ArtigosImprensaNotícias

“A caminho do julgamento”, por Terezinha Nunes

Terezinha Nunes“Não cometi crime algum”, bradou a presidente Dilma, mais uma vez, na semana passada, desta feita dentro do Palácio do Planalto. O objetivo claro foi o de procurar convencer a população menos informada de que está sendo vítima de um golpe no momento em que o processo de impeachment vai avançando e chegando ao seu final.

Com esta reação, muito típica do PT que sempre se saiu bem dos infortúnios transformando-se em vítima e culpando a oposição pelos seus próprios malfeitos, Dilma tenta, de forma desesperada, fugir do veredicto que está por vir.

E este é, sem dúvida, o de que a presidente é ré perante a nação. Em primeiro lugar, por ter patrocinado as conhecidas pedaladas fiscais para enganar os brasileiros durante a campanha eleitoral, o que acabou levando o país ao fundo do poço econômico e social.

Em segundo lugar, por ter claramente buscado interferir nas investigações da operação Lava Jato, nomeando, recentemente, seu ministro da casa civil o ex-presidente Lula, no exato momento em que ele corria o risco de ser preso por ordem do juiz Sérgio Moro.

A Dilma que, até então, procurava demonstrar que nada tinha a ver com a corrupção instalada na antessala do Palácio do Planalto nos governos petistas – nos dois de Lula e no dela própria – se desnudou por completo.

Não há como tentar fugir do julgamento que se aproxima via processo de impeachment já iniciado no Congresso e que tem como base as pedaladas fiscais, ou através de um segundo processo desta vez encabeçado pela prestigiada Ordem dos Advogados do Brasil que tem como principal pressuposto sua suposta interferência na Lava Jato e a nomeação de Lula como ministro para livrá-lo da justiça de primeira entrância.

Se escapar de um, o que quase ninguém mais acredita depois que ficou flagrante o desembarque da base aliada no Congresso, não escapará do segundo. Além disso, a presidente ainda é acusada de ter cometido abuso de poder econômico em sua campanha e de ter se beneficiado, no processo eleitoral, das propinas investigadas pela Lava Jato e que teriam servido, entre outras coisas, para pagar os serviços do marqueteiro João Santana, um dos réus presos em Curitiba.

Nesse novo processo a presidente pode ter seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o que ensejaria a convocação de novas eleições. É possível que, nesse momento, só mesmo a presidente – se que é que não está fingindo – acredite em sua própria inocência. Afinal são três tipos de crime claramente expostos.

Isso ficou mais claro nos últimos dias quando ela sonorizou o seu mantra de que “não vai ter golpe”, tentando animar sua tropa, e, de certa forma, enfrentar o próprio STF.

Foi desmentida por juristas respeitados como três ministros do Supremo, para os quais o processo de impeachment está previsto na Constituição e é legal, como pela declaração do presidente da OAB, Cláudio Lamancha, que cunhou este final de semana uma frase lapidar: “não imagino que o Supremo regulamentaria um golpe”.

Para ele se o STF regulamentou recentemente o processo de impeachment é porque ele é legítimo. Dilma já tropeça nas próprias pernas, não esconde no seu semblante a culpa que lhe afeta a alma e parece perplexa com o fundo do poço que se aproxima.

Se está ou não verdadeiramente convencida de que é ré, quase ¾ dos brasileiros acreditam que sim e torcem por sua saída. Estão contando os dias nos próprios dedos.

*Terezinha Nunes é presidente do PSDB Mulher-PE e da Junta Comercial de Pernambuco