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“À beira do abismo”, por Terezinha Nunes

Terezinha-Nunes-discurso-para-perfil-corte-certoNão é segredo para ninguém que o ex-presidente Lula anda com os nervos à flor da pele, tendo já segredado a amigos que teme a operação Lava Jato e sua própria prisão. Exagero? Pode ser, mas o certo é que Lula nunca esteve tão mal quanto se encontra agora.

Além das pesquisas do Ibope e Datafolha mostrando, pela primeira vez, que o senador Aécio Neves o venceria em uma disputa pela presidência se eleição fosse hoje – o tucano teria acima de 10 pontos de diferença das intenções de voto de Lula – na semana passada a Procuradoria da República no Distrito Federal começou a investigá-lo por tráfico de influência em operações de empreiteiras brasileiras no exterior.

No último domingo, o jornal O Globo, em reportagem contundente, mostra documentos do Itamarati nos quais embaixadores e cônsules brasileiros no exterior relatam viagens de Lula a países latino-americanos e africanos com o objetivo claro de fazer lobby para que empreiteiras, financiadas pelo BNDES, ganhassem a primazia na realização de obras públicas. Em muitas delas o ex-presidente se apresentou nesses países com os próprios empresários a tiracolo. Tudo isso deve ser desnudado na CPI do BNDES.

Outrora todo poderoso e absolutamente imbatível em áreas pobres do país, Lula está vendo sua popularidade cair de forma perigosa nesses locais onde Dilma tem hoje uma reprovação superior a 65%, como acontece no Nordeste onde a petista foi “vendida” pelos petistas como “a mulher de Lula“. Na sua campanha à reeleição Dilma conseguiu no Nordeste 70% dos votos. A visão dos nordestinos a respeito dela mudou por completo de janeiro para cá.

Na divulgação de sua pesquisa dia 11 deste mês o Ibope registra que Lula ainda ganha de Aécio no Nordeste, mas não revelou o número. Pelo nervosismo dos petistas nordestinos a diferença entre os dois deve ser pequena na região.

Na semana passada isso era patente no município de Gravatá em Pernambuco. Um petista atacava fortemente o senador Aécio Neves em uma loja, ouvido por mais três pessoas, nenhuma delas demonstrando apoio ao que ele estava dizendo. Uma outra pessoa que passava começou a defender o tucano e teve a concordância dos demais. Esta tática o PT sempre usou na região, mas pelo visto os ouvidos, antes atentos, estão ficando moucos.

Também na semana passada o respeitado cientista político e sociólogo pernambucano Antonio Lavareda, em entrevista à jornalista Rosângela Bittar, pôs em dúvida a força de Lula para vencer a oposição em 2018, caso se candidate a presidente.

Para Lavareda Lula hoje é mais “um personagem central do pesadelo oposicionista brasileiro” do que um competidor real, se considerados os níveis de temperatura e pressão da vida política atual. Ressalta que é duvidoso apostar em vitória de um grupo que enfrenta desgaste no Congresso, uma persistente crise econômica e a comprovada corrupção ora investigada.

Ele entende que se Dilma ficar no poder até o final do seu mandato os danos serão ainda maiores para o PT, mas acredita que, embora considerando a possibilidade de impeachment, crer em recuperação dos petistas já em 2018 é tarefa quase impossível, mesmo que o candidato seja Lula. Para Lavareda, um exímio analista de pesquisas, “a atitude negativa em relação ao PT está consolidada na sociedade brasileira” e tende a se manifestar de forma contundente nos grandes municípios já em 2016.

Já circula na Internet uma foto de Dilma à beira de um precipício. Pelo visto, Lula também pode ir parar lá.

 

*Terezinha Nunes é presidente da Junta Comercial de Pernambuco e membro da Executiva Nacional do PSDB.

**Fonte: Assessoria de Imprensa do PSDB-PE