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Brasileiros recebem salários cada vez menores e buscam refúgio em subempregos

camelo-460x307Diante de um cenário em que o desemprego cresce de forma desenfreada no país, milhões de brasileiros e brasileiras encontram nos subempregos a única forma de continuar sustentando suas famílias. Com remunerações geralmente muito inferiores às dos empregos com carteira assinada e sem os direitos garantidos aos trabalhadores formais – tais como férias, décimo-terceiro, apoio da Previdência Social – o subempregado acaba tendo um poder de compra incapaz de garantir as condições básicas para sua subsistência.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a situação não deve mudar tão cedo. Em estudo publicado no início do ano passado, a entidade afirmou que nos próximos cinco anos o subemprego e o emprego informal “deverão permanecer irredutivelmente elevados” na maioria dos países em desenvolvimento e emergentes. Em levantamento divulgado neste ano, a mesma OIT destacou que o Brasil terá, em 2016, a maior alta do desemprego entre as grandes economias do planeta, com 700 mil pessoas perdendo seus empregos no ano, o que deve fazer crescer ainda mais a informalidade e os subempregos.

Na visão de Wilson Fava, sociólogo e militante do núcleo sindical do PSDB-SP, para frear a precarização do mercado de trabalho brasileiro é necessário que haja maiores investimentos no setor produtivo e uma maior valorização da educação. “Para criar empregos de qualidade, para que as pessoas ganhem mais, é necessário, primeiro, ter investimento, e que esse investimento seja voltado para produtividade. E, em paralelo na sociedade, que se valorize mais a educação. Não tem outra alternativa”, destacou Fava. Ele ainda afirmou que o Pronatec, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, falha no seu objetivo de inserir os brasileiros no mercado de trabalho.

“O Pronatec, por exemplo, é um projeto bom, mas foi usado muito mais como uma porta de propaganda da iniciativa de qualificação profissional do governo Dilma. Você não desenvolve um sistema de qualificação profissional sem professores qualificados. Se você não tem professores qualificados para ensinar o trabalhador que quer aprender, o resultado é pífio. A raiz do Pronatec é equivocada porque, antes de haver uma qualificação, tem que se fazer um longo trabalho de preparar os formadores, e isso não foi feito”, avaliou.

Queda no salário dos brasileiros

Além da perda de empregos formais, os trabalhadores vêm tendo que sobreviver com uma renda cada vez menor. Segundo Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE publicada em março, a renda média do brasileiro passou de R$ 2.407,53 em fevereiro de 2015 para R$ 2.227,50 no mesmo mês deste ano, o que representa uma queda de 7,5%. As perdas salariais atingiram todos os tipos de trabalhadores, desde os com carteira assinada até funcionários públicos e autônomos. Para Fava, a diminuição do salário médio impacta diretamente na qualidade de vida das famílias brasileiras, e em especial na alimentação.

“Um dado importantíssimo sobre a precarização da mão de obra e a diminuição do poder de compra é que a venda de farinha de trigo no Brasil caiu, nos últimos meses, 20%. O que isso quer dizer? Estamos comendo menos. É um item de alimentação básico do brasileiro, que vai no biscoito, na bolacha, no pão. Isso é uma tragédia”, criticou o sociólogo.

“Quem está trabalhando, ainda que tenha a garantia do emprego, está consumindo menos porque está tentando guardar alguma coisa, porque está inseguro. O mercado de trabalho está não só diminuindo o salário real como amedrontando todo mundo. A gente vai no mercado e vê a aflição na hora de comprar. Olha mais o preço, tenta mudar de marca para um produto mais barato. Todo mundo está procurando, com o salário que tem, cortar itens, diminuir o que compra todo dia”, completou.