BibliotecaeconomiaImprensaNotícias

Poder de compra dos brasileiros deve diminuir R$134 bilhões até 2016

MoedasBrasília (DF) – A massa salarial brasileira – soma dos rendimentos do trabalho de todos os brasileiros ocupados – está em queda desde o início do ano. Apesar da taxa estar em R$ 163,7 bilhões por mês, o indicador não resistiu à crise e o choque atingiu em cheio o bolso dos trabalhadores. De acordo com as projeções dos especialistas, o poder de compra deve encolher, pelo menos, R$ 134 bilhões em 2015 e 2016. As informações são do Correio Braziliense deste domingo (9).

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que a soma dos rendimentos habituais – que desconsidera itens como férias e 13º salário – chegou a R$ 2 trilhões em 2014, porém esse número não deve se manter. Segundo as estimativas da Corretora Votorantim, a queda será de 3,8% este ano e 2,8% em 2016, acumulando uma retração de 6,7% em dois anos.

O Banco Central apurou também que a massa salarial ampliada da Pnad, que considera todos os outros rendimentos provenientes do trabalho, foi de R$ 2,4 trilhões no ano passado. Neste caso, a perda poderia passar de 6,7% em dois anos.

Ainda de acordo com o jornal, o indicador sofre influência do rendimento médio dos trabalhadores e da quantidade da população empregada, variáveis que estão em queda desde o início do ano, como reflexo da baixa atividade econômica, dos juros altos e da inflação galopante.

Expectativa

Para o vice-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Júlio Miragaya, a estimativa é de piora. “Como a economia não vai reagir, porque os juros aumentaram muito e a inflação não dá trégua, a expectativa é de que 2015 termine com 1 milhão de empregos a menos”, afirmou.

Segundo ele, com mais desemprego, o poder de barganha dos trabalhadores é menor, reduzindo também a capacidade das categorias profissionais de conseguirem reposição salarial, o que vem derrubando o rendimento médio este ano. “Essa conjunção de fatores é perverso para a massa salarial”, completou.