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Venda de ativos da Petrobras é exemplo de “privatização atrapalhada”, avalia economista

Brasília – A Petrobras estuda um plano de venda de seus ativos – entre eles, usinas termelétricas, participação em postos de gasolina no exterior e uma fatia da Petrobras Distribuidora – em uma operação que busca arrecadar US$ 13,7 bilhões. As informações são de reportagem da Folha de S. Paulo desta terça-feira (17).

A presidente do Instituto Teotônio Vilela do Rio de Janeiro (ITV-RJ), a economista Elena Landau, avalia que o plano da Petrobras é mais um exemplo de “privatização atrapalhada” realizado pelo governo do PT. Para Elena, o projeto se destaca pela falta de transparência e de uma construção mais organizada, que poderia trazer mais recursos ao país.

“A venda de ativos que a Petrobras busca fazer caracteriza, sim, uma privatização de algumas atividades. Mas é feita de maneira equivocada. Talvez por vergonha – e o PT gosta de criar outros nomes, como ‘concessão’ ou ‘desinvestimento’ para as privatizações – o governo abre mão de conduzir um processo de acordo com as leis, que poderia ser fiscalizado por órgãos como o TCU, da maneira que foi feito durante o governo de Fernando Henrique Cardoso”, disse.

Há ainda outro problema destacado pela economista – o fato de a privatização estar sendo conduzida no momento atual, em que a Petrobras passa pela maior crise de sua história. A matéria da Folha menciona que a queda dos preços de petróleo levam para baixo o valor dos ativos da Petrobras. “A maneira como essa privatização está sendo conduzida certamente diminuirá os preços do que a Petrobras estuda vender. Ou seja, o problema que se busca corrigir não será resolvido”, afirmou.

Influência política
Segundo a matéria da Folha, a venda de parte da Petrobras Distribuidora busca reduzir a “influência política” presente na empresa. Um sócio minoritário, diz o jornal, teria “poderes para limpar a administração” da distribuidora.

Para Elena Landau, a ideia é outra que não deve alcançar o objetivo esperado. “É um absurdo. Um sócio minoritário, ainda que seja forte, continua minoritário. O que falta é uma política mais organizada de controle do que ocorre na empresa”, citou.