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“As pedaladas na boca do povo”, por Terezinha Nunes

Terezinha NunesRecentemente, antes do pronunciamento do TCU, o ex-presidente Fernando Henrique chamou atenção – com razão – para a dificuldade de se explicar à população brasileira o que é “pedalada fiscal”, caso viesse a ser esse o motivo de impeachment da presidente Dilma.

Conhecedor da necessidade de buscar apoio popular para a retirada do mandato de alguém que foi eleito há um ano, tendo cumprido apenas dez meses de um mandato que dura 4 anos, FHC mostrou a necessidade de decodificar a linguagem usada por juristas e por políticos que entendem do riscado mas que é incompreensível para a grande maioria dos brasileiros.

Realmente, por mais que a mídia venha expondo o assunto há alguns meses e que na última semana, depois que o TCU recomendou ao parlamento a rejeição das contas da presidente, esse tenha se convertido no assunto principal do noticiário, é difícil encontrar uma pessoa comum que consiga explicar o que está acontecendo.

Deve ter alguém que esteja confundindo pedalada fiscal com o movimento que se faz para colocar uma bicicleta em movimento. Na linguagem metafórica seria possível explicar por aí mas não se busca metáfora e sim a realidade palpável.

Na verdade, se a presidente perdesse o mandato via Operação Lava Jato o povo entenderia o porquê. Este nome já virou sinônimo de corrupção. A mentira pregada por Dilma também é algo mais comum na linguagem popular. Ninguém gosta de mentiroso, o mentiroso não tem crédito e é comum a citação do ditado popular “mentira tem pernas curtas”. Mesmo assim o simples reconhecimento de que a presidente mentiu pode não ser suficiente.

Quanto às pedaladas, a linguagem mais clara já utilizada para falar delas foi utilizar o exemplo da família que quando gasta mais do que tem acaba no SPC-Serasa ou pendurada no cartão de crédito. E de crédito todos entendem sobretudo depois da farra feita com esse nome na época em que o PT estimulou o consumo em longas prestações mensais.

Há, porém, algo mais simples e que algumas pessoas, de sabedoria popular, já começam a desenvolver para explicar aos mais desinformados o que está acontecendo.

E não é tão difícil.

Do mais rico empresário ao mais pobre trabalhador, todos os brasileiros têm algum motivo de arrependimento sobre o que foi adquirido em 2014 ou mesmo investido no momento em que a economia já estava no vermelho e se imaginava que não era bem assim. Quantos compraram casas, carros, outros bens de consumo, roupas, calçados, achando que poderiam pagar?

Alguém tem dúvida de que quando as pessoas mais comuns entenderem que no momento em que compravam o faziam porque Dilma dizia na TV que estava tudo bem quando na verdade não estava, a presidente vai ser absolvida ou entendida? E por que Dilma conseguiu enganar mesmo quem era letrado? Porque fez manobras na administração transferindo ilegalmente verbas de um lugar para outro, fazendo empréstimos escondidos entre bancos públicos e toda sorte de outras trapaças para esconder o rombo nas contas governamentais.

De rombo e trapaça todo mundo entende.Se em 2014, como sabemos agora, Dilma tivesse falado a verdade não só a economia macro do país estava muito melhor como a economia doméstica. As pedaladas encobriram tudo isso.

Aliás, por falar em pedaladas, na semana passada em encontro em Brasília o prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda resumiu com bom humor o drama provocado pela crise federal nos municípios: “ queremos saber como pagar as contas e sem a possibilidade de fazer pedaladas”.

*    Terezinha Nunes é presidente do PSDB Mulher de Pernambuco

** Portal PSDB-PE