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“O morto carregando o vivo”, por Terezinha Nunes

Foto: PSDB-PE

terezinhaNos folguedos populares de Pernambuco uma figura, ao mesmo tempo fascinante e aterradora, permeia o universo do bumba-meu-boi e às vezes atrai mais atenção do que o próprio protagonista que é, sem dúvida, o próprio boi. Trata-se do morto-carregando-o-vivo uma mistura de gente e boneco que dá aos menos avisados a impressão de que é o boneco que carrega o brincante, no caso, o ator, e não o contrário.

No cenário político brasileiro de hoje dá cada vez mais a impressão de que temos um morto tentando carregar um vivo ou, não seria impróprio dizer, que há um vivo carregando um morto.

Sabe-se quem são os dois personagens. Não se sabe, porém, em que posição se encontra cada um. Se no lugar do vivo ou no lugar do morto. De qualquer forma um não vive sem o outro e, por conta disso, carregam a sina de se manter atrelados no seu infortúnio, tentando, cada um a seu modo, escapar da morte política que aparece à sua frente.

Assim estão a atual presidente Dilma e o ex-presidente Lula que, a esta altura dos acontecimentos e após brigas surdas intramuros, buscam tentar uma saída para respirar em meio à crise econômica, política e ética que atinge a eles próprios e ao PT, o partido em cujos tentáculos se agarraram para se manter no poder.

Uma evidência pelo lado da presidente Dilma foi sua decisão de sugerir a interlocutores que é preciso defender e preservar Lula. Não faz muito tempo a imprensa registrou os aborrecimentos da presidente com seu criador e as conversas inamistosas que os dois tiveram no auge da operação Lava Jato.

Pelo lado do ex-presidente, antes prepotente e tentando jogar seus defeitos na oposição, surgiu a proposta, vazada de encontros que teve no Instituto Lula, de uma conversa com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para , a pretexto de discutir a situação do país, tentar arrancar um compromisso de salvar Dilma do impeachment.

Nos dois casos o tiro saiu solenemente pela culatra. Não há qualquer evidência de que exista alguém no PT ou ao redor dele, capaz de livrar Lula das investigações em curso realizadas pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal. No caso do diálogo com o PSDB o próprio FHC e as lideranças do partido no Congresso rechaçaram de pronto um entendimento.

Afeito ao diálogo, Fernando Henrique explicou que qualquer conversa não pública no momento atual seria vista como “um conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo”.

Dilma e Lula resolveram então apelar para o Nordeste e anunciaram que viajarão à região em agosto para tentar recuperar os índices de aprovação perdidos. Afinal Dilma teve na região 12,2 milhões de votos a mais que o senador Aécio Neves em 2014 quando sua vitória a nível nacional foi de apenas 3,4 milhões de votos. A julgar pela insatisfação dos nordestinos com Dilma e também com Lula, como mostram as últimas pesquisas, é difícil reverter o quadro adverso.

Se as visitas ocorressem em pleno carnaval, quando o bumba-meu-boi sai pelas ruas da capital e do interior divertindo crianças e adultos, não seria impróprio que a presidente e seu criador, que acumulam enorme desgaste em um curto período de tempo, fossem comparados ao infortunado morto que carrega o vivo, com enorme sacrifício, por todo o período de Momo.

* Terezinha Nunes é presidente do PSDB Mulher de Pernambuco

**Fonte: Assessoria de Imprensa do PSDB-PE