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“Por todas e por cada uma de nós”, Solange Jurema

Foto: Corbis Images
Foto: Javier-Texto:Betina/PSDB RJ

Foto: Javier/PSDB RJ

Mal o país se recuperou da notícia do estupro coletivo de uma jovem de 16 anos por uma dezena de homens, novos e lamentáveis episódios do mesmo gênero se repetem no Norte e no Centro Oeste brasileiro.

No Piauí, dois novos casos envolvendo menores de idade assustaram a todos nós pela violência e repetição, no mesmo estado, de um caso que horrorizou o país no ano passado, em Castelo do Piauí, quando uma jovem foi violentada e morta por cinco homens ao lado de três amigas também violentadas.

Brasília, capital do Brasil, também conheceu o estupro coletivo de uma jovem de 13 anos numa festa junina por três colegas de escola, e mais dois outros casos e dois assassinatos de mulheres nas duas últimas semanas!

A barbárie parece ser infindável.

Tanta violência contra a mulher tem que ter um basta da sociedade brasileira e uma ação rápida e eficaz do poder público.

O Estado – em todas as três instâncias, federal, estadual e municipal – tem a obrigação e o dever de se voltar para o problema de maneira séria, sistemática e efetiva.

O governo Michel Temer e a nova gestão do Ministério da Justiça precisam não só apresentar programas e projetos como atuar, logo, no sentido de atacar de frente esse problema.

Há muito a sociedade brasileira clama por uma completa reformulação da postura do Estado em relação a essa verdadeira tragédia,que nos envergonha como nação e nos faz contabilizar 49 atendimentos de estupro por dia na rede hospitalar pública e privada.

Um escândalo social inominável!

O que nos dá esperança é ver milhares de jovens mulheres se mobilizarem, irem `as ruas, ou mesmo em ambientes universitários, e denunciar os estupros, bradando palavras de ordem precisas e contundentes para combater a “cultura do estupro” que infelizmente prevalece na sociedade brasileira.

Do “respeita as minas” com sotaque paulistano, ao nacional “sem machismo” ao universal “o corpo é nosso”, estas palavras de ordem embalaram centenas de mulheres brasileiras em pelo menos duas dezenas de cidades brasileiras.

A convocação pelas redes sociais para uma das manifestações delas sintetiza muito bem o pensamento de todas as mulheres brasileiras, que por isso mesmo reproduzo aqui: “Estupro é crime e a culpa nunca é da vítima. Pelo Fim da Cultura do Estupro! Por todas as vítimas, por cada uma de nós, nenhum um segundo de silêncio. Uma vida inteira de luta.”

É uma luta de todas, apartidária e desafiadoras para todas nós brasileiras que defendemos e queremos a igualdade de gêneros.

*Solange Jurema é presidente do Secretariado nacional da Mulher/PSDB