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“Mexeu com Uma Mulher”, por Adriana Vilela Toledo

Tem gerado grande interesse o caso do assédio vivido pela figurista da rede Globo. Certamente o interesse vem do fato de o agressor ser um artista de sucesso e de grande popularidade como “galã garanhão”. A carta publicada por Susllen é forte e deixa explícito como age o machismo. Explicita a forma desrespeitosa e até vulgar como muitos e muitos homens abordam as mulheres no ambiente de trabalho, com o único objetivo – seduzi-la. Quem de nós nunca foi abordada dessa forma? Quem não foi assediada e depois ouviu a famosa “foi brincadeira”? Quem de nós já não foi hostilizada como ela, que foi chamada de vaca publicamente, simplesmente porque a cantada não foi aceita? Atrevo-me a dizer que depoimentos como os da figurinista tem aos montes. Toda mulher tem várias histórias como essa para contar. Todos os dias centenas de mulheres são agredidas, sofrem discriminação, assédio sexual, assédio moral, e ainda a gente que ache que isso seja normal, natural e até culpa a própria mulher. Fico pensando, e se ela fosse uma faxineira, como ouvi de amiga, será que encontraria apoio, ou seria demitida? E quantas não denunciam e se desequilibram emocionalmente com o assédio e a humilhação? Quantas de nós não se identificou com o sentimento de vergonha e arrependimento que ela relata por não ter tido forças de ter denunciado antes? Submeteu-se ao assédio por oito meses antes de ter coragem de explicitá-lo. Susllen teve que ter sangue frio e equilíbrio para reunir as provas necessárias para se expor. Mas o contemporâneo dessa história está no fato de ele estar passando por essa vergonha pública. Está, na nota que foi obrigado a publicar, sob pena de perder sua posição de ídolo. Obrigado a admitir: “Eu errei. Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava”, numa sociedade onde a culpa é sempre da mulher, onde a mulher agredida normalmente e questionada por todos com um sonoro “O que você fez para apanhar desse jeito?”. Está, no apoio que ela recebeu da empresa Rede Globo, que agiu de forma exemplar manifestando publicamente o quanto foi grave o comportamento dele, inclusive punindo-o com o afastamento por tempo indeterminado de suas produções. Está na repercussão de apoio da imprensa em suas publicações e matérias e da sociedade nas redes sociais. E está, principalmente, na união das mulheres, na solidariedade de umas com as outras. A imensa dimensão que tomou a campanha ”Mexeu Com Uma, Mexeu com Todas”, demonstra a baixa tolerância que as mulheres estão desenvolvendo com os comportamentos machistas antes absolvidos pela sociedade. Demonstra também a união que estão construindo em torno de temas que afetam a todas todos os dias. Se durante muito tempo o assédio era invisível, agora as mulheres unidas demonstram que não vai mas colocá-lo debaixo do tapete. Susllen, em sua carta, diz: “Tenho que repetir como um mantra: a culpa não foi minha… E me sentiria eternamente culpada se não falasse. Precisamos falar. Precisamos mudar a engrenagem”. Acredito sim que estamos vivendo um novo momento. Desejo que cada dia mais mulheres se rebelem, rechacem essas atitudes e possam contam com a solidariedade de todas as nós.
É isso a Su, estamos mudando, Mexeu com Uma, Mexeu com Todas!

* Pedagoga, especialista em Administração Pública e Pedagogia Empresarial, Presidente do PSDB Mulher-AL

e Assessora Especial de Políticas Sociais da Prefeitura de Maceió