Se você vai usufruir das cotas é uma coisa , mas ninguém nos dias de hoje pode se deixar influenciar do contrário, pois as cotas nada mais é do que uma vitória democrática, pois nessa condição, há um passado de lutas, de sofrimento, de derrota e também de conquistas . Então com esta lei podemos afirmar que… Há um compromisso assumido. Há um direito realizado.

Só cotas para negros? Não … Cotas para as Mulheres na política !!!!

Sinto o preconceito na pele, duas vezes por ser negra e por ser Mulher , a sociedade brasileira, fortemente patriarcal, tendo o pai da família e o homem no centro das discussões políticas na sociedade, desde seus primórdios, reserva às mulheres os assuntos do lar e, do século XX pra cá, a realidade da dupla ou até tripla jornada (mãe, dona de casa e trabalhadora). Essa realidade é refletida nas baixas taxas de participação política feminina. Não é fruto do acaso, muito menos biológico, a ausência de interesse de grande parte das mulheres na política e, sim, fruto da estrutura de oportunidades da sociedade e do campo de disputa de poder que exclui sistematicamente aqueles que possuem menos recursos e acúmulo de capital político e social. Se as mulheres não possuem portas de entrada, dificilmente irão acumular esses capitais.E isso não é uma questão de falta de mérito.

Então caras colegas se apropriem do que é seu por direito e faça valer as leis que já existem e só precisam ser aplicadas na integra e verdadeiramente.Para que nós enquanto Mulheres e Negras possamos assumir o lugar que desejarmos, nos vestir como quisermos e usar nossos cabelos como quisermos o que você gosta de usar enquanto moda ou estilo não faz de você menos Negra por isso ,não importa o visual que você queira ter o que importa é você saber que enquanto conhecedora de seus direitos você pode tudo.

Tudo o que quiser…

É só batalhar por isso…

*Claudia Martins é Pedagoga, Pós Graduada em Psicopedagogia e Psicomotricidade, atua como Professora de Educação Infantil na Prefeitura de Tietê, Coordenadora Pedagógica na cidade de Laranjal Paulista – (Instituição Filantrópica) e Presidente do PSDB Mulher de Laranjal Paulista.