ArtigosImprensa

“O que é melhor para o Brasil?”, por Mariana de Azambuja Cardoso

Arquivo pessoal de Mariana de Azambuja Cardoso
Arquivo pessoal de Mariana de Azambuja Cardoso

Arquivo pessoal de Mariana de Azambuja Cardoso

O que é melhor para o Brasil?

O impeachment? A cassação? A renúncia?

Ou deixar o PT sangrar?

Meu estômago grita: FORA DILMA!

Mas minha cabeça diz: CALMA! Há que se avaliar o cenário, a médio e longo prazo.

Se esse conflito interno já vinha ganhando forca à medida que os sinais da crise econômica se tornavam cada vez mais palpáveis e preocupantes, com o anúncio de uma inédita meta orçamentária negativa para 2016, ele tomou proporções extraordinárias.

Não só porque começar o ano com um rombo anunciado de mais de R$ 30 bilhões nas contas publicas é devastador, mas principalmente porque esse anúncio veio de um governo que, até semana passada, sequer reconhecia a gravidade da situação econômica, preferindo tapar o sol com a peneira, atribuindo a responsabilidade pela recessão brasileira à uma inexistente crise internacional.

Esse mesmo governo que, em outubro de 2014, foi reeleito se valendo de mentiras, dados camuflados, números maquiados, além de vãs e levianas promessas de que a inflação estava sob controle, de que a economia iria crescer e o desemprego não assombraria os brasileiros. Não custa lembrar, desmentindo o que foi dito em campanha, o PIB caiu mais 1,9% neste segundo semestre, o dólar atingiu R$ 3,75 – seu maior valor desde 2002a inflação ultrapassou o teto da meta já em agosto e, consequência natural de tudo isso, o desemprego é galopante.

No mais, em novembro de 2014, apenas um mês apos dita reeleição – alcançada graças à massificação da imagem ilusória de um país próspero, a base governista não mediu esforços para (em uma estratégia nojenta para proteger a presidente de ser enquadrada em crime de responsabilidade fiscal) mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias daquele exercício, que previa um superávit primário de R$ 167 bilhões quando, na realidade, o que se tinha era um quadro deficitário que ultrapassava R$ 15 bilhões.

O que é pior? Esse déficit bilionário já tinha sido amortizado pelas famosas pedaladas fiscais – que, entre 2012 e 2014, envolveram cerca de R$ 40 bilhões. E as pedaladas continuaram (quiçá, ainda continuam) em 2015…

Ou seja, o governo ora mente e esconde, ora omite e ameniza o resultado de sua inequívoca incompetência. Essa é a regra. De tal modo que, embora R$ 30 bilhões seja uma quantia astronomicamente vultosa e inadmissível de ser apresentada como meta orçamentária negativa de um país, provavelmente esta muito aquém da verdadeira quantia que, no fim das contas, será repassada ao contribuinte.

Afinal, para alcançar esse número, o governo está contando não só com o fim da recessão e com uma taxa de inflação que não ultrapasse os 5% em 2016 – ambos os cenários risivelmente otimistas – mas também com a colaboração do Congresso Nacional para aprovar uma série de medidas que onerarão ainda mais o povo brasileiro. Sem falar que, agora sim, existem reflexos internacionais no Brasil, decorrentes da instabilidade econômica na China.

Mas o foco aqui não é simplesmente atestar o absurdo que é a população pagar a conta da tenebrosa gestão da presidente Dilma que, ao invés de efetivamente cortar ministérios e mais da metade dos cargos comissionados, além de cartões corporativos e demais gastos supérfluos de seu séquito, prefere sobrecarregar ainda mais a população, com aumento de alíquotas e criação de novos impostos (sem esquecermos da tentativa de ressuscitar antigos tributos, como o CPMF – essa, graças aos céus, já abandonada).

Tampouco a ideia, nesse texto, é especificamente se revoltar contra o governo de um país que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, mas, ainda assim, de tão incompetente e corrupto que é, consegue a façanha de gastar bilhões de reais a mais do que arrecada, levando o país à bancarrota.

O objetivo é, diante desse grave cenário de crise econômica aqui mencionado, tentar responder ao questionamento inicial: o que é melhor para o Brasil?

Devemos torcer para que o Tribunal de Contas da União rejeite as contas e as explicações prestadas pela presidente e, configurado o crime de responsabilidade fiscal, que ela sofra o impeachment?

Ou é melhor torcermos para que o Ministro Gilmar Mendes continue implacável e, depois de driblar as tentativas do recém reconduzido Rodrigo Janot de proteger Dilma, consiga que os indícios de irregularidade na campanha petista de 2014 sejam investigados e, confirmado o uso de dinheiro lavado do Petrolão, o Tribunal Superior Eleitoral decida pela cassação do mandato presidencial – que alcançaria também o vice-presidente?

Ou, quem sabe ainda, o melhor fosse Dilma reconhecer as evidentes crises de legitimidade e governabilidade pelas quais está passando e, diante dos fatos, renunciar ao cargo?

Em outras palavras, é melhor torcermos para Michel Temer assumir a presidência (impeachment ou renúncia) ou para que novas eleições sejam realizadas (cassação)? É melhor que Dilma se retire ou seja retirada?

Pessoalmente, se tivesse que escolher um dos três, optaria pelas vantagens da renúncia. Além de mais rápida, não daria espaço para uma vitimização da turma do PT, alegando que Dilma sofreu um golpe da direita fascista, orquestrado pela Rede Globo, pela Veja e todo aquele blá blá blá que estamos carecas de conhecer.

Por outro lado, nesse cenário econômico caótico que a incompetência de nossa governante nos proporcionou, acho que seria importante o povo escolher seu novo presidente, para ter maior tolerância com os ajustes necessários para tirar o Brasil da lama, depois de juntar os cacos da massa falida que será deixada pela ‘gerentona’ do Lula.

Isto porque, a verdade é que nem Temer nem qualquer candidato que seja eleito agora será capaz de fazer milagre e, de uma hora para outra, consertar o resultado catastrófico do desgoverno petista. Para o país sair do buraco negro que se encontra, levará tempo e dependerá de medidas extremas e bastante impopulares.

Obviamente, por tudo que tratamos aqui e muito mais, Dilma merece sair e, saindo, um sentimento de esperança tomaria conta de boa parte da população. Mas quanto tempo isso duraria? O bolso das pessoas não vai parar de doer e, inevitavelmente, a insatisfação acabaria voltando.

Não ia demorar muito para o PT –  de novo desempenhando o seu melhor papel: ser oposição – embutir na cabeça das pessoas que a culpa não era da Dilma, que ela saiu e continuou tudo igual, que na época do Lula o Brasil era uma maravilha e que só ele pode fazer o pobre voltar a comprar bens de consumo e o Brasil voltar a crescer. Vale lembrar que, semana passada, Lula já se lançou candidato em 2018… Pode ser que ele esteja preso ate lá. Ou não. E as pesquisas mostram que ele perdeu força, mas continua vivo.

E aí, o que é melhor para o Brasil? Insistir no FORA DILMA agora ou, estrategicamente e com inteligência, deixá-la tomar seu próprio veneno, enfraquecendo por tabela seu partido e seu criador e, em 2018, alcançarmos a verdadeira e definitiva salvação para o país, o FORA PT? Fico com a segunda opção – mas o conflito interno persiste.

*Mariana de Azambuja Cardoso é advogada, editora, colunista política da revista digital UN1DADE e vice-presidente do PSDB Mulher municipal/RJ.