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PSDB-Mulher DF visita entidade escolhida para receber Medalha Ruth Cardoso

Jussara Meguerian, fundadora da FALE, entre Luciana Loureiro e Sandra Quezado, do PSDB-Mulher, na horta comunitária

Sandra Quezado na FALEBrasília (DF) – O PSDB-Mulher, a cada dois anos, distribui a Medalha Ruth Cardoso, criada em 2009 para distinguir projetos e personalidades que se destacam na defesa dos direitos da mulher. A premiação deste ano vai ocorrer em data a ser divulgada.

Alguns critérios são essenciais na escolha do agraciado; o desenvolvimento, a autonomia, a inclusão de grupos e comunidades e o fortalecimento do poder de ação e decisão das mulheres; e o combate às desigualdades sociais e de gênero, o desenvolvimento sustentado, a divulgação do conhecimento, a capacitação profissional, o trabalho solidário e voluntário, a igualdade de oportunidades, cujos resultados tenham promovido a elevação do nível de vida das populações beneficiárias.

Aqui no PSDB-Mulher DF, depois de uma reunião em que foram analisadas as três indicações, acabamos escolhendo a Fraternidade Assistencial Lucas Evangelista – FALE, fundada em 1990 por Jussara Meguerian, para abrigar e assistir portadores do vírus HIV em Uberlândia/MG. Em 1994 Jussara e o marido vieram para Brasília e trouxeram a FALE com eles.

Definida a premiada, o PSDB-Mulher DF, resolveu ir até o Recanto das Emas para conhecer Jussara e a FALE, que atualmente abriga 180 internos, entre adultos e crianças, e avisar pessoalmente que os havíamos escolhido para receber a Medalha Ruth Cardoso, pelo Distrito Federal. Participaram do encontro a presidente do PSDB-Mulher DF, Sandra Quezado, Luciana Loureiro e Beatriz Ramos, do PSDB-Mulher Nacional. Foi uma excelente ideia, saímos de lá certas de haver feito a melhor opção.

“Estou impressionada com a dinâmica de atendimento da FALE que acolhe as pessoas portadoras do vírus HIV, principalmente mulheres, como se fossem uma grande família, onde todos cuidam de todos”, comentou Sandra Quezado.

Começo

Jussara Santos Meguerian é a FALE, e o contrário também é verdadeiro. Foi da cabeça e da vontade desta mineira que nasceu uma instituição sem fins lucrativos, em uma época em que pacientes com AIDS eram discriminados em todo o mundo. Em 1990 ela os levava para casa, mas a superlotação do ambiente fez com que o marido sugerisse que começassem a procurar um abrigo permanente. Assim fizeram e nasceu a FALE de Uberlândia/MG, até hoje em atividade.

Quatro anos depois o casal foi transferido para Brasília e trouxe a FALE junto. Instalada no Recanto das Emas, a instituição, sem fins lucrativos, já conta com mais de vinte anos de dedicação à assistência emocional, educacional e material a famílias que têm entre seus membros pessoas vivendo om o vírus HIV, ou portadores de outras doenças incuráveis.

Resiliência

Nada é muito fácil para a FALE, a começar pela manutenção da terra em que se encontram; doação do GDF em 1994, com documento assinado, de onde já foram ameaçados de despejo duas vezes; coincidentemente, ambas em gestões ditas do povo. Acordo firmado com o governo atual reduziu o terreno, mas garante a posse da área mais ocupada pelo projeto, espera-se que permanentemente.

A valorização do lugar fez vítimas; algumas casas serão demolidas, internos realocados. Esforço jogado fora, porque nada ali vem de dinheiro público de qualquer espécie. Todas as 32 casas da FALE foram construídas pelos internos, com material de construção de 2ª mão doado. As que vão abaixo farão falta, porque a incidência da AIDS voltou a crescer entre a população brasileira, não há espaço vago por lá.

O único apoio do Estado recebido pela entidade é o coquetel de medicamentos para o vírus HIV, fornecido aos doentes. O resto é garantido por doações, empenho e muito carinho, temperado pela disciplina de Jussara, que conta, orgulhosa, ter conseguido diminuir a transmissão mãe/filho com medidas simples, como evitar que portadoras amamentem seus filhos recém-nascidos.

Pensando bem, o Estado mais atrapalha do que ajuda. Há algum tempo a FALE recebia doações em remédios, com receita médica para cada doente, e isso tornava bem mais fácil a vida dos mais fragilizados, ou das crianças pequenas. Até o dia em que passou por lá um inspetor da ANVISA e ameaçou Jussara de prisão, caso não houvesse um farmacêutico responsável. Parou-se a distribuição, os doentes passaram a depender de transporte para conseguir a medicação necessária. Embora correto no cuidado, previsto em lei, o GDF perdeu uma ótima oportunidade de ajudar, colocando um farmacêutico no local, uma ou duas vezes por semana.

Mutirão

Na FALE o coletivo sempre se sobrepõe ao individual. As casas são erguidas em regime de mutirão e, embora quase todas tenham cozinha, é na do refeitório comunitário que são preparadas as cinco refeições diárias de todos os moradores. Todos se revezam no preparo e na administração da despensa e o controle da limpeza do lugar é rígido, inclusive nas casas. Como a saúde de muitos é frágil, não se admite sujeira e as inspeções são constantes.

Não há um funcionário sequer na instituição. Todo o trabalho é feito pelos próprios internos e voluntários. Os que podem, trabalham fora. Os que ficam na FALE cuidam da horta comunitária e da manutenção do lugar, olham as muitas crianças que brincam soltas.

Solidariedade

A iniciativa de Jussara Meguerian, mais do que abrigar, devolveu dignidade e autoestima a uma parcela da população que normalmente é invisível: ex-drogados; homossexuais, moradores de rua e ex-prostitutas, encontraram lá a oportunidade de criar suas famílias de cabeça erguida. Seus filhos estudam, recebem dos voluntários reforço escolar semanal, brincam de barriguinha cheia.

O ambiente é de cidade pequena, todos conversam, as crianças brincam juntas, há serenidade e companheirismo no ar. Todas as mães cuidam de todas as crianças; se uma delas adoece, as outras, automaticamente, cuidam dos filhos da doente. Se uma delas morre, uma das famílias pede a guarda das crianças, para que não saiam do abrigo e percam suas referências de vida, seus amigos.

O PSDB-Mulher DF conheceu lá internos que chegaram aos cinco anos, perderam os pais, casaram e hoje criam na FALE seus filhos pequenos. Outras famílias viram na instituição os filhos crescerem, e agora aumentam suas casas, para acomodar o neto que está chegando.

Sobrevivência

Os moradores da FALE sobrevivem de doações, e do voluntariado, quem quiser ajudar pode contribuir com absolutamente tudo, porque eles precisam de tudo.

Com uma população de 180 internos e muitas crianças, comida, brinquedos e material de limpeza estão no topo da lista, mas eles precisam muito de material de construção, móveis, roupas, material escolar, o que você tiver sobrando e não quiser mais. Para doar é só entrar em contato, os dados estão aqui. Se resolver aparecer é sempre bom dar uma ligada antes para agendar. Afinal de contas, exatamente como nós, eles gostam de arrumar a casa para receber as visitas.

Endereço: Quadra 108, Chácara 11, Núcleo Rural Vargem da Benção

Recanto das Emas – Brasília – DF

CEP: 72601-014

Telefone: 3331-3556

Responsável: Jussara Meguerian

E-mail: junior2010@bol.com.br