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“A Solução: Renúncia e Parlamentarismo”, por Lêda Tâmega”

Leda TamegaA  grave crise que se abate sobre nosso país torna cada dia mais inviável a permanência de Dilma Rousseff na Presidência da República, não só pelos amargos frutos servidos aos brasileiros ao cabo de quatro anos de uma gestão desastrosa, mas pelas frequentes pugnas que opõem Planalto e Congresso Nacional. O balanço desse imbróglio torna-se altamente explosivo, se adicionado  às impressionantes revelações que continuamente emergem das escavações empreendidas pelo MP e pela PF nas profundezas do Petrolão, no embalo da operação Lava Jato. Aí estão combinados os ingredientes mais apropriados a fazer desmoronar as bases do equilíbrio institucional da República e, com elas, a vigência do Estado Democrático de Direito e a paz social.

Se o governo ainda não percebeu o tamanho do  Leviatã, milhões de cidadãos já soaram o alarme, cobrindo as ruas das cidades brasileiras de verde-amarelo, fazendo ecoar seus refrãos por sobre mares, rios, florestas, planícies e planaltos desse nosso imenso Brasil:  “Fora CorruPTos”, “Fora Dilma” , “Fora PT”, “Impeachment Já”… O sentimento de indignação agigantou-se e estende-se, num crescendo, a todas as camadas da sociedade.

Expressões como “elite branca” e “classe média alta” para designar os descontes é a cortina de fumaça com que o PT e seus sequazes procuram desviar o foco da crise, na tentativa de esconder a grande verdade que ninguém mais pode ignorar: Após doze anos de governo, o PT  perdeu a fantasia, está nu e se apresenta ao povo brasileiro na sua verdadeira pele, que nada tem a ver com aquela do paizão generoso, que governa para os pobres, pratica a  justiça  e combate a desigualdade social. Acabou o tempo em que José Dirceu podia sair por aí impunemente gabando-se de que ”o PT não rouba, nem deixa roubar”.

De repente, aos olhos da Nação estupefata, o partido político que se dizia diferente dos demais, o paladino da ética, da moral e da decência, aparece sem disfarce, mostrando-se como realmente é: uma organização criminosa especializada em roubar o dinheiro público. Um bando de bandidos que, com a mesma mão que faz tilintar as atrativas parcas moedas do Bolsa Família, retira vultosas somas do Erário para financiar, a juros baixos, investimentos de empresas brasileiras em países “amigos”, numa estratégia demagógica para firmar-se como o grande patrocinador da integração dos povos da América Latina, com colossal prejuízo para o país. Sem falar na dinheirama que tem abastecido os bolsos e as contas bancárias de dezenas de comparsas aqui e no exterior. Enquanto isso, nosso povo vive à mingua de educação de qualidade, de assistência médico-hospitalar decente, de segurança no campo e na cidade, de infraestrutura,  de proteção das fronteiras,  de combate ao desmatamento, para citar apenas as mazelas mais gritantes.

O PT jogou o Brasil no fundo do poço, e, pelo jeito, esse fundo é falso. A todo instante afundamos ainda mais. Até onde?

O Partido dos Trabalhadores aviltou-se e reduziu-se à mais abjeta e daninha praga jamais gerada na política brasileira. Como tal, se desqualificou para continuar governando o Brasil. Dilma Rousseff, por sua vez, perdeu totalmente a confiança dos brasileiros tantas foram as mentiras plantadas em sua campanha eleitoral e tantos foram os atos de incompetência e de irresponsabilidade que  desastrosamente  marcaram seus primeiros quatro anos de governo. Tendo a rejeição de 62% da população, a Dilma não resta outra saída a não ser a renúncia. Essa seria uma atitude de grandeza, evitaria maiores conflitos e atenderia a um desejo da maioria dos cidadãos brasileiros.

Isso pode significar tempos difíceis pela frente, mas não será o fim do mundo, se um grupo de homens e mulheres notáveis por seu saber, experiência e honradez se debruçarem na elaboração de um programa de governo para o Brasil, a ser e apreciado pela sociedade.

Um raio de esperança brilha no horizonte. Está na hora de trazer novamente ao debate a questão do parlamentarismo, regime de governo que, aliás, já está se insinuando nas recentes e inusitadas movimentações que acontecem no âmbito do Congresso Nacional. Esse quadro, associado à crescente força da voz que vem das ruas, deixa claro que o poder do Executivo vai sendo paulatina e inapelavelmente anulado, circunstância talvez inédita em nossa história republicana. O Brasil está maduro e ansioso por mudanças urgentes, que sanem os males e abram caminhos para um futuro promissor.

Por que parlamentarismo? Repito aqui as palavras do saudoso  Governador Franco Montoro:

“O parlamentarismo fortalece os partidos e assegura ao legislativo participação responsável nas grandes decisões nacionais. Permite mudanças de governo sem provocar crises institucionais. É essencialmente um regime de programas, discutidos e definidos publicamente com o apoio da maioria dos representantes da nação, ao contrário do presidencialismo, que tende a ser o regime do poder unipessoal e das decisões a portas fechadas, num convite permanente ao fisiologismo político. A adoção do parlamentarismo representará, assim, um passo importante para o aperfeiçoamento da democracia no Brasil. (*)

Mas esse é um tema a ser examinado  em uma outra oportunidade.

(*) V Convenção Nacional do PSDB – Brasília, 15/05/1999