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“Impeachment trocado em miúdos”, por Terezinha Nunes

Foto: PSDB-PE

Terezinha NunesEsta semana o Senado dará passos largos para a concretização do impeachment da presidente Dilma.

Conforme nove, de cada dez previsões feitas, a presidente será afastada de suas funções dando lugar a uma nova administração comandada pelo vice Michel Temer.

As últimas pesquisas indicam que já chega a 75% o apoio dos brasileiros à saída de Dilma que, como repete diariamente a imprensa, deixará o cargo por ter desrespeitado a Lei de Responsabilidade Fiscal, tomando empréstimos de bancos públicos para cobrir rombos no orçamento e de ter feito isso às escuras, sem submeter suas decisões ao Congresso Nacional, o que fere a Constituição.

A população brasileira que viu a deposição de Collor e a entendeu prontamente porque se tratava de um caso claro de corrupção está à espera de uma explicação mais clara sobre o que significam as pedaladas fiscais, linguagem entendida apenas pelos parlamentares que debatem o caso no dia a dia e ouvem reiterados pronunciamentos de juristas que são a favor e contra o impeachment.

Na falta de maiores explicações há de se perguntar: e porque mesmo não sabendo o que são pedaladas três quartos dos brasileiros sonham com a saída da presidente?

A resposta parece simples a quem diariamente convive com pessoas de diferentes estratos sociais : o povo entende apenas que Dilma o levou ao desemprego, à volta da inflação, a uma derrocada na prestação dos serviços públicos, sobretudo na área da saúde, e que o enganou quando disse, em 2014, para ganhar a eleição, que o Brasil estava bem e as famílias continuaram se endividando, pagando agora um alto preço por isso.

Com essa visão popular é impossível que o PT, na falta de argumentos, tenha êxito na sua acusação de golpe.

O recurso tem sido mais uma conversa pra boi dormir que só tem servido para deleitar a alma petista nos debates no Congresso e para agradar aos intelectuais de cabeça pesada e ideologia à flor da pele.

Se a oposição já tivesse deixado o debate processual e adotado a linguagem comum, há muito essa alegação de golpe estaria sepultada por desmoralização pública.

Colar as pedaladas às agruras do dia-a- dia, coisa que até agora não aconteceu, seria a melhor saída para juntar o sujo ao mal lavado.

Mas o povo, mesmo sem entender, acabou fazendo isso.

Não era pra menos. Aos 11 milhões de desempregados, o maior percentual dos últimos 30 anos, somam-se hoje os 60 milhões que estão inadimplentes com o nome sujo no comércio e nas agências de crédito. 0

Isso é nitroglicerina pura.

Essas pessoas estão culpando quem por tudo isso? A própria presidente que foi para a televisão em 2014 dizer que o país estava bem, fazendo com que o nível de consumo continuasse o mesmo quando ela, Dilma, já sabia que teria que aumentar a conta de luz, o preço da gasolina e todas as demais tarifas que segurou para vender sua ilusão, agora perdida.

Na cabeça do povo Dilma está caindo por isso e já vai tarde.

Discutir se houve ou não pedalada, o que é pedalada e outros delitos por inobservância às leis, não está importando e as pessoas continuam sem entender.

Mas, trocando em miúdos, para desgraça de Dilma e do PT, a verdade é que a linguagem popular se juntou à erudita por caminhos tortos e a vaca está indo pro brejo.

A essa altura ninguém quer saber porque Dilma está caindo mas quase todos querem se livrar dela. E a presidente não paga inocente.

É preparada o bastante para entender que enganou o país.

*Terezinha Nunes é presidente do PSDB Mulher-PE