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“O fracasso econômico é culpa do PT”, por Matheus Leone

O fracasso econômico é culpa do governo.matheus leoneQue a situação econômica não vai bem o cidadão brasileiro já sabe. Mais do que saber, os brasileiros já sentem no bolso os efeitos da má gestão econômica que começou em meados da década passada. A economia brasileira se sustentou bem até 2008, principalmente porque o governo do presidente Lula teve a sabedoria de manter o tripé econômico elaborado e implementado pelo governo do PSDB nos anos 90. A coisa desandou mesmo na solução encontrada pelo governo petista para que o país não entrasse na crise econômica mundial.
Adotou-se uma postura econômica que visava incentivar o consumo, principalmente de carros e eletrodomésticos, para que o país não entrasse em recessão. Como toda medida desse caráter, ela de fato impediu que o país tivesse uma recessão, mas obviamente não resolveu o grande problema da nossa economia que perdura desde aquele período: os gargalos de competitividade.
Apostou-se na oferta de crédito que gerou endividamento das famílias brasileiras que não mais consumem como consumiam em 2008 e 2009. Daí podemos claramente notar o pífio desempenho econômico desde 2011. O país cresce, hoje em dia, graças ao desempenho do agronegócio, desempenho esse que ocorre apesar do governo.
Mas cabe a pergunta: por que nosso país não consegue ter um crescimento sustentável? Vários são os fatores, mas os principais dizem respeito a uma infraestrutura capenga, legislação trabalhista arcaica, carga tributária massacrante, burocracia demasiada e intervenção estatal indevida no mercado.
Sem infraestrutura (que envolve desde fornecimento e preço da energia elétrica até situação das rodovias, portos, hidrovias e aeroportos) os produtos brasileiros perdem competitividade. Basta ver o agronegócio, que produz de forma eficiente e competitiva da porteira para dentro. A situação complica quando quase metade da carga é perdida ao longo do caminho em estradas esburacadas, ou quando estraga por passar até meses nos portos. O governo prometeu energia elétrica mais barata para todo o país, mas com o intrometimento indevido do governo no setor o que ocorreu foi o contrário, houve um encarecimento da energia, que logicamente é repassado para o preço final dos produtos, gerando inflação. Isso sem mencionar os gastos federais com subsídios para o setor elétrico, que já ultrapassam o valor gasto na Copa do Mundo, subsídios esses oriundos dos impostos pagos pelos trabalhadores.
Carga tributária e burocracia caminham juntas. O produtor e o consumidor brasileiros pagam imposto demais, e um imposto complexo e burocrático. Há burocracia até para pagar o imposto. Imposto e custos burocráticos também são repassados para os produtos, retirando qualquer chance de competitividade no mercado internacional. O Brasil precisa de uma reforma tributária que simplifique os tributos e que, o mais importante, reduza-os. Não é possível, também, que para se abrir uma empresa no Brasil o empreendedor demore mais de 100 dias, enquanto em economias inovadoras como os EUA o tempo médio é de 5 dias.
Todas essas questões entram na intervenção indevida no Estado no ambiente econômico. O encarecimento da energia elétrica tem causa justamente numa tentativa do governo de forçar para baixo os preços ignorando a lógica de mercado. Tentou se repassar os prejuízos da redução para os fornecedores de energia, alguns eles empresas estaduais. O déficit ultrapassa os bilhões de reais, que mensalmente é repassado para os consumidores. Podemos falar também na questão do salário mínimo. Óbvio que o aumento no salário mínimo é importante para dar uma vida digna aos trabalhadores e suas famílias, mas o aumento no salário mínimo não tem acompanhado um aumento na produtividade do setor privado, o que acaba onerando ainda mais e reduzindo cada vez mais a competitividade num círculo vicioso que requer coragem e competência para ser rompido.
Por essas e outras questões podemos ver o mau resultado do Brasil em pesquisas como a realizada pela FGV e pelo instituto de pesquisa alemão, Ifo. O estudo avaliou o clima econômico (atual e suas perspectivas) de países ao redor do mundo. A América Latina já não tem um bom clima, mas dentro dela o Brasil aparece atrás de países como Bolívia e Argentina. A deterioração da posição brasileira no estudo deu-se à falta de compromisso do governo com a meta de inflação e com a insuficiência do superávit primário para manter a dívida pública sobre controle.
Na América Latina a pontuação brasileira foi maior apenas que a da Venezuela. Essa é a prova de que estamos no caminho errado. Os rumos precisam ser mudados, pois toda a população está tendo que arcar com os delírios ideológicos do governo, que ignora a existência do mercado achando que tudo pode ser resolvido com uma canetada no Planalto. Difícil é manter no governo um partido que não acredita no mercado. Talvez seja por isso que todas as vezes que Dilma cai em uma pesquisa de intenção de votos a Bovespa dispara.
* Matheus Leone é do PSDB-DF