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Izabel Urquiza: “As mulheres entram na política para contribuir, fazer as coisas acontecerem”

izabel-urquizaPor menos de dois mil votos ela não levou a disputa pela prefeitura de Olinda, em 2012, para o segundo turno. Nas eleições deste ano, retomará o projeto pelo PSDB com o mesmo entusiasmo de antes. Um entusiasmo que, na sua avaliação, move todas as mulheres que desejam entrar na política: o de contribuir e ver as coisas acontecerem.

“As mulheres se colocam mais com o intuito de contribuir, elas têm uma sensibilidade maior para os problemas sociais. Por isso elas sentem mais. Os homens são mais práticos”.

Izabel Urquiza tem vasta experiência profissional na administração pública. É concursada da Caixa Econômica Federal desde os 18 anos, hoje está com 46, e já galgou a última referência na carreira.

Na política, mesmo, só disputou uma eleição, a de 2012. Mas desde criança cresceu nesse ambiente: a mãe foi vereadora, prefeita de Olinda, deputada estadual e secretária da Fazenda, e o pai foi deputado estadual. Quando ela resolveu seguir o caminho dos pais, a identificação com o povo foi imediata. 

Enfrentou um “leão” para quase polarizar a disputa pelo comando da histórica cidade de Olinda. Seu adversário tinha a máquina na mão e o ‘luxuoso’ auxílio de 21 partidos e dos governos federal e estadual. “Parecia algo impossível. Mas no decorrer na campanha minha candidatura foi crescendo, houve uma receptividade e uma identificação tão grandes!”, lembra com satisfação.

Izabel falou ao portal PSDB-PE para a semana das tucanas em comemoração ao Dia Internacional da Mulher: 

Disputei a primeira vez a prefeitura de Olinda há quatro anos. Mas desde criança sempre acompanhei a política, até pela questão familiar: minha mãe foi prefeita, vereadora, secretária da Fazenda, meu pai foi deputado estadual…Então eu cresci na política. Como fiz concurso público muito cedo, com 18 anos fiz concurso de nível médio para a Caixa Econômica, direcionei minha carreira profissional para a administração pública.

Na época em que disputei a prefeitura de Olinda, o atual prefeito tinha o apoio de 21 partidos, dos governo federal e estadual e a máquina na mão. Então, em princípio, parecia algo impossível. Mas no decorrer na campanha minha candidatura foi crescendo, houve uma receptividade muito grande da população, uma identificação muito grande, seja pelas nossas propostas, seja pela rejeição à gestão. Essa congregação de fatores fez com que, por menos de 2 mil votos, a gente não levou a eleição para o 2º turno. Ou seja, o prefeito ganhou por 50,4%. Uma eleição bem apertada. A partir daí, começamos a pensar em dar continuidade a esse trabalho.

O interesse pela política veio muito desse ambiente familiar?

Também. Como eu venho da carreira na administração pública, sou concursada, talvez se não houvesse o histórico familiar muito forte fosse mais cômodo continuar na carreira administrativa. Eu já cheguei na última referência na carreira profissional da Caixa. Então é mais tranquilo. Mas como há um envolvimento familiar, e meu mesmo com a política, desde muito cedo, a gente termina se envolvendo com o interesse de tentar fazer diferente.

Eu sempre gostei muito de desafios. E vi que meu conhecimento pode agregar em outras áreas, pode contribuir consideravelmente para retirar do papel muitos projetos. A gestão pública, muitas vezes, não funciona porque não dispõe de gestores treinados e preocupados com resultados, com eficiência. Toda minha vida profissional foi direcionada para esse sentido. Além de ter trabalhado na administração pública, eu fiz pós-graduação em direito administrativo e tributário, tudo voltado para a coisa pública. Isso faz com que a gente queira ver a coisa acontecer.

Eu tive uma votação muito expressiva com a comunidade de baixa renda. Isso me motivou muito, o contato com as pessoas, eu me identifico. Quando cheguei na secretaria estadual de Turismo (cargo que ocupa atualmente), em um ano conseguimos tirar do papel o projeto de recuperação do Mercado Eufrásio Barbosa (histórico mercado de Olinda). E uma série de outras obras que há décadas não andavam e a gente tirou do papel. Essas coisas todas motivam muito.

Por ser mulher, você enfrentou alguma dificuldade para se firmar na política?

O que dificulta para a mulher se firmar na política é porque essa é uma atividade que exige uma dedicação muito grande. E conciliar isso com a vida de mãe, eu tenho três filhos, do cuidar da casa, do trabalho, é um exercício bem complicado. Isso inibe um pouco as mulheres. Além de a política ser um ambiente um pouco inóspito, essa forma clientelista de fazer política que predomina em nosso país, tudo isso para a mulher é mais difícil de lidar. Existe na política uma cultura da preocupação com o imediatismo, do ‘toma lá, dá cá’, então esse diálogo é muito difícil de ser tratado pelas mulheres. As mulheres se colocam mais com o intuito de contribuir, elas têm uma sensibilidade maior para os problemas sociais. Por isso elas sentem mais. Os homens são mais práticos.

O eleitorado percebe isso na mulher? Porque ainda temos muito mais homens na política. Há essa compreensão de que a mulher tem mais sensibilidade e compromisso?

Algumas pessoas acreditam que as mulheres têm mais compromisso com o que faz, principalmente nesse momento político que a gente vive, onde há um descrédito muito grande. Essa politicagem é uma linguagem mais difícil de ser aceita pelas mulheres.

Como pré-candidata à prefeitura de Olinda, algum projeto de políticas públicas para as mulheres?

Quando disputei, em 2012, a gente tentou um trabalho mais forte para a cidadania como um todo. Consequentemente, um trabalho de inclusão de jovens, de famílias…Há hoje no Brasil um número muito grande de chefes de família mulheres. Então é preciso esse olhar para aquela pessoa que está à frente de uma família, que precisa de uma estrutura. Quando visitei muitas das comunidades carentes de Olinda, vi a ausência completa de estrutura, principalmente de creches. Essa era e será uma das nossas prioridades.

*Por Ana Lúcia Andrade/PSDB-PE