
Um estudo feito pelos demógrafos Suzana Cavenaghi e José Eustáquio Reis para a Escola Nacional de Seguros, com base nos dados do IBGE, revelou que o número de mulheres que assumiram o papel de chefe de família dobrou de 15 anos para cá.
Os especialistas apontaram uma mudança no comportamento das próprias mulheres frente ao orçamento familiar e analisaram a presença feminina nas famílias e no mercado de trabalho ao longo deste século. O estudo começa em 2001 e vai até 2015.
Em 2001, cerca de 14 milhões de mulheres que se declaravam chefes de família. No ano de 2015, esse número aumentou para 29 milhões, mais que o dobro, segundo o levantamento.
Para a presidente do PSDB-Mulher do Ceará, Sheila Diniz, os dados levantados confirmam a mudança na composição das famílias brasileiras.
“As mulheres passaram a contribuir e a administrar as contas de casa, papel esse que era do homem antigamente. Elas passaram a entender como funciona orçamento doméstico e com o dinheiro do próprio trabalho ajudar em casa. Elas estão participando e ajudando mais ”, concordou Sheila.
A tucana enfatizou que com as conquistas femininas como, por exemplo, mais espaço no mercado de trabalho, mais acesso à educação e a setores que antes eram predominantemente masculinos, fez com que a autoestima das mulheres aumentasse e com isso a atitude de tomar à frente do comando familiar.
“Nós mulheres trabalhamos duro e sabemos o valor de cada centavo. Estamos na luta há muito tempo. Nós estamos trabalhando mais, nos capacitando mais e é natural que a gente queira assumir o comando e arrumar as coisas do nosso jeito”, completou.
Os especialistas destacaram que a partir da redemocratização, quando teve início o estudo, as mulheres que se declaravam chefes de família geralmente eram mães solteiras, moravam sozinhas ou não eram casadas.
No entanto, neste século, as mulheres estão assumindo a função da chefia familiar mesmo sendo casadas. O estudo mostra que em 2001 as mulheres casadas e com filhos que se declaravam chefes de família eram de 1 milhão. Em 2015, este número subiu para 6 milhões.
Para Sheila o dado é positivo desde que os homens continuem ajudando nas despesas e nos trabalhos domésticos. “O que queremos é igualdade e não inversão de papéis. Os homens não podem se acomodar a esta nova realidade e sobrecarregar as mulheres com as responsabilidades da família”, advertiu.