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Incerteza econômica e agravamento da crise política podem levar o Brasil à depressão

dilma_e_lula_0 (1)Mergulhado em uma recessão sem precedentes e com o agravamento da crise política no governo da presidente Dilma Rousseff, o Brasil corre o risco de enfrentar uma situação ainda mais tenebrosa: a depressão econômica – como em 1929, nos Estados Unidos. Para economistas, é difícil fazer projeções neste momento, mas eles são unânimes em reconhecer que o país nunca atravessou uma crise tão grave e, com a queda de 3,8% da economia no ano passado, 2016 pode ser ainda pior.

De acordo com o jornal Correio Braziliense, as estimativas de redução do Produto Interno Bruto (PIB) variam de 3,5% até 6% este ano e, em 2017, o nível de atividade poderá ter uma redução adicional de 1% – três períodos consecutivos de queda, algo nunca antes visto na história do país. Durante a Grande Depressão da economia mundial que se seguiu à quebra da Bolsa de Nova York, a produção brasileira retraiu por dois anos seguidos – 2,1%, em 1930, e 3,1%, em 1931, conforme dados da Austin Rating.

Segundo o jornal, a deterioração da economia e da política tem levado especialistas a revisarem as metas para o desempenho econômico brasileiro. Estimativas da Tendências Consultoria apontam que, de 2015 a 2020, o país poderá registrar uma taxa média negativa de 1,2% do PIB, desempenho abaixo do alcançado nos anos 80, a década perdida, quando houve queda em apenas dois anos.

O deputado federal Caio Nárcio (PSDB-MG) não acredita na recuperação da economia enquanto não for definida a situação da presidente Dilma no poder e as dúvidas na política econômica – que vão levando o país para um estágio pior do que se encontra. “O governo não tem a confiança do povo brasileiro, muito menos dos economistas e empresários. As medidas anunciadas nunca foram cumpridas e a maneira equivocada e, muitas vezes, irresponsável do governo de poder gerir o país, levou ao estágio que está”, afirmou.

Lula

A economista Alessandra Ribeiro, ouvida pelo Correio, afirma que a consultoria trabalha com cenário base de queda de 4% neste ano ou com uma versão pessimista de retração de 6%. No entanto, com a baixa credibilidade de Dilma entre os agentes econômicos, a manutenção da petista no Planalto e a possível entrada do ex-presidente Lula no governo reforçam as previsões mais desanimadoras.

Entrevistada pelo Correio, a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics (PIIE), em Washington, avaliou que, ao chamar para o governo o ex-presidente Lula, que está sendo investigado pela Operação Lava Jato, Dilma piorou as expectativas para a economia e praticamente contratou uma recessão de 5% neste ano. O deputado Caio Nárcio concorda com a Economist e afirma que o momento atual exige cautela e responsabilidade.

“A perspectiva do ex-presidente Lula de poder assumir é ruim porque ele não tem conhecimento de economia. O que ele pode apresentar hoje como uma alternativa são medidas populistas, equivocadas, que a curto e médio prazo poderiam levar o Brasil para uma confusão ainda maior e para uma situação incorrigível e insuportável”, criticou o tucano, ressaltando que novamente quem sofrerá mais serão os mais humildes, com o aumento do desemprego, a alta da inflação e a redução dos salários.