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Samuel Pessoa: em vez de enfrentar problemas da economia, governo preferiu varrê-los para debaixo do tapete

GHG_1611Doutor em economia e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Samuel Pessoa, um dos palestrantes no seminário “Caminhos para o Brasil”,  considerou dois pontos fundamentais ao analisar o contexto econômico nacional. O primeiro, ressaltou, é o buraco fiscal dramático.

“O déficit primário no ano passado foi 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Se considerarmos só as receitas recorrentes , o déficit  primário foi 1,5%: para que a dívida pública não cresça, teremos que ter um superávit de 2,5%”, observou.

Pessoa destacou o tamanho do problema fiscal que o Brasil tem pela frente lembrando que, em dezembro do ano passado, o  buraco era de 4 pontos percentuais do PIB: “O buraco que tem crescido aproximadamente 0,35 pontos percentuais do PIB, todo ano. “

Em relação ao PIB, ele também traçou um cenário nada otimista para este ano e para 2016.“ A instituição na qual trabalho, o Instituto Brasileiro de Economia , da FGV, na última segunda-feira, reviu seu cenário de atividade: revisamos para recuo do PIB este ano  de 3%,  e  recuo do PIB para o ano que vem  de 2%”, ressaltou.

Na prática, de acordo com Pessoa, isso significa que, no triênio 2014 a 2016, o crescimento negativo da economia será de 5%.

“Essa crise que estamos vivendo é o esgotamento de duas agendas: a da sociedade e a outra dos economistas e intelectuais petistas. O governo em vez de enfrentar o problema, começou a varrer para debaixo do tapete esses problemas com pedaladas fiscais, o uso recorrente de programas de refinanciamento de dívidas, antecipação exagerada de dividendos estatais quando a lucratividade já estava em queda e uma série de outros mecanismos”, resumiu o economista.