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“Meia casa, meia vida”, por Terezinha Nunes

terezinha-nunes-psdb-peJá apelidada de “mãe do PAC” e pré-escolhida dentro do PT à sucessão do ex-presidente Lula, Dilma Rousseff compôs o cenário de lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, ao lado do seu criador, em março de 2009.

Ministra da Casa Civil e devidamente vestida de vermelho, queria firmar seu compromisso com os programas sociais, alguns já amadurecidos como o Bolsa Família, e ir se familiarizando com os eleitores petistas.

Eleita, Dilma cuidou de abrir as portas para o programa que ganharia a sua marca, muito mais do que a de Lula. Não à toa que nessa fase de isolamento e impopularidade, a presidente tem escolhido a dedo os locais onde tem se exposto ao público sem correr risco de vaias.

Eles, invariavelmente, incluem a entrega de casas do programa a pessoas de comunidades distantes dos grandes centros urbanos.

Com o programa Bolsa Família já consolidado na cabeça da população, Dilma resolveu, como candidata à reeleição, falar muito na TV do Minha Casa, Minha Vida e do Pronatec, como sempre prometendo o que não poderia fazer: ampliar e muito os dois programas para encher os olhos das pessoas carentes ou de chamada “nova classe média”.

A presidente tem resistido a cortar gastos que não pode sustentar, sobretudo nesses programas que identifica como tendo marcas suas.

Não tem conseguido, porém, resistir às pressões e ao descontrole da economia e, sorrateiramente, está podando os dois sem dó nem piedade. Naturalmente que sem propaganda na TV, como o PT costuma fazer quando pretende vender ilusões.

O Pronatec causou celeuma na campanha à reeleição quando Dilma, com seus desacertos habituais, sugeriu que uma economista desempregada que cobrava oportunidades no mercado de trabalho, fizesse um curso do programa que é destinado às pessoas de nível médio. O episódio foi tido como a maior gafe da candidata, bastante explorada pelos adversários.

O mesmo Pronatec, recomendado por Dilma, já sofreu um corte de 60%. O Minha Casa, Minha Vida, cujo orçamento para 2015 era de R$ 19,9 bilhões, segundo levantamento realizado pelo jornal O Estado de São Paulo, já tinha sofrido uma tesourada de R$ 6,9 bilhões em maio, reduzindo em 28% sua meta. Para 2016 se projetava um gasto de R$ 16,7 bilhões mas R$ 4 bilhões também foram cortados recentemente.

Os cortes no MCMV têm sido tais que, na semana passada, Dilma lançou sem alarde o Minha Casa, Minha Vida 3, com a meta ambiciosa de construir 3 milhões de moradias. O próprio ministro Nelson Barbosa afirmou que daqui para a frente “o ritmo de construção vai ter que se adequar ao orçamento”, não dando qualquer garantia de cumprimento de metas.

Flávio Prando, da Secovi de São Paulo, concluiu que o novo lançamento era apenas “cosmético” pois nem se teria garantia dos recursos e nem as empresas participantes do programa estavam recebendo os restos a pagar dos empreendimentos anteriores.
O pior é que os cortes têm ocorrido sobretudo na faixa 1, das famílias que recebem de 1 a 3 salários mínimos e nos quais o Governo se compromete a subsidiar em até 90% o custo dos imóveis.

As medidas de contenção de gastos anunciadas esta segunda confirmam e ampliam esses cortes. Em 2014, por sinal, isso já tinha acontencido de forma peremptória. Foi autorizada naquele ano a construção de somente 150 mil imóveis nessa faixa quando em 2013 o número tinha sido de 550 mil.

Portanto, já na campanha quando estava na TV enchendo os olhos dos mais carentes quando prometia casa para todos, Dilma estava, por debaixo dos panos, autorizando a redução.

Com as últimas medidas que tem tomado, a presidente provocou o batismo do programa com outro nome entre as famílias mais pobres do Nordeste, as maiores beneficiárias do mesmo.

Ele agora é chamado de “Meia Casa, Meia Vida”, o que casa bem com a história das metas não alcançadas e duplicadas na cabeça da presidente.

* Terezinha Nunes é presidente do PSDB Mulher Pernambuco

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